terça-feira, 3 de setembro de 2013

Grandes autores (19)

Ferreira de Castro (1898-1974)


Lembro-me bem da forma empolgada como li "A Selva". Muitas décadas depois, ainda sei de cor algumas das suas passagens, porque  "encarnei" em Alberto e vivi a sua vida com o mesmo deslumbramento que Ferreira de Castro emprestou à sua personagem. 
 Um dos livros da adolescência que mais me cativou e deixou marcas profundas na minha  forma de encarar as coisas e a própria vida, onde a lei do mais forte  selecciona os vencedores, mas nunca nos devemos dar por vencidos. Foi com "A Selva" que percebi que se um dia viesse a viver num Portugal democrático, teria de estar atento a todos os sinais que indiciassem a deterioração da democracia. E se na altura acreditava que a democracia haveria de chegar a Portugal, não acreditava que os portugueses seriam incapazes de a preservar.
Nessa época, ainda acreditava na bondade e abnegação do povo e na sua atenta vigilância.

Cunhal não ia gostar disto!


Se Álvaro Cunhal fosse vivo não ia gostar de saber isto.

Lições do menino Tonecas

Se vivessemos em democracia e em Belém, em vez de um reformado lamurioso, estivesse  um Presidente da República com capacidade para exercer  na plenitude as suas competências, ontem à hora do telejornal teria sido anunciada a demissão do governo.
Ser  PR é bastante mais do que ganhar umas guitas com acções, graças a amigos  colocados no poder que acabaram a vigarizar os portugueses;
Ser PM é bastante mais do que polemizar em estilo conversa de café rasca, com os juízes do TC;
Ser PR, ou PM, é  fazer cumprir e respeitar a Lei Fundamental, não é tentar torpedeá-la com espertezas saloias ao estilo do menino Tonecas.
Porque nem PR nem PM cumprem uma Constituição que juraram defender, é melhor  começarmos a perceber que já não vivemos em democracia e, se quisermos recuperá-la, teremos que lutar por ela.


Querem mesmo fazer a reforma do Estado? Juram? (6)



Racionalização criteriosa dos serviços

Não sei se há funcionários públicos a mais. Sei é que Portugal é dos países da OCDE  onde- em termos relativos-  há menos funcionários.
De uma coisa tenho, porém, quase a certeza: há serviços a mais. 
Já tentei explicar a razão de haver tanto serviço público. Agora é altura de fundamentar a sua redução, com base na necessidade de prestar serviços de melhor qualidade aos cidadãos.
A redução pode ser feita pela incorporação de pequenas  direcções gerais em estruturas mais amplas, passando as pequenas unidades a departamentos dos ministérios. E pode também ser feita por fusão.
A fusão de serviços não implica despedimentos. Pelo contrário, poderá permitir uma maior eficácia,  com mais recursos humanos orientados para um objectivo comum.  O cidadão só teria a lucrar com isso.
As poupanças resultariam essencialmente da redução do número de chefias ( mas depois como é que os políticos alimentavam as jotinhas partidárias, não é?) , da utilização comum dos recursos e da diminuição dos custos logísticos. Apenas um exemplo: 
Cada vez que há uma alteração na Lei Orgânica de um governo, deitam-se ao lixo milhares de euros. Alguém imagina o que é gasto em envelopes, por todos os ministérios e serviços que mudaram de nome ou de tutela? Provavelmente no governo nunca ninguém fez essas contas, caso contrário, ter-se-iam  poupado várias centenas de milhares de euros. 
Todos os funcionários públicos têm direito a estar bem instalados. Mas alguém tem dúvidas de que não há um aproveitamento racional das instalações de que o Estado é proprietário ou arrendatário? 
 Há muito a fazer nesta área, mas é preciso conhecer profundamente a máquina do Estado e, principalmente, a sua estrutura e logística, coisa que os nossos governantes - desde há mais de uma década- não fazem a mínima ideia como funciona.. 

Angústias de um bebé proveta


Normalmente divirto-me a ler as bacoradas do Raposo no “Expresso” on line, mas o artigo dele hoje é sobremaneira mal intencionado para ficar sem resposta.
 Integra-se na campanha de intoxicação do governo  contra a função pública que  conta com a colaboração de muitos comentadores, cuja recompensa é igual à dos jornalistas do regime: mais dia, menos dia, são convidados para  o governo. 
Henrique Raposo faz algumas perguntas, visando intoxicar a opinião pública, por isso, decidi dar-lhe aqui as respostas.
Então aqui vai:

 Henrique Raposo- Por que razão o funcionário público tem uma mão cheia de privilégios em relação ao cidadão comum? 
CR-Dizer que os funcionários públicos têm privilégios é um lugar comum. Importa-se de dar um exemplo desses privilégios?
HR-Por que razão  não pode ser despedido mesmo quando se torna excedentário?
CR- Quem foi que disse que não pode ser despedido? O TC não foi certamente. Apenas vincou que- tal como acontece com os trabalhadores do privado- não podem ser despedidos de forma absolutamente aleatória, como o governo pretende. Como á tentei explicar-lhe noutro local, o governo não pretende reduzir o número de funcionários públicos. Pretende apenas substituí-los por gente com cartão laranja ou azul e amarelo.
HR- Por que razão trabalha menos 5 horas por semana? 
CR-Penso que está a  comparar com  o horário dos trabalhadores do sector privado. Quantos trabalhadores do privado a trabalharem entre 35 e 38 horas semanais quer que lhe apresente?
HR-Por que razão tem a melhor parte do SNS (a ADSE)? 
CR-Por uma razão simples: paga-a! Desconta todos os meses mais 2,5%  do que os trabalhadores do privado. 
HR-Por que razão o cálculo das pensões da CGA é muitíssimo mais favorável do que o cálculo da Segurança Social? 
 CR-Confesso que a esta não sei responder fundamentadamente, mas tenho uma suspeita. Sabe que até há pouco tempo, os funcionários públicos ganhavam muito menos do que os do sector privado? 
HR-No fundo, por que razão vivemos num regime que consagra uma aristocracia, o funcionalismo público? 
CR- Está enganado, senhor Raposo! Se existe alguma aristocracia é a dos comentadores  que escrevem artigos  como este, com  objetivo de  instigar o ódio  dos  leitores  contra  os funcionários  públicos e, quiçá, mendigar um lugar no governo. Prevejo que, dentro de dias, venha aí um artigo a  fomentar o ódio dos jovens contra os velhos. Nessa altura, perguntar-lhe-ei  se os jovens de hoje foram paridos pelos mais velhos, ou feitos em laboratório. Para terem tanto ódio aos pais, devem mesmo  ter sido feitos em  provetas!

Those were the days (25)

Viedma (Argentina)
Em 1986, Raul Alfonsin  desenvolveu o Projecto Patagonia. Visando dar uma maior centralidade à Patagónia, o projecto previa a transferência da capital da Argentina para Viedma - oque nunca chegou a concretizar-se.
  Esta foto foi tirada desde Carmen de Patagones,  uma então pequena povoação na outra margem do Rio Negro, que deveria integrar a área da nova capital argentina.