terça-feira, 11 de junho de 2013

Fora o árbitro!

E agora como vão descalçar a bota?
Pelo menos, espero que os comentadores que sempre defenderam o direito dos professores à greve e consideraram a sua luta justa, mas criticaram a greve em dia de exames, percebam o que está em causa: não são os professores que têm de ceder ao governo, mas sim o governo a ceder nas  medidas que visam escravizar os professores.
Crato já veio dizer que não se conforma com a decisão do tribunal arbitral e diz que vai recorrer. Para quem,não sei. Será para o taralhoco de Boliqueime?
Entretanto, seguindo a bitola do governo, Crato explicou o recurso, invocando uma série de aldrabices. Não se coibiu, também, de se escudar no facto de as medidas aplicadas aos professores atingirem todos os funcionários públicos. Mas então explique lá sr Crato... se os professores não têm razão na sua luta, por que razão o próprio PM lhes reconheceu esse direito, criticando apenas o facto de a greve ocorrer em dia de exames?
O desnorte no governo é total e, se os funcionários públicos fossem na generalidade gente com coragem, adeririam em massa à greve geral do dia 27. Temo, porém, que isso não aconteça e os fora da lei levem os seus propósitos por diante. Os funcionários públicos acabarão por ser vítimas da sua própria indiferença.


Vales de desconto

Como então escrevi, Dilma Rousseff veio às compras a Portugal. Na lista trazia a compra da TAP, dos CTT, dos Estaleiros de Viana do Castelo, Águas de Portugal e mais umas miudezas.
Foi-se embora sem dar notícia das compras que fez em pouco mais de 24 horas de permanência em Portugal. Ficámos também sem saber se recebeu vales de desconto, como prémio de compras por atacado, ou se o desconto foi debitado em cartão.
Seguro manifestou a sua felicidade pelo facto de os produtos terem ficado em boas mãos ( tal como Otelo dizia das armas, lembram-se?)
Eu também prefiro que as empresas portuguesas fiquem nas mãos de brasileiros, do que na de uns agiotas sem pátria. É mais agradável ver a  TAP gerida por brasileiros do que por um Effromovitch que se assemelha a uma multinacional de nascituros. 
É mais fiável ver as Águas de Portugal nas mãos de brasileiros, do que nas dos chineses.O que não me conformo é que empresas estratégicas que prestam serviços de interesse público, como os CTT ou as Águas de Portugal, sejam esbanjadas por um governo que renegou o seu país. Quem faz isto, não governa. Age como empresa liquidatária de um país.

A mão atrás do arbusto (rewind)

Paulo Portas aprendeu a lição de Sócrates sobre Cavaco Silva ( a mão atrás do arbusto, lembram-se?) e resolveu aproveitar a sugestão. Com o terreno a fugir-lhe debaixo dos pés e prevendo a hipótese de o CDS voltar a ser o partido do táxi, o líder do CDS mandou os seus deputados perguntarem a Vítor Gaspar, aquilo que ele não pode perguntar em público: porque razão não acerta uma previsão?
Portas é useiro e vezeiro em atirar pedras e esconder a mão e, desta vez, sabe que o pode fazer com total impunidade, porque Pedro Passos Coelho não quer tirar as mãos do pote e perdoar-lhe-á todas as traquinices
Portas sabe que esta diatribe não terá consequências na coligação e espera conseguir a simpatia dos eleitores nas próximas eleições ( Afinal ele até discorda da política do governo, mas está a defender os interesses do país- pensarão os eleitores segundo Portas).
Talvez lhe saia o tiro pela culatra. PPC não anda a dormir e, numa primeira oportunidade, mais próxima de uma ida a votos, fará reverter a seu favor as manobras de Portas, armando-se em vítima. A última oportunidade de Portas poder sair por cima será em Outubro. Um desaire da coligação nas autárquicas e a discussão do OE 2014 podem ser um pretexto para bater com a porta. Está a preparar o terreno, mas talvez não tenha percebido que o terreno está armadilhado e quanto mais tempo aguentar a coligação, menos espaço de manobra terá para sair ileso.
Dar tempo a PPC é aceitar as regras do adversário, mas Portas parece ainda não ter visto a evidência...

E a declaração de interesses, Rosalino?

Hélder Rosalino, em entrevista ao DN/TSF garante que Vítor Gaspar é um patriota e um dia o seu trabalho vai ser reconhecido.
Lamento que Hélder Rosalino não tenha feito uma declaração de interesses, para que todos os portugueses ficassem a perceber melhor o que o move, mas um dia vai ficar-se a saber tudo sobre as relações entre Vítor Gaspar e Rosalino. Perceberemos, então, os motivos que levaram o sec. estado da administração pública a elogiar o seu ministro das finanças.
Mais difícil vai ser desvendar as razões que levaram HR a afirmar que a maioria dos trabalhadores que vai ser atirada para o eufemístico processo de requalificação, vai encontrar emprego dentro da função pública.
Sabendo-se que todo o processo de requalificação é uma farsa e não vai melhorar as competências dos funcionários públicos, se a convicção de Rosalino vier a confirmar-se, a única conclusão plausível a tirar é que o governo pretendeu poupar, durante um ano, metade dos salários de dezenas de milhar de funcionários públicos. Se isso vier a acontecer estaremos, então, perante mais uma fraude deste governo que não hesita em roubar os cidadãos para equilibrar as contas.