quinta-feira, 28 de março de 2013

É sempre bom recordar.

Depois da entrevista  de Sócrates e da chantagem do Coelho sobre o TC,vale a pena ver este video de 5 minutos. Só para aqueles que ainda tenham dúvidas, perceberem quem é o aldrabão e verem a reacção e Merkel ao chumbo do PEC IV.

Danos colaterais de uma entrevista: do congelador ao calorífero



No dia em que Cavaco recomendou que a política fosse metida no congelador "a bem da nação", Sócrates derreteu as audiências, com mais de 1,6 milhões de espectadores ( audiência média, que atingiu o pico com mais de 1,9 milhões sintonizados na RTP 1) . E fez o quê? Falou de futebol, como desejaria Cavaco? Não... falou precisamente de política!Mais: depois de uma entrevista com duração superior a 90 minutos, Sócrates continuou a ser tema central nas televisões do cabo até cerca da uma da manhã. 
Por outras palavras: o país mostrou a Cavaco que se interessa por política e se está marimbando para as suas recomendações. 
Assim que terminou a entrevista,começaram a sentir-se os efeitos colaterais, que serão muito mais duradouros do que o ataque impiedoso a Cavaco.
Os primeiros afectados pelo terramoto socrático a reagir foram os comentadores  dos canais do cabo ( 8 na RTP em dois painéis), 4 na SIC  e 4 na TVI. Salvo uma ou outra excepção, espalharam-se ao comprido.
Com efeito, uma das críticas mais recorrentes feitas a Sócrates foi ter perdido tempo a falar sobre o passado, em vez de se preocupar com o presente e o futuro. Essa crítica é pouco honesta, pois qualquer pessoa minimamente atenta sabia que a entrevista ia assentar na defesa de Sócrates, que nos dois últimos anos serviu de saco de boxe para comentadores e jornalistas pseudo-independentes.  Durante os seus comentários semanais, Sócrates irá ter tempo para analisar o presente. Ontem não era tempo para isso, mas sim para Sócrates se defender das acusações que lhe foram feitas, sem que ninguém saísse a terreiro em sua defesa. Toda a gente o sabia, incluindo os comentadores que o criticaram mas, apanhados de surpresa com a acutilância do entrevistado, apressaram-se a desvalorizar a entrevista.
Acompanhei as reacções dos comentadores nos três canais fazendo zapping e, no final, ouvi separadamente os diferentes painéis (mas não na totalidade). José Gomes Ferreira e Ricardo Costa foram os que ficaram pior na fotografia. Sendo jornalistas e proclamando sempre a sua independência e equidistância partidária, ontem demonstraram a sua afinidade clubística recorrendo à deturpação de factos, manipulando números e mentindo deliberadamente. Chegaram a pôr na boca de Sócrates coisas que ele não disse, como foi o caso do almoço com Teixeira dos Santos no dia em que Sócrates anunciou o pedido de resgate.
É significativo que os “independentes, isentos e apartidários” tenham dado prova inequívoca do lado da barricada em que se colocam.
Só nos próximos dias- quando vierem à liça  Marques Mendes, Santana Lopes e Marcelo Rebelo de Sousa - será possível inferir até que ponto a entrevista de Sócrates provocou mossa nos comentadores fast-food, também conhecidos como comentadores residentes ao serviço do governo.
É  possível adiantar desde já que apoiados pelos jornalistas comentadores, continuarão a pôr em causa a contratação de Sócrates pela RTP. A explicação é simples:  o ex-primeiro ministro vai obrigá-los a mudar de discurso, porque não podem continuar  a fingir que criticam algumas medidas do governo e depois justificá-las com “ os tempos difíceis que vivemos e as imposições da troika”. O embuste vai continuar, mas a sua credibilidade não terá longa vida, porque enquanto Sócrates comenta apoiado em números e factos, os restantes fazem conversa de café, lançam os foguetes e vão apanhar as canas. 
A partir de agora, comentador que pretenda ser respeitado, terá de estudar, fazer o trabalho de casa e apresentar resultados. O comentário político só sairá enriquecido.
Como já referi, Coelho e Seguro saíram muito chamuscados. E se Coelho goza de boa imprensa que serve de almofada aos seus dislates, o mesmo não acontece com Seguro que agora só tem duas hipóteses: ou acompanha o tom de Sócrates ou é deglutido em muito pouco tempo. Dentro e fora do partido, sublinhe-se!
Quanto a Coelho, terá percebido que se acabou o tempo da papa doce. Não vai conseguir fugir ao eco dos comentários de Sócrates e vai ter de enfrentar um Seguro mais acutilante. Se cair na tentação de responder aos dois, vai ter dias muito difíceis pela frente. Tem de resistir a colar os comentários de Sócrates às críticas de Seguro e não pode cair na tentação de ripostar aos comentários de Sócrates, pois será trucidado.
Quanto a Cavaco, Sócrates arrasou a pouca credibilidade que o PR ainda tinha,junto dos que enaltecem  a sua influência de bastidores, na procura de consensos.
Será muito difícil a Cavaco conseguir entendimentos entre “o seu governo” e a oposição, depois da entrevista de Sócrates. O ex primeiro ministro não só arrasou Cavaco, reavivando o  pior do seu carácter ( intriguista, desleal, impostor) como condicionou a acção de Seguro  e reduziu o espaço de manobra a Coelho.
Outros efeitos colaterais resultarão do regresso de Sócrates aos palcos mediáticos, mas hoje fico-me por aqui:  Sócrates afirmou que não voltará à política activa, mas vai ser ele a condicioná-la nos próximos tempos. Quer ao nível da acção, quer nos bastidores, tão caros aos comentadores do regime, sejam eles políticos ou jornalistas “independentes”
Até porque a partir da agora, ele não vai falar mais do passado, mas sim do presente e...do futuro.

KO ao primeiro assalto

Sócrates ressuscitou e voltou a animar o debate político, com a sageza, acutilância e experiência que se lhe conhecem. Mobilizou  mais de uma dezena de comentadores nos três canais que debateram a sua entrevista e deixou muita matéria para outros comentadores ao longo da semana.
Se pela manhã o cadáver de Belém tinha ameaçado ressuscitar, lançando farpas a Sócrates, à oposição e até ao CDS, à noite o animal feroz desferiu-lhe o mais violento ataque que alguma vez alguém teve coragem de lançar contra o PR. Retribuiu-lhe, em dobro, os epítetos com que tinha sido mimoseado e desmascarou a farsa do PR impoluto e imparcial. Que comentador, neste país de gente mole sempre preocupada com o politicamente correcto, teria coragem de chamar a Cavaco trapaceiro e desleal?
Cavaco ficou KO ao primeiro assalto e dificilmente se conseguirá voltar a levantar, pois percebeu que assim que abrir a boca Sócrates voltará a golpeá-lo sem piedade. O PR já estava sobremaneira fragilizado perante a opinião pública, mas Sócrates reabriu-lhe de forma quase cruel as feridas que Cavaco pensava estarem curadas, ao reavivar episódios da mais pura sacanice com origem em Belém. Cavaco bem pode preparar o funeral. Estava moribundo, agora está definitivamente morto.
Apesar de ter sido muito mais brando com Passos e Seguro ( ao líder do PS até estendeu uma mão caridosa) deixou ambos muito mal tratados.
Não precisou de acusar o governo de nada. Limitou-se a apresentar factos e números ( embora alguns pouco consistentes) que desmentem os argumentos do governo em relação  às políticas de austeridade impostas pela troika.
Quanto a Seguro, estendeu-lhe a mão e apenas disse:
" Vês como se faz oposição, Tozé? Estás a perceber o que é a política, ou precisas de um desenho?"
No fim da entrevista, Passos e Seguro ficaram gravemente feridos. Veremos quem melhor interpretou a entrevista e conseguirá recolher os ensinamentos para se safar.
Uma coisa é certa: Sócrates  ressuscitou em muita gente o interesse pelo debate político e vai obrigar alguns comentadores a mudar o tom morno e bocejante do comentário político em Portugal.  As noites de domingo vão passar a ser muito mais animadas eMarcelo vai ter concorrência forte. No entanto, para Sócrates recuperar alguma credibilidade, precisa de ter a humildade de reconhecer os seus erros, o que ontem se recusou a fazer.  Culpar Cavaco da crise, parece-me evidente, mas não assumir os seus erros governativos, retira-lhe credibilidade.

Nota final: os entrevistadores cumpriram o seu papel: foram agressivos e contundentes. No entanto, a partir de determinada altura começaram a atropelar-se um ao outro e não deixavam Sócrates responder às perguntas que disparavam alternadamente. Uma visível falta de coordenação  entre dois jornalistas experientes, mas habituados a trabalhar a solo, que se esqueceram de fazer a necessária preparação de trabalho em equipa.
Os painéis de comentadores escolhidos pela SIC, TVI 24 e RTP Informação ( dois painéis) para comentar a entrevista foram muito pobres. Foi lamentável ver Gomes Ferreira a fazer figura de palhaço faz-tudo e Ricardo Costa exalar tanto ódio, que o levou a mentir várias vezes. O que se lhes pedia era comentários, mas infelizmente os rapazes da SIC/Expresso não são muito dotados nessa matéria.


Duas ressurreições, um funeral e dois feridos em estado grave

O dia que hoje começou com o cadáver de Belém a lançar umas farpas a Sócrates, continuou com o PM a ameaçar o Tribunal Constitucional e terminou com o regresso do animal feroz  aos ecrãs, tem como balanço final duas ressurreições, um funeral e dois feridos em estado grave.
Mais logo explico porquê.