quinta-feira, 16 de maio de 2013

Uma noite de muitas convergências

Não deixa de ser sintomático que  esta noite Manuela Ferreira Leite, na TVI 24, e Pacheco Pereira, na SICN, tenham sugerido, com muita veemência, que Coelho e Gaspar estão a mentir aos portugueses, justificando as medidas de austeridade com imposições da troika. 
MFL disse mesmo que era tudo uma encenação e não acreditava na possibilidade de a troika exigir a convergência das pensões no espaço de um ano. Pacheco Pereira questionou o facto de não existirem actas nem qualquer outra informação sobre o que se passa nas reuniões de Gaspar e Coelho com os nossos credores, pondo em causa a veracidade daquilo que eles nos impingem!
Também me pareceu estranho que Guilherme Silva manifestasse constantemente a sua concordância com João Galamba, no debate que tiveram antes do tempo de antena de MFL.
Finalmente, Paulo Portas foi claro ao dizer que  é incompatível com a TSU dos pensionistas, mas continuou a ser dúbio quanto aos cortes retroactivos nas pensões.
Fiquei com a sensação que todos falaram para Cavaco e para os conselheiros de estado...


Hoje isto parece o Dia Mundial do Riso!

Imagem: fotosdahora.com.br

A forma como alguns elementos do movimento "Que se lixe a troika" ontem  pontuaram a intervenção de Gaspar  ( seguir o link para ver o video) pode ser criticável, mas teve o mérito de ser original. Não compreendo a reacção destemperada de alguns blogueiros perante a irreverência de uma dezena de jovens. Eu achei piada. Ponto.
Como também me fartei de rir quando soube que o PSD e o CDS chumbaram um projecto que obriga os alunos a ler e estudar a Constituição. O argumento do presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais, Fernando Negrão, é mesmo de ir às lagrimas. Na opinião daquela criatura "os alunos não devem ter qualquer contacto com a Constituição"Aguardo, por isso, que nos próximos dias o governo decrete a colocação da CRP no Index, ao lado de outros livros de igual perigosidade para os jovens! Não sei se para a maioria que nos governa a CRP é um livro pornográfico, ou  provoca doenças contagiosas. Sei é que a escumalha de deputados que votou contra este projecto devia ser demitida,expulsa da AR e julgada em tribunal por tratar desta maneira a nossa Lei Fundamental, que jurou cumprir!
Ainda sou do tempo em que  havia uma disciplina de "Organização Política e Administrativa da Nação". Aquilo era uma seca ( porque apenas apelava ao encornanço e não à reflexão e ao desenvolvimento da capacidade crítica) mas permitia-nos perceber minimamente a Lei Fundamental que regia o Estado Novo.
As declarações de Fernando Negrão e o comportamento dos deputados do PSD e CDS revelam uma indigência mental que ou inspira dó, ou riso. Estou mais virado para o riso, porque esta escumalha já nem é digna de dó!

Cavaco evoca Thomaz em Melgaço



Por estes dias tenho-me lembrado muitas vezes de Américo Thomaz , o  presidente fantoche cujos discursos provocavam invariavelmente uma risota nacional. 
Desde o 25 de Abril – pese embora as chalaças do candidato a PR Pinheiro de Azevedo- nunca mais voltei a rir-me com patacoadas de um PR. Até que apareceu um senhor de Boliqueime a ocupar o palácio de Belém.
Tal como Thomaz, Cavaco resume a sua função  presidencial a cortar fitas e a algumas tiradas hilariantes. Esta semana tem sido um fartote. Começou na segunda-feira com a invocação de Nossa Senhora de Fátima, que iluminou a troika e garantiu a aprovação do sétimo exame regular e prosseguiu ontem, na Adega Cooperativa de Monção, numa súplica a S. Jorge, para que nos ajude a vencer a crise, com a mesma determinação e empenho  que o santo aplica na animada peleja que todos os anos trava  em Monção com o Dragão da Coca.
Entre estas duas invocações celestiais, Cavaco desceu à terra em Melgaço e discursou. Entre outras ninharias,  afirmou que Portugal  precisa de boas notícias. Ainda pensei que fosse anunciar, ali mesmo,  que  em defesa da dignidade do cargo se ia demitir… mas a única boa notícia  que ouvi  da sua boca , ocorreu no momento em que  se referiu aos cidadões. 
Ainda pensei que fosse “gaffe”, mas ao ouvi-lo repetir a asneira, percebi que para Cavaco os portugueses não são cidadãos, mas sim cidadões.  Parece-me bem… rima com molengões!
Não estou certo se Cavaco não pretenderá mesmo ser um remake de Thomaz ( ainda não comprou o boné)e por isso fez questão de o evocar em Melgaço. Tenho é a certeza que naquele tempo ninguém se podia rir publicamente dos discursos do almirante. Nos dias de hoje  as “boutades” do PR  (ainda) podem ser reproduzidas e provocar chacota  dos tugas nas redes sociais. Ao menos isso…