segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Seguro ainda não percebeu...

O PSD subiu nas sondagens.
Enquanto Seguro estiver à frente do PS, ninguém acredita em alternativas. A bem da Nação, devia renunciar ao cargo e facilitar uma nova liderança.
Seguro ainda não percebeu que é parte do problema e não da solução. Alguém se importa de lhe explicar?

Bom povo português



Há dias coloquei-vos aqui esta questão. Chegou a hora de vos dizer o que penso sobre o assunto.
Como alguns saberão , comecei a minha vida profissional a trabalhar na divulgação do cooperativismo e da defesa do consumidor. Ainda antes do 25 de Abril e  até final dos anos 70, fiz dezenas- quiçá centenas- de sessões de esclarecimento sobre as vantagens do cooperativismo, nomeadamente como forma de resolução dos problemas dos agricultores do norte do país. 
A resistência dos agricultores ao cooperativismo, naquela região, era algo que me deixava perplexo. Como é que eles não viam, por exemplo, que podiam tirar muito mais  rentabilidade das terras se  formassem uma cooperativa  e comprassem maquinaria que poderia ser utilizada por todos, rotativamente, em vez de cada um gastar dinheiro numa máquina que só utilizava uma vez por semana (às vezes nem isso?) 
Nem pensar. Cada um queria ter a  sua máquina,  o seu tractor, o seu arado. Aquele sentido de posse perturbava-me. Por ser irracional, mas também denunciar a inveja de que fala Rentes de Carvalho na sua crónica.
Já começara a perceber que falar de cooperativismo e solidariedade ao bom povo do norte era como atirar bolas para o pinhal, quando  em 74 e 75 estive a cumprir serviço militar.
Nessa altura participei nas campanhas de dinamização cultural da 5ª Divisão. Algo que- pese alguns erros-  ainda hoje muito me honra, devo dizer. Também aqui, o cooperativismo era sempre abordado como uma forma expedita de resolver os problemas agrícolas, nomeadamente no norte do país. Um dia fomos escorraçados, apedrejados e tivemos de fugir à pressa porque, numa sessão perto de Tomar, falámos das vantagens das cooperativas, como forma de combater os lucros especulativos dos intermediários. 
 O problema – descobri- não é, afinal, específico do Norte. É um problema do português.  Invejoso e com um sentido de posse exacerbado, a partilha é algo que não faz parte do seu vocabulário. A solidariedade do português termina no momento em que se fala de propriedade.
Não me venham dizer que a "experiência traumática" das Unidades Colectivas de Produção  vacinou os portugueses contra o cooperativismo. Não é verdade. Quando a sociedade de consumo explodiu em todo o seu esplendor, nos anos 80, vieram à tona as piores características dos portugueses: a inveja e a cobiça. Como escreve Rentes de Carvalho
Quanto ao resto, já escrevi em tempos o que penso do povo português. Apesar de espezinhado, espoliado, roubado, muito desse povo irá votar no PSD e no CDS nestas autárquicas que se avizinham e também em 2015, porque a sua mentalidade não muda. No fundo, também ele acredita que temos de expiar os nossos pecados através do sofrimento, e temos de ser castigados por "termos andado a viver acima das nossas possibilidades". O português pensa assim, mas não é por causa dele, que é muito responsável, é por causa dos outros- os néscios que tal como ele se endividaram, mas não deviam. O que o povo português gosta é de caridadezinha, não é de solidariedade. Quando critica os políticos, esquece-se que "é ele" que está no poder,
Para quem já não se lembre, quando lhe tiram a fotografia, o povo português é isto..

Those were the days (26)

Ayuthaia (Tailândia)
Brincando ao Portugal dos Pequeninos