domingo, 5 de maio de 2013

Arranja-me um emprego...

E se para ter emprego fosse obrigado a mudar de nome?

Dia da Mãe

Tentei falar-te mas não me ouviste.Não sabias que dia era hoje e, quando a milhares de quilómetros  te recordei a data, perguntaste-me se estávamos em dezembro e eu ia passar o Natal a casa. Respondi-te que sim. Disseste-me para me agasalhar porque aí no Porto chovia e estava muito frio. Antes de te despedires pediste-me para rezar e nas minha orações pedisse a Deus para te levar antes do Natal. 
Desliguei com um brilhozinho nos olhos.
Ao fim de 10 dias não resisti e paguei uma fortuna por uma hora de Internet. Para ler os comentários e desejar às minha leitoras um feliz Dia da Mãe.
Em breve estarei de regressso

Le premier bonheur du jour



Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,
Espécie de acessório ou sobressalente próprio,
Arredores irregulares da minha emoção sincera,
Sou eu aqui em mim, sou eu.

Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.

E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconsequente,
Como de um sonho formado sobre realidades mistas,
De me ter deixado, a mim, num banco de carro eléctrico,
Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima.

E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua,
Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda,
De haver melhor em mim do que eu.

Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa,
Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores,
De haver falhado tudo como tropeçar no capacho,
De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas,
De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida.

Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica,
Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar,
De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo —
A impressão de pão com manteiga e brinquedos
De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina,
De uma boa vontade para com a vida encostada de testa à janela,
Num ver chover com som lá fora
E não as lágrimas mortas de custar a engolir.

Baste, sim baste! Sou eu mesmo, o trocado,
O emissário sem carta nem credenciais,
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro,
A quem tinem as campainhas da cabeça
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima.

Sou eu mesmo, a charada sincopada
Que ninguém da roda decifra nos serões de província.

Sou eu mesmo, que remédio! ...
(Álvaro de Campos)