terça-feira, 27 de agosto de 2013

Grandes autores (15)

Ernest Hemingway ( 1899-1961)

Se "Por Quem os Sinos Dobram" é o livro que me leva a incluir Hemingway nesta lista, não posso deixar de fazer referência a " O Velho e o Mar"  e "Fiesta".
São dois grandes títulos deste jornalista/escritor norte-americano com  ligações à Europa, (especialmente a Espanha) onde viveu durante alguns anos e se apaixonou por uma enfermeira que seria inspiração para outro dos seus romances ( que não li): Adeus às Armas.
Espírito irrequieto e apaixonado, pertencente àquela geração que Gertrud Stein baptizou de "perdida", Hemingway  casou quatro vezes, apaixonou-se  muitas mais, viveu  na Europa, em  Cuba e acabou por se suicidar, incapaz de enfrentar uma velhice complicada em termos físicos. 
Recebeu o prémio Nobel em 1954.

O alambique



Este post da Rosa remeteu-me para uma outra crónica de Mazagran.
Em “Ao pé do alambique”, J. Rentes de Carvalho escreve:
Em matéria de feitura de vinho, solidariedade não há, só inveja. Cada um pisa com a família as uvas que lhe darão duas ou três pipas pequenas de duzentos litros. Com o risco que isso comporta de perdas por descuido e falta de conhecimentos necessários. Porque só por si a tradição e a experiência não bastam. Mas não entrará na cabeça de ninguém a ideia de uma união. Nem pensar. Isso de uniões e cooperativas são coisas de cidade, além de que as excelentes uvas de cada um iriam fatalmente sofrer com as miseráveis uvas dos outros.
Assim ficarão dois meses acalentando a vaidade e o medo. Porque depois da prova o comerciante é quem decide e pode preferir o vinho alheio. Acendem-se então inimizades antigas e criam-se discórdias novas, porque nesta gente nada é tão sensível como o orgulho ferido.” (…)
Tenho uma opinião mais alargada - fundada no saber de experiência feito-  sobre  o que aqui expressa  J. Rentes de Carvalho mas, por agora, fico a aguardar as vossas opiniões sobre  este " bom povo português" na caixa de comentários.

Virtudes públicas, vícios privados...

Crato e Marilú proibiram as universidades de aumentar as receitas próprias. Ou seja, não só lhes cortaram as verbas, como ainda as impedem de gerar receitas que permitam um orçamento menos apertado.
Um distraído bem disposto diria " estes gajos não f.... nem saem de cima", mas a realidade é bem pior do que isso. Trata-se de um ataque miserável às universidades públicas que tem por único objectivo decapitar o ensino público,  favorecer as privadas e os  interesses que à volta delas gravitam
Ainda sou do tempo em que Cavaco convidava alunos, pais e professores a saírem à rua e indignarem-se contra o governo Sócrates, por causa de umas medidas que lesavam as escolas. Agora deve agir em segredo, como fez com os bombeiros... Não há pachorra para aturar gente tão indecorosa, a viver em palácios à conta do contribuinte que lhe paga os vícios privados.


Jotinhas



Começou ontem a semana das universidades de verão das juventudes partidárias, patamar essencial para qualquer jovem se entrosar com a face negra da política ( a outra, a nobre, fica para os agnósticos que rejeitam este doutrinação ministrada  como escolaridade obrigatória).
Logo na aula de abertura, Marco António Costa fez questão de esclarecer os alunos que a Constituição é um empecilho e não deve ser respeitada. Quem estava fora da sala de aula , como eu,percebeu que o Costa é uma espécie de arruaceiro que comanda brigadas anticonstitucionais apostadas em dinamitar o que resta das conquistas de Abril.
Já devem ter percebido que hoje estou com mau feitio. É verdade, mas tenho uma justificação. É que há uma coisa que me irrita solenemente : os jotas
Essas jovens tribos partidárias que antecedem o nome do partido a que pertencem, com o prefixo Jota, trazem -me sempre à memória a Mocidade Portuguesa, entidade de que sempre fugi com artimanhas várias. A minha aversão às sessões doutrinárias de sábado à tarde, nos tempos do liceu, causaram amargos dissabores ao meu pai, sucessivas vezes chamado pelo "chefe de (es)quina"  para explicar as razões da minha evasão a tão benfazejas horas de doutrina pátria. 
Na tentativa de o ajudar a explicar-se, cheguei a simular um estratagema, que consistia em provar que envergar aquela farda me provocava alergia. Fi-lo por escrito, em carta dirigida ao comandante de “esquina”, um puto já com buço e ar de Sílvio Cervan dos anos 60, que orientava os trabalhos. O resultado foi uma suspensão das aulas durante uma semana e uma advertência ao meu pai sobre a eventual necessidade de eu ser integrado numa escola de reeducação.
Cresci como as ervas daninhas, rejeitando de forma sistemática qualquer “canga” que me quisessem impôr e assim continuei, já adulto, resistindo estoicamente aos apelos de amigos que me convidavam para enfileirar este ou aquele partido. Até hoje.
Creio que já perceberam a razão porque não vou à bola com as Jotas. Jovens que servem de correia de transmissão dos valores do seu partido, sem apresentar alternativas aos erros dos adultos e até identificando-se com eles, não trazem nenhum contributo para melhorar o país.
Conheço um número razoável de Jotas no Centrão. Cada vez que vejo a sua actuação, quando chegam a lugares de chefia na Administração Pública, contorço-me em esgares de revolta. Têm os mesmos vícios dos adultos e logo lhes copiam as manhas, exigindo as mesmas mordomias: carros novos, telemóveis, cartões de crédito e uma parafernália de mimos a que se julgam com direito.
Os Jotas são a cópia da devassa. A única ideia que têm de futuro para Portugal é a da manutenção dos jogos de influências, da arregimentação e do compadrio. É por essas e por outras que não acredito no futuro de Portugal. Os jovens tantas vezes anunciados como aqueles que vão construir um Portugal novo, já são velhos aos 20 anos. Nas ideias, nos comportamentos, na sua visão da sociedade. Dos Jotas, nada espero. Dos jovens que se libertaram da canga partidária, não sei. Terão força para lutar contra o situacionismo? Espero bem que sim , porque é neles que deposito a minha última réstia de esperança. 

Those were the days (20)

 Cabo Verde (Mindelo)