quinta-feira, 4 de julho de 2013

Um aviso aos sonhadores

O sonho de Sá Carneiro era ter uma maioria, um governo, um presidente ( de direita).
Eu sei que ele não queria um governo dirigido por um miúdo aventureiro, nem um PR incapaz mas, esteja onde estiver, já terá percebido que nem sempre  é bom que aquilo com que sonhamos se torne realidade.
 Não desanimem, por isso, aqueles que sonham constantemente com o Euromilhões e nunca ganharam um prémio chorudo. Se calhar, é melhor assim...

A vitória de Cavaco:parabéns, senhor presidente!

 Cavaco alcançou uma assinalável vitória. Tantas vezes pediu consenso, que os parceiros sociais acabaram por lhe fazer a vontade. Patrões e sindicatos são unânimes em considerar a actuação do governo desastrosa e Cavaco Silva uma nulidade.
Agora, que conseguiu o seu objectivo, era altura de cumprir a sua parte: demitir o governo e demitir-se a seguir..
Devia fazê-lo daqui a umas horas, depois de receber Pedro Passos Coelho e confirmar que as negociações entre Passos e Portas foram uma fantochada.
Um governo de coligação sem o líder de um dos partidos é um governo a prazo que só beneficiará quem lá fica.
Um governo em que  o líder do mais pequeno partido da coligação se comporta como uma bailarina badalhoca, que sai de casa  num dia e regressa no dia seguinte, depois de receber uns anéis do amante, não perde apenas a credibilidade. Fica à mercê dos caprichos da bailarina, sempre disponível por trocar de amante, desde que haja quem pague mais.
Daqui a poucos meses os portugueses estarão a ser confrontados com mais austeridade, nova crise dentro da coligação e um país mais pobre a caminho de um segundo resgate.
Cavaco sabe muito bem o que vai acontecer nos próximos meses porém,  convocar eleições e dar posse a um novo governo dá um trabalho do caraças e ele, reformado, não está para chatices. Prefere brincar ao faz de conta e fingir que está tudo bem outra vez, porque os namoradinhos fizeram as pazes. Apesar de o país inteiro estar desejoso que este governo caia, Cavaco opta por entrar na brincadeira de garotos entre Pedro e Paulo, esquecendo-se que a sua função é ser árbitro.
Depois ofende-se quando lhe chamam palhaço!

Delegação de poderes

A banca já está farta de mandar em Portugal, por isso, decidiu delegar poderes nos políticos
Fonte bem informada revelou ao CR que na reunião desta tarde, com Pedro Passos Coelho, Cavaco Silva irá sugerir os nomes de Oliveira e Costa e Dias Loureiro para integrarem o governo e assim garantir a estabilidade necessária no país e a credibilidade externa.

A consciência de Portas cabe num monolugar

Portas garantiu que a demissão era irrevogável e um imperativo de consciência. Continuar seria dissimulação ( uma coisa que ele não pode suportar, claro, porque tem imensa dignidade !)
A confirmar-se esta notícia  Portas irá justificar o seu regresso com a mudança de circunstâncias, as cedências de Passos Coelho e, claro, o interesse pessoal nacional.
Enquanto Cavaco e Coelho suspiram de alívio, Portas anda à procura da sua consciência, sem ponta de vergonha. Deve estar escondida  num sítio muito mal cheiroso!
Quanto ao CDS/PP não voltará a ser o partido do táxi, porque para (re)conduzir o líder basta um monolugar.

Violência doméstica

Depois de um casamento celebrado com pompa e circunstância e com direito a reportagens nas revistas de jet set, Álvaro e Isabel começaram a desentender-se há um ano. Ela queixava-se à família que Álvaro a obrigava a práticas sexuais aberrantes. Aos amigos dizia apenas que Álvaro lhe batia com frequência. Um dia Isabel comunicou à família que ia pedir o divórcio. Já apresentara queixa à polícia por violência doméstica, mas na esquadra desvalorizaram a situação, pelo que não teria outra solução senão separar-se. A família tentou demovê-la, alegando que devia defender em primeiro lugar os interesses dos filhos.Alguns amigos tinham a mesma opinião, outros apoiavam-na na decisão de se divorciar. 
Um dia Isabel saiu de casa sem avisar ninguém. A família e alguns amigos criticaram-na e lembraram-lhe que   as maiores vítimas seriam os filhos. Isolada e em silêncio, Isabel sofre, mas suspira de alívio quando pensa que, pelo menos, não voltará a ser vítima da violência do marido. Apesar de se verem privados da mãe, os filhos apoiam a sua decisão.
O caso tem muitas semelhanças com aquilo a que os comentadores vêm chamando de divórcio entre Pedro Passos e Paulo Portas.
Paulo aguentou a violência e a humilhação pública enquanto pôde. Começou por avisar a família (política) mais chegada que a sua paciência se estava a esgotar e um dia pedia o divórcio. A família pediu-lhe que ponderasse e pensasse nos filhos. Cada vez mais isolado, mas com a consciência a pesar-lhe, ao saber que  Pedro o traíra com uma ex- professora, Paulo  tentou abandonar o lar sem dizer nada a ninguém. Vexado.
As famílias de Pedro e Paulo criticam-no severamente e Pedro aproveita para sequestrar Paulo.
É possível que os filhos até venham a ser institucionalizados e a sua custódia seja entregue, provisoriamente, a uma qualquer Santa Casa, mas certamente que a esmagadora maioria não deixará de apoiar a decisão de Paulo, porque  não acredita que  possa viver pior do que já vive. 
Quem defende que Paulo  deveria suportar estoicamente as sevícias que Pedro lhe infligia, é porque tem interesses e sobrevive à custa da união do casal.

Contas à moda do Porto

Carlos Barbosa, presidente do ACP, vai interpôr um processo em tribunal contra  Rui Moreira ( candidato independente à CM do Porto)  por  causa deste episódio
Não voto no Porto mas, de qualquer modo, tenho a impressão que sei ao que Rui Moreira se referia quando  falou de contas à moda do ACP.  Deve ser a esta forma de empreendedorismo proposta por Carlos Barbosa em 2009