segunda-feira, 17 de junho de 2013

Quem ganhou e perdeu com a greve de hoje?


No final do post dou a minha opinião mas,  antes,  peço-vos que me acompanhem num pequeno exercício.
Não pretendo aqui  discutir  de que lado está a razão na greve  dos professores aos exames, pois  colocar a questão nesses termos levará sempre a opiniões apaixonadas. Cinjo-me pois aos factos e os leitores que tirem as suas conclusões.
Em Maio o governo apresenta uma proposta aos sindicatos que viabiliza milhares de despedimentos e alarga o horário de trabalho para 40 horas.
Os sindicatos reagem e, após várias reuniões em que o governo permanece inflexível, decidem marcar greve às avaliações. Marcam também um dia de greve para o dia 17 de Junho, que coincide com exames de Português e Latim do 12º ano.
O governo não cede e pede à Comissão Arbitral que defina os serviços mínimos.  Esta decide que não há razão para estabelecer serviços mínimos e sugere que o governo remarque os exames a essas disciplinas para o dia 20 de Junho, data em que não há provas marcadas.
O governo recusa-se a aceitar a decisão, acusa os professores de fazerem os alunos reféns e insiste que os exames se realizarão no dia 17, como previamente estabelecido. Para o efeito, convoca 115 mil professores, que terão de vigiar 75 mil alunos ( mais de um professor por aluno).
Os sindicatos retribuem a acusação e dizem que é o governo que está a utilizar os alunos como armas de arremesso contra os professores.
Aumenta a instabilidade entre os alunos por não saberem se poderão fazer exame no dia 17.
O governo procura cativar a opinião pública para o seu lado, dizendo que propôs uma nova data para a realização dos exames de Português e Latim, mas os sindicatos recusaram.
Os sindicatos acusam o governo de estar a mentir e pedem a divulgação das gravações das reuniões.
Dia 16, véspera de realização dos exames, o governo recruta comentadores e jornalistas para amplificarem a sua posição.
Chega o dia dos exames.  Algumas escolas recorrem a todos os expedientes para garantirem a sua realização. Pervertem as regras, realizando as provas em cantinas e ginásios.  Cerca de 90 por cento dos professores ( números divulgados pelos sindicatos)  não comparecem. Mais de 22 mil alunos ( cerca de um em cada três) não conseguem fazer exame. Um número  de alunos ainda não determinado fez as provas num ambiente de turbulência, porque muitos dos que não conseguiram fazer exame se revoltaram.
O governo avança com a data de 2 de Julho para a realização de novas provas para os alunos que não puderam fazer exames. Quanto aos que as prestaram em circunstâncias anómalas e ambiente de perturbação, o governo diz que caberá ao  Júri Nacional de Exames decidir se podem ou não repetir o exame no dia 2 de Julho.
Analisados os factos, vejamos as consequências:
Para além de quebrar  outras regras, o governo quebrou a regra da equidade e acrescenta aos exames do 12º ano um novo elemento de avaliação: a sorte. 
Fosse porque tiveram profs para os vigiar, fosse porque o critério escolhido pelas escolas para decidir quem ia a exame os beneficiou, dois em cada três alunos puderam prestar provas  na data agendada pelo governo. Um terço terá de as fazer em julho.  Há uma desigualdade objectiva que ninguém de boa fé pode escamotear.  Os alunos foram joguetes na luta entre governo e sindicatos e isso pode influenciar o seu futuro.
Cada aluno terá reagido à sua maneira mas só por má fé se pode dizer que todos estiveram em condição de igualdade no momento de prestar provas.
Perante isto, dou finalmente a minha opinião :  O governo sofreu uma pesada derrota. Usou todas as aramas ao seu dispôr para que os exames se realizassem, perverteu as regras, desrespeitando o interesse dos alunos, a quem obrigou a fazer exame sob coação e só faltou requisitar os militares para vigiarem os exames.
 Os profs deram uma grande manifestação de unidade e civismo. 
Tudo se podia ter evitado se o governo não persistisse na sua teimosia e não se  marimbasse para os interesses dos alunos. 
Aos profs cabe o direito de fazer greve, seja em que dia for, porque em causa está o seu posto de trabalho.
Cada um terá a sua opinião mas colocar-se ao lado dos alunos, com o argumento de que é o seu futuro que está em jogo, é esquecer que os profs também têm direito ao futuro e esse passa pela defesa do seu emprego. 
Defender os alunos, esquecendo que muitos deles são filhos de professores, correm o risco de ver os pais desempregados e sem possibilidade de lhes custear os estudos ( para além de outras privações)  parece-me  maniqueísmo e desprezo absoluto por quem luta pelo direito ao trabalho.
Atribuir aos profs a culpa pela não realização dos exames é, no mínimo, redutor. Claro que compreendo a posição do governo, mas é sempre bom não esquecer um pequeno pormenor:
A democracia tem regras. Os professores respeitaram-nas, enquanto o governo não só se recusou a aceitar a decisão dos árbitros, como decidiu continuar o jogo com regras por ele elaboradas à última da hora.
Poderão dizer-me que a razão está do lado do governo. Aceito. O que não aceito é que me digam que,depois deste episódio, continuamos a viver em democracia, porque isso é mentira. Só mesmo Cavaco Silva é que acredita que as instituições continuam a funcionar. Mas isso também não espanta… ele vive num mundo virtual, rodeado de bobos da corte que lhe dizem o que ele gosta de ouvir.
Quando foi diagnosticado Alzheimer ao meu avô, os  filhos e netos também se esforçavam por não o contrariar… 

Lições do Borda d'Agua

A comunicação social passou dois dias a anunciar  aos portugueses que uns franceses garantem que este ano não teremos Verão. Qual é a novidade?
Em Setembro de 2012 comprei  o Borda d'Água, e lá estava essa previsão. Além  de prever um Verão muito curto, mas bastante quente e um Outono seco ( eu bem vos disse em Dezembro que o melhor este ano era marcarem férias para Setembro e Outubro...) também  lá se podiam ler previsões sobre as tempestades do último  Inverno e a escassez da produção agrícola. Só que isso não foi notícia, porque a comunicação social tuga está mais vocacionada para traduzir e amplificar notícias vindas de fora, do que em dar destaque ao que é nacional.
Já agora, graças ainda ao Borda d'Água, o CR está em condições de vos adiantar algo sobre a personalidade da filha de Assunção Cristas, que deverá nascer durante o Verão. De acordo com aquela prestigiada publicação, que muitos teimam em não levar a sério...


" Os que nascerem sob o domínio de Marte ( ncr: planeta que domina o ano de 2013) serão inimigos da paz e cheios de ira vivendo sem piedade, mentindo e enganando, pelo que se exige particular atenção a seus educadores, pois são crianças difíceis de educar mas também um desafio para a própria sociedade. A sua fisionomia será de rosto grande e com bastantes sinais, pouco cabelo,olhar espantado,pescoço comprido, nariz grande e largo, dentes largos e afastados, poucas barbas no sexo masculino, pés largos e grandes.( tenho a impressão que o Gaspar nasceu num ano  regido por Marte).
A garota sairá à mãe, ou ao pai?

Judite e Marcelo deram um espectáculo degradante ao validarem a mentira do governo

Miguel Poiares Maduro, fazendo jus a sucessor de Relvas, prestou-se a ser porta voz de mais uma mentira do governo. Segundo afirmou, o governo estaria disposto a alterar a data dos exames, mas os sindicatos não deram garantia de que não fariam greve nessa data.
Os sindicatos desmentem o ministro, garantem que nunca foi proposta uma data alternativa e, em defesa da honra, pedem a revelação da gravação.
Obviamente que o governo não respondeu ao repto e pediu apoio a Marcelo Rebelo de Sousa.  
O professor não se fez rogado e na sua homilia dominical atingiu o grau zero da decência, ao garantir que o governo propôs uma data alternativa, mas os sindicatos recusaram. Para dar um tom de seriedade à sua afirmação, criticou o governo por não ter sabido denunciar o comportamento dos sindicatos.
Judite de Sousa sabia perfeitamente que Marcelo estava a mentir, ( os telejornais não se cansaram de dar a notícia da patranha do governo) mas deixou-o desbobinar a sua teoria conspirativa contra os sindicatos. Terminada a prédica, Judite deu a homilia por terminada. Logo de seguida, vê-se a imagem de Judite de Sousa a rir à gargalhada. Não percebi se a sua felicidade se devia ao facto de se sentir orgulhosa por ter participado neste embuste que terá enganado alguns milhares de portugueses, ou se estava deleitada porque, minutos antes, Marcelo lhe disse que tinha trazido uns chouriços para lhe oferecer.
Depois daquela cena no final da entrevista com Manuela Ferreira Leite, durante a campanha eleitoral para as legislativas de 2009 Judite voltou a denegrir o jornalismo.