terça-feira, 7 de maio de 2013

Qual povo, pá?


Perguntavam-me há dias na caixa de comentários, em tom crítico:
Então e o povo pá?
Antes de sair de Lisboa quis deixar a resposta, mas reparei que me faltavam alguns esclarecimentos para poder responder.
Optei por isso por colocar algumas questões durante a minha ausência, na expectativa de os   esclarecimentos que me vierem a ser facultados me permitirem responder cabalmente, após o meu regresso:
Então, começo por pergunatar:
Qual povo, pá?
O que votou em Cavaco, sabendo que ele tinha entre o seu círculo de amigos um grupo de criminosos, responsáveis por parte da crise em que o país mergulhou?
O que vota sempre no mesmo partido, como se fosse um clube de futebol?
O que recebe o RSI mas depois vota no CDS, ignorando que foi esse partido que mais tentou impedir que lhe fosse concedido esse direito?
O que diz que precisamos de dez Salazares para salvar o país?
O que afirma convictamente que vivíamos melhor no tempo do Salazar?
O que em dia de eleições prefere ficar na praia a ver o por do sol, em vez de votar?
O que se marimba para os referendos?
O que culpa os políticos por todos os males do país, mas não participa na vida cívica?
O que prefere ficar em casa a ver as manifs pela televisão a sair à rua?
O que acha a política uma chatice?
O que diz a culpa de tudo isto foi do Sócrates?
O que prefere manter-se desinformado, lamentar-se da vida e penitenciar-se dizendo que a culpa é dos corruptos, mas depois não pede a fatura ao eletricista, para não ter de pagar IVA?
O que prefere os saldos do Pingo Doce à manif do 1º de Maio?
O que acusa de malandros os que recebem o subsídio de desemprego?
O que pensa que os problemas do país se resolviam despedindo milhares de funcionários públicos que andam a coçar o cu pelas esquinas, mas corre para as urgências dos hospitais públicos assim que dá um espirro e se lamenta de esperar duas horas para ser atendido?
O que acusa a polícia de nunca estar onde é preciso e depois diz que há polícias a mais?
O ue ameaça um funcionário das finanças ( ou passa mesmo à agressão) porque está revoltado com o montante do imposto que lhe foi cobrado?
Bem, pá, parece que esse povo está porreiro. Continua a lamentar a situação do país, mas pensa que não há solução enquanto os velhos não morrerem e os funcionários públicos continuarem a ter uma carrada de privilégios - que não sabe exactamente quais são mas de que já ouviu falar.  
Por tudo isso, baixa os braços e fica à espera que a crise passe. E se no dia das eleições não tiver mais nada que fazer, lá vai votar nas cores do partido de que é adepto.