quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Grandes autores (12)

Anton Tchekhov ( 1860-1904)

Apesar dos repetidos avisos e insistentes recomendações do meu professor de Literatura, nunca prestei atenção a Tchekhov .  "Era um chato como Tolstoi"- respondia eu  sistematicamente às suas invectivas, deixando-o com o ar resignado de quem vê um aluno promissor desviar-se por maus caminhos.
Hoje, reconheço que o meu velho professor de Literatura tinha razão.  Devia ter lido Tchekhov  na adolescência e não apenas já bem entrado na idade adulta. 
Tchekhov é o mestre do conto e, sendo eu apreciador do género, poderia ter aprendido  muito se tivesse lido mais cedo alguns dos seus contos. Seria hoje, certamente, uma pessoa melhor.
Na minha modesta opinião, ninguém como ele consegue descrever o sofrimento das pessoas marginalizadas com as quais convivia ( recordo que  era médico).  Pessoas que travavam diariamente uma luta  contra  a miséria e as privações que punham  em causa a sua própria sobrevivência.
Quando lemos os contos de Tchekhov, encontramos personagens  que parecem continuar a viver entre nós. Sejam elas camponesas , operárias  ou nobres –  cujas frivolidades  ele descrevia com ironia singular- são personagens que se movem em cenas de um quotidiano  tão presente hoje em dia nas nossas vidas.
Tchekhov  nunca escreveu um romance.  Talvez não tivesse paciência para o fazer, ou pensasse que  com a narrativa apreenderia melhor a atenção das pessoas.  Por isso escreveu centenas de contos ao longo da vida que se encontram  reunidos em 8 volumes ( Relógio d'Água)
Escreveu, também, algumas peças de teatro . Nunca li nenhuma, mas tive a oportunidade de ver em palco  pelo menos três delas: “A Gaivota” , “O Jardim das Cerejeiras”  e  “As três Irmãs"

Um novo conceito de estacionamento

A partir de segunda-feira as garagens vão  passar a ter um novo conceito. Para além de  local de reparação de automóveis, abastecimento, lavagens e  lubrificações, as novas garagens passarão a prestar um outro serviço. Pelo menos na Suíça...

É público e é bom? O governo estraga!


Quatro universidades portuguesas entraram no ranking de Xangai, o mais importante a nível mundial. São todas públicas.
Que faz o governo dois dias depois da notícia? Dá apoio às universidades públicas, para que sejam ainda melhores? Não! Ressabiado com o facto de não constar da lista nenhuma universidade privada, Passos Coelho dá ordens a Crato para cortar ainda mais  15 milhões de euros.
O ódio deste PM a tudo o que é público já é uma ignomínia. Quando chega ao ponto de favorecer claramente o privado, obrigando os contribuintes a pagar as escolas dos meninos ricos que depois vão para a Comporta brincar aos pobrezinhos, entra-se no campo da canalhice.Ou do roubo e da vigarice. 
Só apetece dizer palavrões!

A Primavera Árabe foi um sucesso... para alguns!

Como estarão lembrados, sempre olhei com bastante desconfiança para a Primavera Árabe. Desde o inicio da revolução de jasmim tunisina, mas principalmente a partir dos acontecimentos da praça Tahrir no Cairo,  fui lançando por aqui avisos aos entusiastas que viam no derrube dos ditadores, a luz da Liberdade e o florescer da Democracia.
Na Tunísia o jasmim murchou rapidamente e uma reportagem da TVI, em Outubro de 2011,reflectia bem o desencanto dos tunisinos.
No Egipto as eleições determinaram aquilo que se esperava: a vitória da Irmandade Muçukmana que-  escrevia eu em  Dezembro de 2011- "ainda vai ser motivo de muitas preocupações futuras"
Da Líbia é melhor nem falar. Ninguém se entende sobre a repartição do poder.Ainda não se percebeu qual o fundamentalismo que sairá vencedor do ajuste de contas que se está a travar, mas é sabido que a Sharia será adoptada como lei fundamental. A nossa  comunicação social, entusiasmada com a primavera árabe, anda agora calada  sobre o assunto, porque emigrou para os gabinetes ministeriais, de onde emite notícias anunciando um futuro risonho para o país. Sabendo-se que são os mesmos que nos prometeram a democracia nos países árabes, bem podemos esperar sentados pela anunciada recuperação.
Talvez seja oportuno lembrar-lhes que no meio da refrega que culminou na morte de Kadhaffi ao mais belo estilo da barbárie, desapareceram cinco mil mísseis terra-ar e a Líbia é hoje um gigantesco supermercado de venda de armamento, onde terroristas da Al Qaeda do Magrebe Islâmico se abastecem livremente. Perceberão eles agora as razões do recrudescer de ameaças terroristas da Al Qaeda?
Nas últimas semanas morreram e ficaram feridas milhares de pessoas no Egipto, Morsi eleito democraticamente foi derrubado pelo exército e preso, enquanto o ditador Mubarak  está em vias de ser libertado e ilibado de todas as acusações.Com jeitinho, ainda entregam o poder a um dos seus seguidores. Ou seja, morreram mihares de pessoas em dois anos, para que tudo fique na mesma.
Então a Primavera árabe  não foi um sucesso? Foi! Para quem andou a vender armamento a ambas as partes.
É precisamente por isso que o Ocidente se mantém mudo e quedo perante o que se está a passar no Egipto

O poder do dinheiro