quinta-feira, 11 de julho de 2013

Afinal, o discurso de Cavaco foi provocado pela Saudade!

-Cavaco emergiu na cena política nacional depois deste episódio, que ditou o fim do Bloco Central;
- Cavaco, Presidente da República, derrubou um governo PS para fazer emergir um cabotino;
- Cavaco quer, agora, um governo do Bloco Central com uma apendicite aguda chamada Portas;
- Cavaco considera que PCP e BE são excrescências da democracia que não interessam para nada e os portugueses que votam nesses partidos não têm direito a ter voz e exprimir as suas opiniões
- Cavaco corre o risco de sair de cena submerso nas suas incoerências, mas também na sua intolerância.
Ou talvez não...
É bom nunca esquecer que foi este mesmo Cavaco que, na sua ficha da PIDE, declarou estar bem integrado no regime do Estado Novo. Quem sabe se o discurso de ontem não foi apenas provocado pela saudade daqueles gloriosos tempos?

E a próxima demissão é...

Qual será a próxima demissão no governo?
Aqui deixo várias hipóteses, com alguns excertos das cartas de demissão.
Os leitores decidirão quem é o próximo a bater com a porta:

- Álvaro Santos Pereira (  agora sou eu que não quero ficar)
- Maria Luís Albuquerque ( adeuzinho, pás. Eu sou como o Mourinho, gosto de estar onde gostam de mim. Vocês viram como eles gostam de mim em Bruxelas, não viram? Então ciao. Fiquem lá com as swaps porque para mim já chega)
- Poiares Maduro ( Vim eu de Florença para fazer briefings diários e agora não me deixam falar? Então, adeus)
- Paulo Portas ( se o Cavaco não me quer como nº1, vou-me embora. Mas atenção, porque a minha demissão é (ir)revogável)
- Pedro Passos Coelho ( se os outros já se foram todos embora, o que é que eu fico cá a fazer? Vou mas é jogar crapô com a Laura)

Vamos ter mais uma surpresa à hora do jantar?

E se quando PPC sair hoje de Belém informar o país que Cavaco aceitou a  remodelação proposta pelo governo e os novos ministros tomarão posse amanhã?

Cavaco pensa que ganhou, mas perdeu!

Não sei se a esta hora Cavaco está a rir à gargalhada e a comemorar a eficácia da sua vingançazinha, ou se já percebeu o imbróglio em que se (nos) meteu.
Admito é que, pela cabeça de Cavaco Silva, tenham passado outros cenários que o levaram a antecipar o prazo de validade do governo em 15 meses, ou talvez mais...
- Pode ter admitido que com a sua intervenção obrigaria Passos Coelho a demitir-se, o que legitimaria a sua vontade de formar um governo da sua iniciativa. Se assim foi, deve ter falhado o alvo. PPC nunca se demitirá e hoje, às 18 horas, quando for recebido pelo PR, PPC vincará novamente essa sua intenção. Só sai à força, nunca por sua iniciativa.
- Outro cenário possível é ter percebido que em breve vai ter um outro problema entre mãos. Com efeito, a ida de Teixeira dos Santos  à comissão parlamentar de inquérito às swaps, ontem, indicia que Maria Luís Albuquerque mentiu na AR. Como poderia suportar o PR a humilhação de ter empossado uma ministra com um historial político duvidoso?
Nesse caso, Cavaco terá optado por humilhar o governo, ficando mais uma vez à espera que, num assomo de dignidade, PPC se demita o que, pelas razões já aduzidas nunca acontecerá.
PPC irá hoje a Belém para mostrar que ainda tem trunfos a jogar e o mais provável é que insista na remodelação, alegando que não tem ministro dos negócios estrangeiros, precisa de o substituir e quer aproveitar para fazer uma remodelação. Que justificação apresentará Cavaco para recusar? Não foi ele que afirmou repetidas vezes que o governo tem a legitimidade da AR? Ora, assim sendo, não tem legitimidade para fazer uma remodelação? Porquê?
E como reagirá Cavaco se  o governo apresentar muito em breve uma moção de confiança na AR?  Que espaço de manobra lhe resta para insistir em não aceitar a remodelação?
Cavaco despoletou ontem a bomba atómica, mas ela não rebentou onde ele queria. Talvez expluda nas suas próprias mãos.
Como um azar nunca vem só, Cavaco está agora - dois anos depois- a apanhar com os estilhaços da carga de dinamite que utilizou para se ver livre de Sócrates. É bem feito! O problema é que também sobram estilhaços para nós. e esses são os mais violentos.

O grande (triplo) salto em frente


Ontem, logo após a intervenção de Cavaco, escrevi que a única coisa que tinha conseguido decifrar do oráculo presidencial, era que o PR pretendia dar um (triplo) salto em frente. 
Hoje, sinto-me capaz de avançar um pouco mais, mas continua  uma grande confusão na minha cabeça. Tentarei, de qualquer modo, dar aos leitores a minha visão sobre os objectivos presidenciais com este triplo salto em frente.
Cavaco terá começado a preparação no dia em que deu posse a Maria Luís Albuquerque. Ter-se-á sentido  traído com as circunstâncias da demissão de Portas e o comportamento de Pedro Passos Coelho. Terá sido nesse dia que, definitivamente, percebeu que este governo estava em decomposição acelerada e não podia confiar mais nos putos. 
Foi porém, entre sábado e segunda-feira, que Cavaco começou a tomar balanço. A declaração do Tivoli ,  em que veladamente PPC dava como adquirido que o PR não se oporia ao remendo concertado com Portas, terá deixado Cavaco irritado e ainda mais desconfiado. 
A gota de água que fez transbordar o copo e  levou Cavaco a começar a tomar balanço para o (triplo) salto em frente, foi a tomada de posse de Maria  Luís Albuquerque em Bruxelas. A forma efusiva como foi recebida, os múltiplos elogios feitos a PPC pela forma como ultrapassara a crise, os aplausos internacionais  ao novo governo, tresandavam a encomenda e pretendiam dizer a Cavaco ( e a milhões de portugueses) que o governo  tomara posse na segunda -feira em Bruxelas.
Cavaco sentiu-se ( compreensivelmente, diga-se) humilhado e nesse mesmo dia terá decidido recusar o arranjinho esforçadamente cozinhado entre os dois catraios.
Quando começou a ouvir os partidos e os parceiros sociais, o PR já tomara a decisão de tirar o tapete ao governo. Só não sabia ainda como o fazer. Até porque, em função dos antecedentes,  é responsável por esta situação. Para recuperar a imagem, Cavaco precisava de uma estratégia que não o envolvesse directamente no extermínio da coligação, não desse trunfos à oposição, permitisse recuperar a imagem de pacificador junto dos portugueses e, com ela, emergir na cena política como Salvador da Pátria.
Arrastar as reuniões durante três dias, deu-lhe mais espaço de manobra para montar a estratégia e tomar balanço. Ontem exibiu ao país a sua destreza com um triplo salto que, contra todas as regras, terminou com uma pirueta. Mas a coisa não correu lá muito bem...

1- Cavaco disse ao governo: não confio em vocês, mas preciso que se mantenham em funções, enquanto eu quiser. Até aqui fui refém do governo, chegou a altura de os portugueses perceberem que os papéis se inverteram e quem dita as  regras agora sou eu. Comecem a preparar as malas, porque quando a troika se for embora, vocês também vão.

2-  Cavaco disse à oposição: PCP e BE não me interessam absolutamente nada. Para cumprir a minha estratégia basta-me o PS. Quero comprometê-lo com o governo. Se recusar, tanto melhor. Poderei justificar mais facilmente  um governo de iniciativa presidencial.

3- Cavaco disse aos portugueses: dei uma oportunidade aos partidos para se entenderem. É dentro do quadro parlamentar que deve ser formado um futuro governo, porque este já não tem a minha, nem a vossa confiança. Se o PS recusar a minha proposta ( e espero que o faça) terei então de intervir, formar um governo da minha iniciativa e obrigar os três partidos a comprometerem-se com ele. Eleições antes de a troika se ir embora, nem pensar. Em 2014 ou em 2015, logo se vê.

Avaliação técnica
Depois de analisar repetidas vezes as imagens deste triplo salto em frente de Cavaco, a minha avaliação técnica é a seguinte:
- A abordagem ao salto não foi preparada com as precauções devidas. Tentar envolver Seguro  numa troika interna, depois de ter expulso o PS do governo, parece-me muito descuidado.Ou demasiado optimista;
- Cavaco conhecia os defeitos da sua abordagem, motivada por um erro técnico cometido em 2011, mas mesmo assim arriscou. Louve-se-lhe o efeito surpresa que provocou na assistência, mas muito em breve os espectadores vão perceber o embuste e vão vaiá-lo novamente;
- Cavaco escolheu mal as sapatilhas: Se queria estabilidade, não podia desfazer-se das que trazia calçadas e experimentar umas novas à última da hora. Ainda por cima, esqueceu-se de apertar os atacadores, ao deixar de fora PCP e BE;
- Cavaco não conhecia bem o piso. Daí que o resultado do seu salto, em vez de transmitir estabilidade, transmitiu incerteza e, em alguns casos, mesmo pânico. Os juizes internacionais fizeram leituras e interpretações tão díspares, que o mínimo que se pode dizer é que ficaram aturdidos com o efeito surpresa. Lá fora, os juízes internacionais olham-nos agora com mais desconfiança;
- Finalmente, ao deixar em aberto a hipótese de um governo de iniciativa presidencial, Cavaco terminou o salto com uma pirueta perigosa. Poderá ser muito aplaudida, mas como não faz parte das regras, a classificação do grande (triplo) salto em frente de Cavaco é forçosamente negativa. 


Descascando a cebola

Tentei decifrar o oráculo, mas não consegui. Talvez depois de uma noite bem dormida tenha mais sucesso. Se não conseguir, de uma coisa estou certo. No próximo domingo o professor Marcelo vai dizer ao país que Cavaco foi claro como água, nós é que somos todos burros!
No entanto... creio já ter percebido as razões que motivaram o discurso mais incendiário de Cavaco, desde o dia da sua tomada de posse.
O PR comportou-se como o puto que foi apanhado com a mão no pote da marmelada e procurou justificar-se, acusando o irmão.
Depois de ter despedido Sócrates e entregado o governo de mão beijada a Passos Coelho, Cavaco percebeu agora que meteu a pata na poça, ao confiar em dois putos.
Vai daí, agora tenta responsabilizar o PS por não viabilizar um governo de amplo consenso  (Nada que não tivesse previsto aqui). Ou seja, depois de se ver livre do PS, quer que o PS o ajude a salvar a face.
Só se Seguro fosse muito estúpido é que lhe apararia o jogo, mas nunca fiando...