quinta-feira, 18 de julho de 2013

As coisas ficaram hoje mais claras. Ou talvez não...

Hoje foi um dia rico em recados.
Começou na AR, durante a discussão da moção de confiança  censura ao governo apresentada pelos Verdes.
Na sua intervenção, PPC deu um puxão de orelhas ao PS e procurou- uma vez mais- condicionar o PR apresentando como facto consumado a remodelação combinada com Portas.Seguro não respondeu à altura. Pelo contrário...calou-se. Falou Carlos Zorrinho que se mostrou ofendido com a tentativa de PPC condicionar a decisão do PS e a acção do PR.
Logo de seguida, Cavaco falou desde as Selvagens. Não só para dizer que estava muito confiante num acordo entre os partidos, mas também para reafirmar que não haverá governo de iniciativa presidencial.  Quer isso dizer que vai engolir o que PPC lhe apresentar à frente? Tudo indica que sim...
À noite, na intervenção no Conselho Nacional -  transmitida em directo pelas três televisões- PPC voltou a mandar recados ao PS, deixando no ar a ideia que ou Seguro aceita o que ele quer, ou então não há acordo. Pelo caminho, mandou uma ferroada a Cavaco, criticando a hipótese de eleições em 2014.
Não deixa de ser curioso este bate bola entre Cavaco e Coelho, mas só encontro uma explicação: Cavaco terá obtido da parte de Seguro um compromisso de que é possível chegar a um acordo e Passos Coelho sabe-o.
No PS estalou definitivamente a guerra e Seguro- que já estava entalado- ficou emparedado. Se assina o acordo, o PS esfrangalha-se.  Não só porque Seguro será ainda mais contestado internamente,  mas também porque ficou claro que o PSD elevou a parada e qualquer acordo que venha a aceitar, resultará de uma cedência do PS.
 Se não assina, tem de explicar de modo muito convincente,as razões que levaram ao rompimento. Tarefa que não será fácil, até porque os comentadores estão maioritariamente ao lado do governo.  Tem no entanto um trunfo. Recorrer às declarações dos parceiros sociais que exigem uma alteração de rumo, que o governo se recusa a fazer.
Ou consegue explicar muito bem isso aos eleitores, ou o PS será fortemente penalizado em eleições. Sejam elas em 2013, 14, ou 15.


Allô, Lisboa? Aqui Selvagens!

Cavaco falou aos portugueses a partir das Selvagens ( ver post anterior). No seu discurso falou dos malefícios de ratos e coelhos e, quanto ao resto, mostrou estar ada vez mais parecido com o Thomaz. Diz que está confiante num acordo entre o PS e os partidos do governo
 Podia ter sido pior. Imaginem que esta manhã tinha acordado a falar sueco?

Voando sobre um ninho de cucos


Às 18 e 30, Cavaco vai falar ao país a partir das Selvagens. O CR  teve acesso ao discurso, que começa com um agradecimento aos portugueses e termina com uma breve análise da crise:

Obrigado, portugueses!
Foi muito gentil da vossa parte terem-me pago esta viagem às Selvagens. eu sei que foi cara, mas devo dizer-vos que valeu a pena o vosso esforço, pois estou deliciado. Depois do sorriso das vacas dos Açores, não esperava entusiasmar-me, ainda mais, com o sorriso das carragas. 
Quero dizer-vos que vir aqui é mais ou menos como visitar, num só dia, o Jardim Zoológico em Lisboa, o ZooMarine de Albufeira e o Fluviário de Mora. Algo, portanto, que está ao alcance de quase todos os portugueses. 
Não queria deixar de vos relatar  a experiência que hoje vivi na Selvagem Pequena e em muito se assemelha àquela que me tem ocupado nos últimos tempos aí por Lisboa. Espero que os senhores jornalistas que me acompanham vos relatem e mostrem a forma como anilhei uma cagarra. Todos ficaram muito surpresos pela minha destreza, porque não sabiam que eu andei a treinar em Lisboa, antes de vir. Foi um segredo que quis revelar-vos em primeira mão.
Treinei-me a anilhar  um coelho de focinho laranja  e um papagaio de porta, falta-me só anilhar um calca-mar  cor de rosa, mas se o David Justino ainda não tiver conseguido fazer isso por mim, amanhã eu trato do assunto quando chegar a Lisboa. Aliás, a primeira coisa que fiz esta manhã foi conversar aqui com um desses simpáticos e comoventes animais, para me adaptar à espécie que é facilmente domesticável. Basta falar-lhes de eleições antecipadas, que põem logo o rabinho a dar a dar.

Análise da crise

Não estou aqui, neste arquipélago maravilhoso, rodeado de todos estes animais amigos ( neste momento a câmara foca Alberto João Jardim e a restante comitiva presidencial)  para vos falar do país. Quero, com estas palavras, apenas mostrar-vos que tenho estado sempre com o ipad ligado, para me manter em contacto com o Justino, que me vai relatando todos os pormenores.
Confesso-vos que estou muito satisfeito com o que vou sabendo. Ainda há minutos, ouvi a intervenção do senhor primeiro ministro na AR e percebi que o país mudou muito em apenas 24 horas. Sei que amanhã, quando regressar a Lisboa, vou encontrar uma cidade e um país irreconhecíveis, mas o senhor PM teve a amabilidade de mo apresentar em directo e estou-lhe muito grato por isso. Assim, não terei nenhum choque.
( O resto do discurso parece um questionário de escolha múltipla. As frases estão entrecortadas por espaços em branco que serão preenchidos em função das notícias que o PR for recebendo ao longo da tarede, a partir de Lisboa. Terão, por isso, de esperar pelas 18 e 30, para saber o que Cavaco irá dizer. Ou talvez não...)
( Em actualização)

Dar a mão em vez da bóia



Conhecem aquela história do homem que, vendo outro a afogar-se  lhe deu uma mão para o salvar? Acabou por ser puxado para a água pelo homem que estava a afogar-se.
Alguém podia ter contado esta história ao Seguro e recomendado que lançasse a bóia ao governo, mas nunca lhe estendesse a mão...

Sinais

Mário Soares está muito confiante e nem lhe passa pela cabeça que o PS possa assinar um acordo com a direita. Em que alicerça ele a sua convicção? Num encontro que teve com Alegre e Seguro, onde o líder do PS garantiu aos dois fundadores que "não cederia nos valores e princípios do PS". 
É preciso andar muito desatento, ou ser muito bem intencionado, para acreditar que Seguro conhece os valores e princípios do PS!
Mais atento parece estar Cavaco que, a caminho das Selvagens, transbordava optimismo em relação a um acordo entre os três partidos. 
Parece-me que Cavaco estará mais próximo da realidade. Seguro estará a ensaiar vários números circenses para explicar aos portugueses como o seu contorcionismo lhe permitiu chegar a um acordo recorrendo a malabarismos que darão aos portugueses a ilusão de que o PS conseguiu  vergar a maioria e alcançar um excelente acordo para salvar o país.

Cavaco já escolheu mediador, para recurso de emergência

O CR sabe que Cavaco tem de prevenção dois mediadores, para o caso de as negociações entre PS e partidos do governo borregarem. 
Como o PR já adiantara, são duas pessoas da sua confiança. O primeiro a avançar será Dias Loureiro, ex -ministro de um dos seus governos. Caso não tenha sucesso seguir-se-á um outro homem de absoluta confiança de Cavaco: o seu ex -secretário de estado Oliveira e Costa.