terça-feira, 14 de maio de 2013

E as mamas? E as mamas?



Cavaco diz que a D.Maria lhe confidenciou que a avaliação da troika foi inspiração da Nossa Senhora de Fátima.
Se ela diz eu acredito, mas peço a todos que se riram ( ou desprezaram, chamando-lhe incivilizado, bárbaro e mentecapto) do Nicolas Maduro quando ele afirmou que o Papa Francisco foi escolhido por influência do Hugo Chavez, que se arrependam neste momento e rezem três Ave Marias de penitência.
Já agora, pode a D. Maria fazer o obséquio de me informar se confirma que foi Deus quem deu as mamas a esta gaja?

Zandinga e o Grande Salto em Frente




Em 1958, Mao Tse Tung  lançou a campanha “Grande Salto em Frente”. Em linhas gerais, o plano  consistia em acelerar a colectivização da agricultura e promover a industrialização urbana, de modo a  que a China atingisse rapidamente um nível de desenvolvimento equiparado ao dos Estados Unidos. É sabido o fracasso deste Grande Salto, que se saldou numa verdadeira catástrofe social, em virtude de  os objectivos  traçados serem impossíveis de alcançar. 
Meio século depois, em Portugal, Cavaco Silva quer reeditar Mao e convoca um Conselho de Estado para analisar o “Pós-troika”. Ou, seguindo o texto da convocatória:" Perspetivas da economia portiguesa no pós troika (...) blá, blá blá!
Nem sequer discuto se a ordem de trabalhos do Conselho de Estado se imiscui na acção governativa. É normal que, num governo de iniciativa presidencial, o PR queira mandar os seus palpites aos ministros e tente obter o aval dos seus conselheiros.
Não me parece é muito curial que um PR convoque um Conselho de Estado para discutir o período pós troika ( Verão de 2014 se não houver um segundo resgate) quando até lá muitas coisas relevantes poderão acontecer, inclusive a queda deste governo.
Até parece que Cavaco se transfigurou em Zandinga e decidiu convocar o conselho de bruxos para se aconselhar em relação ao futuro revelado pela sua bola de cristal
Ninguém duvidará que  se não houver uma grande mudança  da política europeia nos próximos 14 meses,  a própria Europa e a moeda que sustenta a fictícia União estarão em causa.  Estar a falar do pós troika sem saber o resultado das eleições na Alemanha,  ou esquecer  que a situação da Holanda ( o primeiro dos países calvinistas em risco de colapsar, em virtude de uma grave crise provocada pela bolha imobiliária que elevou a dívida privada para 250%!- afinal, os calvinistas também vivem acima das suas possibilidades…) pode alastrar a outros países do Norte da Europa, é fazer futurologia.
Presumo que, não sendo Cavaco astrólogo nem vidente, o objectivo desta convocatória seja, tentar garantir que o “seu” governo  se manterá até 2015. Só que esse desejo do PR depende muito mais de Paulo Portas do que  da sua vontade, ou das opiniões dos seus conselheiros.  
Cavaco Silva é um homem mesquinho e de vistas curtas. Interessam-lhe os seus poderes pessoais gerados em jogos de influências e, em termos políticos, não consegue enxergar além de Badajoz. 
Alguns conselheiros irão certamente explicar-lhe a situação europeia e mundial, que a discussão do tema pós troika, além de futurologia, é competência dos partidos e do governo e não do PR  e pedir-lhe-ão “ mostre lá a sua agenda escondida, sr Presidente!”
Percebendo que foi apanhado, mas sem se descoser, Cavaco chama a consorte  e diz:
- Mostra lá esses vestidos  a estes senhores, Maria,  para eles votarem em qual deves levar no 10 de Junho!
Cumprida a  missão os conselheiros retiram-se e, por volta das 20.30 horas, amesendarão em animados repastos, discutindo sobre a agenda escondida de Cavaco.
Eu explico. A agenda de Cavaco é exercer, novamente, influência no próximo acto eleitoral. Seja em 2014, ou em 2015, Cavaco irá fazer intervenções  mais ou menos cifradas,defendendo a continuidade de um governo do PSD, para garantir a estabilidade do país. Este Conselho de Estado é só para preparar o terreno do "Não digam que eu não avisei!", respaldado numa convocatória com uma agenda de trabalhos propícia aos seus intentos futuros.

Portas acumula MNE com pasta que era de Relvas

Ainda me sinto um pouco atordoado com tudo o que li, vi e ouvi nas últimas horas mas coemço a arrumar as ideias e a perceber que o substituto de Relvas não é Poiares Maduro, mas sim Paulo Portas. 
É ele que está a traçar a estratégia de comunicação do governo, recuperando a táctica que usava no "Independente", mas  em proveito próprio.
Toda esta trapalhada em volta das pensões teve um único objectivo: baralhar a informação, para que as pessoas não percebessem o essencial. O  líder do CDS manifestou-se publicamente contra a  TSU dos reformados, para que a comunicação social empolasse o eventual recuo e não falasse sobre a medida que relamente interessava ao governo: cortar retroactivamente 10% nas reformas dos 500 mil funcionários públicos. 
Esta medida  não desagrada a Portas- o seu ódio ao funcionalismo público é conhecido- e ainda traz acoplado o benefício de ser mais rentável do que uma taxa impopular sobre 3 milhões e meio de pensionistas.
Concluindo: Depois da confusão, tudo acabou em bem. Paulo Portas pode continuara visitar os lares de velhinhos e, por uma vez, Pedro Passos Coelho disse a verdade. Não há qualquer divergência no governo