sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Bem me parecia...

O tipo só tinha ido fazer xixi e, como está surdo, não ouviu tocar a campainha.
Já agora, se souberem, façam o favor de me esclarecer. Estes bens que hoje foram arrestados vão ser devolvidos na segunda-feira, ou só depois das legislativas de 2015?

O ovo da serpente

Entre os cenários que ontem e hoje tracei sobre a noite eleitoral de domingo, há um que pode influenciar de forma muito significativa a vida política portuguesa no futuro.  Refiro-me aos resultados  dos independentes em concelhos tão importantes como Gaia, Matosinhos, Porto, Sintra ou Oeiras.
Mesmo sabendo que só Rui Moreira, no Porto, é um candidato verdadeiramente independente (os outros apenas se divorciaram dos seus partidos, quiçá temporariamente e à espera de uma reconciliação em breve...)  a vitória de candidatos que não têm atrás de si toda a máquina partidária,  em três ou quatro destes concelhos, obrigarão os partidos a uma reforma interna e a repensar a sua ligação à sociedade.
Continuando eu a acreditar que sem partidos políticos não há democracia, pertenço ao grupo dos que defendem que os actuais modelos partidários estão esgotados. Não havendo renovação, corremos o risco de um dia acordar nos braços de um populista que saiba explorar o descontentamento das pessoas.
Daí, que uma votação expressiva nos independentes signifique uma oportunidade, mas também um risco.
Se os partidos - confrontados com uma expressiva votação nos candidatos independentes-  não souberem interpretar o eleitorado e insistirem em continuar a ser meras fábricas de políticos profissionais, preparados nas aniquilosadas estruturas das Jotinhas, então não há razões para termos grande esperança no futuro. Estará aberto o caminho para candidatos populistas que ditarão o fim da democracia. Aliás, o estudo do think tank britânico Demos, hoje divulgado pelo "Público", é elucidativo: a democracia já não é um dado adquirido na UE e está mesmo em regressão em alguns países. 
Causas apontadas? A corrupção, a crise e a insatisfação com os partidos políticos  Ou seja, aquilo de que a maioria dos portugueses também se queixa.
O estudo abrange sete países europeus, sendo apontados como casos mais preocupantes a Hungria, a Bulgária e a Grécia. Alguém duvida que se Portugal estivesse no grupo estudado, não seria igualmente um caso preocupante? Alguém tem dúvidas que no seio da equipa governativa e na sua entourage gravitam fascistas disfarçados de democratas?  

Eu felizmente não estou indeciso, Daniel!

Raras vezes votei num candidato com a convicção  que terei quando no domingo puser a cruzinha  no PS, contribuindo para eleger António Costa. Precisamente pelas razões invocadas pelo Daniel Oliveira ( a que ainda poderia acrescentar mais algumas) que apesar de tudo confessa estar indeciso.


"Confesso que o meu voto em António Costa seria o natural. Foi, genericamente, um bom presidente de Câmara. Foi seguramente, com Jorge Sampaio, o melhor que Lisboa conheceu (tarefa relativamente facilitada). O seu trabalho é desigual e, em áreas como o urbanismo, deixa a desejar. Como nunca votei em candidatos perfeitos, o facto de ter resolvido os problemas financeiros da autarquia (o buraco de Santana e Carmona foi colossal) sem reduzir drasticamente serviços, mantendo a cidade a funcionar e até avançado com novos projetos, não despedindo trabalhadores e ainda integrando os que estavam a recibos verdes, seria mais do que suficiente para o meu voto. Em tempo de crise, António Costa mostrou que há formas de a contornar. E, quando tudo no País está pior, o que não depende do poder central em Lisboa está genericamente melhor. A esmagadora votação que as sondagens preveem e o apoio alargadíssimo que Costa conquistou, da direita à esquerda, resultam disso mesmo."
( Daniel Oliveira - Expresso on line)
Ler mais: http://expresso.sapo.pt/um-eleitor-indeciso=f832512#ixzz2g5vfeeFy

Mais cenários para a noite de domingo

Continuando a análise às autárquicas ontem iniciada aqui

Sintra- O cenário é exactamente igual ao de Gaia. Vitória apertada para o PS, com o independente ( vice de Seara) em segundo lugar. Se o PSD – terceiro a alguma distância dos dois primeiros- conseguir eleger um vereador, as contas ficam baralhadas e o candidato independente poderá ser o fiel da balança.
Oeiras-  Será  Moita Flores derrotado pelo fantasma de Isaltino Morais?  Se  Paulo Vistas vencer, como indicam algumas sondagens, será uma derrota humilhante para o PSD. ( O PS está fora da corrida).
É muito curioso observar o comportamento dos eleitores oeirenses- o concelho com mais licenciados por metro quadrado e um daqueles onde as pessoas têm mais poder de compra.
A vitória de Paulo Vistas confirmará  que até o fantasma de Isaltino é capaz de vencer um candidato apoado por uma máquina partidária
Seja quem for o vencedor, será uma luta renhida ( esperemos que sem mais cenas de pugilato) e, se o PS conseguir eleger um vereador, as contas poderão ficar baralhadas como em Sintra ou Gaia. Com a diferença de que, neste caso, poderá ser o PS o fiel da balança. Uma aliança PSD/PS em perspectiva?

Loures- Aqui não há candidaturas independentes.O PS poderá manter a câmara, mas a vitória será cerrada, com apenas mais um vereador do que a CDU. Os dois vereadores do PSD  farão por isso a diferença  e-  diz a experiência – a tendência nestas situações é haver uma aliança CDU/PSD contra o PS.  Foi graças a uma aliança semelhante que Rui Rio conseguiu garantir o seu primeiro mandato no Porto  e perpetuar-se à frente da autarquia durante 12 anos.
Resumindo: a noite eleitoral de domingo poderá ser bem mais animada do que se poderia esperar. Há candidatos que  terão uma vitória com sabor amargo  e alguns derrotados – nomeadamente independentes-   que, sendo fundamentais para facilitar uma maioria ao vencedor, poderão sorrir.
Irá ser determinante, nos dias seguintes, saber com quem se aliarão os independentes do PSD (ou Rui Moreira, no Porto), até porque dessas alianças poderá  - em alguns casos- fazer-se uma  extrapolação para as legislativas de 2015.