quarta-feira, 8 de maio de 2013

Alles Scheisse!

Beate Zschäpe- a cabra

Fim de tarde esplendoroso nesta praia maravilhosa onde os vorazes apetites da indústria do turismo ainda não puseram a pata. O sol esconde-se entre as nuvens do horizonte, talvez envergonhado por contemplar tanta beleza. Estou mergulhado na leitura dos contos de Gabriel Garcia Marquez, quando a expressão  "Alles Scheisse" ecoa nos meus ouvidos. 
Não estou habituado a estes desabafos da minha amiga Petra, por isso suspendo a leitura e pergunto-lhe o que se passa.
Sem tirar os olhos do ipad ( só os alemães podem pagar 12 € por hora para aceder à Internet) a Petra  explica em alemão e eu traduzo para os leitores do CR:
- Esta cabra agora fecha a boca!
A cabra chama-se Beate Zschäpe e está com o cu alapado no banco dos réus, porque matou pelo menos uma dezena de imigrantes. É uma neonazi nascida em Jena, Alemanha Oriental, país de acolhimento de Ângela Merkel, colaboracionista do regime totalitário da RDA, agora empossada democraticamente como chanceler de todos os alemães.
Beate Zschäpe é a única sobrevivente do NSU, um grupo nacionalista neonazi que se dedicava a matar imigrantes à queima roupa e vivia à custa de assaltos a bancos ( coisa normal na Alemanha, onde Ângela Merkel e o seu paraplégico proto afilhado Schaueble são especialistas ).
Ainda mal refeita da notícia que acabara de ler no Tagesspiegel, Petra  escalarece-me que a extrema direita alemã foi responsável pela morte de 152 imigrantes nos últimos 20 anos, mas que a polícia alemã está especializada em acusar as vítimas e não os assassinos, pelo que os crimes têm sido sempre atribuídos a rivalidades entre mafiosos que dominam a imigração clandestina.
Peço à Petra cinco minutos do seu tempo na Internet para escrever um post. Sinto-me uma espécie de chulo do imperialismo alemão, mas pelo menos desabafo no teclado  a minha ira:
Salvé sr Schaueble! O senhor é o protótipo do ódio alemão, construído  nas mais belas escolas da Stassi, onde se licenciou a senhora Merkel. Parabéns por ter levado para Portugal um dos seus mais belos exmplares, de nome Vítor Schaueble Gaspar, um Miguel de Vasconcelos do século XXI, sempre pronto a trair o seu povo para agradar ao chefe, na expectativa de ser escolhido para cônsul da Ibéria. 
Felizmente, esta praia já não é tuga, caso contrário estaria cheia de reformados calvinistas bêbados.

O director-geral ( sem Visão)


Tarde de uma sexta-feira ainda a cheirar a Verão. Passa pouco das 17 horas quando o director geral se despede da secretária, desejando-lhe bom fim de semana. Pede-lhe que fique no gabinete até às 20 horas, “porque pode vir alguma chamada do gabinete” e nesse caso ela terá de lha passar.
Desce as escadas do edifício. À porta já está o motorista que o irá levar a casa, nos arredores de Cascais. Enquanto o DG se desloca, a secretária fica a arrumar papéis e a dar umas voltas na Internet.
Cerca das 19 horas toca o telefone. É o DG.
“ Esqueci-me da Visão em cima da secretária! Quando o motorista chegar aí, peça para ele vir cá trazer-ma a casa.”
Estupefacta com o pedido, a secretária  fica sem resposta
“ Está a ouvir-me? A chamada está má?”
Refeita da surpresa, a secretária  responde:
“Estou a ouvir perfeitamente, mas estava a pensar se não ficaria mais barato o senhor doutor comprar aí uma e depois pedir o dinheiro na segunda-feira…”
Silêncio.
Depois, com a voz irritada, responde:
“Isso é uma maçada! A tabacaria aqui já está fechada e tenho de ir a Cascais”.
“ O sr doutor desculpe, mas não pode pedir ao seu filho, ou à sua esposa que lha levem? A sua esposa telefonou para aqui há cinco minutos a perguntar pelo senhor doutor, ainda está a trabalhar, por isso lembrei-me...”
“  Boa ideia, não me tinha lembrado dessa hipótese. Vou telefonar-lhe a ver se ainda a apnho…  Então bom fim de semana e até segunda-feira”.
( Parece ficção, mas não é…esta cena ocorreu mesmo! Na segunda-feira, porém, o DG não pediu o reembolso do preço pago pela Visão. Do mal o menos…)