segunda-feira, 22 de julho de 2013

Traduzindo por miúdos...

Preparem-se, porque vem aí mais austeridade. Pensionistas e funcionários públicos, esperem o pior. A  culpa é do Paulo Portas

Recapitulando: Cavaco escavou mais fundo, encontrou um cadáver, resuscitou-o e ainda encontrou vestígios do BPN



Vale a pena recapitular o que se passou nestes 21 dias, que culminaram com o recuo  de Cavaco e o reforço deste governo e de Pedro Passos Coelho.
No dia 1 de Julho, Vítor Gaspar demite-se e torna pública a carta de demissão, onde reconhece todos os seus erros e a sua incompetência, mas lança graves acusações a PPC.
O primeiro-ministro não desarma e nomeia de imediato Maria Luís Albuquerque para substituir Gaspar.
Paulo Portas faz birra, escreve ao PM a dizer que não concorda com a nomeação de MLA e anuncia que se demite. IRREVOGAVELMENTE!
No dia seguinte PPC  faz voz grossa, puxa as orelhas a Portas em público e diz que não aceita a demissão.
Cavaco zanga-se, chama os putos à sala e exige-lhes  que tenham juízo.
No dia 6, numa cerimónia fúnebre, PPC anuncia que Portas será vice primeiro ministro com poderes reforçados. Portas revoga a sua palavra, que é aquilo que melhor tem feito durante toda a  vida. Quer como jornalista, quer como político. Desta vez, teve uma razão acrescida: PPC acenou-lhe com uns contratos dos Pandur que Portas assinou depois de o governo ter sido demitido por Cavaco. O Correio da Manha foi chamado para assistir ao acto e publicou a fotografia no dia seguinte.
Na fotografia,  PPC até parece modesto. Cede o poder a Paulo Portas. Para si – e para o seu partido-  ficam as migalhas das privatizações, o verdadeiro tesouro no fundo do pote.
Cavaco volta a zangar-se e no dia 10 pede aos putos que chamem Seguro para brincar com eles. Convence-os que, deixando Seguro entrar na brincadeira, o líder socialista também será responsabilizado quando partirem os vidros da vizinha. Para convencer Seguro, oferece-lhe um brinquedo: eleições em 2014.
No dia 12, durante o debate do estado da Nação na AR, o PCP usa Heloísa Apolónia como menina das alianças e manda-a entregar uma moção de confiança ao governo, disfarçada de moção de censura. Os dois putos ficam muito gratos e Seguro percebe que está a mais naquela brincadeira. Em vez de se retirar de imediato, decide entrar no jogo. Há quem veja nesta generosidade de Seguro, um sinal de boa índole. Outros acreditam que ele só mais tarde percebeu que Cavaco e PPC só queriam que ele entrasse na brincadeira, para condicionar a decisão do TC, no caso de o próximo orçamento contemplar medidas inconstitucionais.
Entre 14 e 18 de Junho, os meninos brincam no recreio  mas, nesse dia,o puto Pedro aproveita a presença de Cavaco nas Selvagens para o encostar à parede e obrigar a aceitar as suas condições.
Chateado, Seguro abandona a brincadeira no dia seguinte.
Cavaco acaba de regressar das Selvagens, onde foi anilhar uma cagarra e brincar com os calcamar, recebe a notícia que os putos se uniram para expulsar Seguro. Zanga-se. Prepara-se para anunciar ao país que vai deixar que os putos continuem a brincadeira até 2014, quando recebe um SMS de PPC a explicar-lhe por que seria boa ideia Cavaco aceitar as suas condições.
Cavaco recebe PPC em Belém. Vão os dois escavar um buraco e encontram o cadáver de Paulo Portas, segurando o governo por um fio e, na outra mão, vestígios do BPN. Cavaco ressuscita-o.
No dia 21, Cavaco comunica ao país que deixa os putos continuar a escavar. Até eliminarem todos os vestígios do BPN e  uma boa parte dos portugueses ter morrido à fome.
Tenho um palpite que a história não acaba aqui... mas para conhecermos o verdadeiro epílogo, ainda temos de esperar mais uns meses. Quando o TC se pronunciar sobre novas inconstitucionalidades no OE 2014

O Paraíso é já ali...

No Conselho Nacional do PSD, Passos Coelho anunciou que estávamos quase a chegar ao Paraíso, como sempre prometeu durante a campanha eleitoral.
Ontem Cavaco, depois de ter dito há dia que este governo não tinha credibilidade, voltou atrás e reconheceu que este governo é a melhor solução para o país. Na verdade, tem razão.
Em 2011, o líder do PSD garantia que no final do seu mandato Portugal estaria irreconhecível e está a cumprir. Estamos ainda a meio e já estamos muito perto do  paraíso que nos prometeu:
- Somos o segundo país da OCDE onde o poder de compra mais diminuiu;
- Somos o terceiro país da UE com mais alta taxa de desemprego;
- Somos um dos países do mundo onde mais diminuiu a empregabilidade;
- Somos o sétimo pais da OCDE onde é mais fácil despedir.
Se o governo PSD/CDS conseguiu tudo isto em apenas dois anos, é bem provável que até 2015 ainda consiga colocar Portugal entre os três países europeus com maior taxa de mortalidade infantil; onde as reformas são mais tardias; onde se recebem as reformas mais baixas; o país  da OCDE onde há maior desigualdade social.
A cereja em cima do bolo será termos os administradores bancários mais bem pagos da Europa e o país onde  uma maior percentagem dos impostos dos cidadãos é canalizada para os bancos.
Continuemos pois a suportar este calvário, porque estamos no bom caminho para atingir a salvação eterna!

(Im)pressões a Martelo

Entre os comentadores e gente com carteira de jornalista que tem como propósito servir os interesses do governo cresce, viçosa, a ideia de que Seguro cedeu às pressões dos notáveis do partido e por isso recusou assinar um acordo com  Casmurro e o Irrevogável.
Claro que esta mesma trupe, com Marques Mendes e Marcelo na liderança,  não falaria de pressões do PR e do governo, se Seguro tivesse assinado um acordo que reduzisse o PS à expressão mínima e afundasse ainda mais o país. Nesse caso, os mesmos comentadores e os abutres com carteira de jornalista que fazem vénias ao governo, elogiariam o sentido de responsabilidade do líder do PS.
Daqui a um mês, porém, estariam a esturricar Seguro e a exigir que ele cedesse ainda mais, em defesa dos interesses do capital país PSD.
O que Cavaco, PSD e comandita queriam, era ter o PS como alibi da sua incompetência e co-responsabilizá-lo pelo segundo resgate que vem aí.
Não há pachorra para esta escumalha!