quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Não há machado que corte a raiz ao pensamento?

“ (…) Os espaços de pensamento estão a desaparecer . No teatro diz-se (já o ouvimos muitas vezes): o teatro não é para pensar.No cinema diz-se: o cinema não é para pensar. Na arte diz-se: a arte não é para pensar. Ma literatura diz-se: a literatura não é para pensar. Nos jornais: os jornais não são para pensar e etc, e etc. A questão que fica é: então onde é que se pensa? No quarto, sozinhos? Fechados na casa de banho? Num submarino? 
Pensar tornou-se quase sinónimo de incomodar os outros Como se pensar fosse uma falta de educação (…)”
( Excerto da crónica de Gonçalo M. Tavares na Visão de 22 de Agosto)
A esta questão levantada pelo autor de “Uma Viagem à Índia”, já Gilles Lipovetsky vem respondendo  há uns anos nos seus livros, onde analisa de forma desassombrada e inquietante as consequências de uma sociedade do consumo, onde impera o nihilismo e a necessidad1e premente de as pessoas satisfazerem  os seus desejos de forma imediata e acrítica. A novidade, o desejo de singularidade e o triunfo do individualismo, endeusados pela sociedade de consumo como bens supremos, em concubinato com as novas tecnologias, conduziram-nos a uma atitude reactiva, imediatista, onde a reflexão  e o pensamento raras vezes conseguem ter  lugar.
Este facto é muito visível nas redes sociais. Pensa-se pouco e escreve-se o que vem à cabeça no momento. Não estou a dizer que isso seja mau. Apenas que é pouco.
A blogosfera parece ter sofrido um pouco com o aparecimento do FB. No início  havia muitos blogs  que convidavam os leitores à reflexão. As caixas de comentários eram um espaço de troca de ideias. Foi isso que me levou  a criar este blog.
Com o tempo, a blogosfera foi-se tornando refém da política e, com o aparecimento do Facebook, muito mais imediatista. Eu próprio caí nesse erro.  A reflexão deu lugar ao imediatismo reactivo.
Felizmente ainda há blogs onde se cultiva o salutar princípio de dar espaço às opiniões dos leitores e de com eles interagir. Reconheço, com alguma mágoa, que o CR deixou de ser um deles.  Passei a pensar fora da blogosfera, em circuito fechado, numa tertúlia de amigos cada vez mais espaçada, ou em círculos de reflexão.
Na blogosfera tornei-me câmara de eco do que se vai passando no país. 
Não sei se vou a tempo de arrepiar caminho e voltar às origens, mas vou fazer um esforço. Se não conseguir, talvez seja melhor partir para outra. As férias são um bom momento para reflectir sobre isso. Porque reaprender a pensar é preciso.

Notícias do novo ciclo(7)

Paulo Portas faz exigências a Tróika,mas Pedrito discorda. Foi inaugurado um novo sistema político: um governo, dois sistemas