segunda-feira, 25 de março de 2013

Viagem ao futuro

Este fim de semana ficámos a saber que a saída de Portugal do Euro é apenas uma questão de tempo. Talvez se resolva até ao final do ano. De qualquer modo, além dos problemas provocados pelo abandono da moeda única, vamos ter de enfrentar outro problema quiçá ainda mais grave. O presidente do Eurogrupo foi muito claro, não vale a pena o Gaspar vir dizer que essa não é uma hipótese que se coloque em Portugal. 
Só que por cá, não vão ser apenas os depósitos acima de 100 mil euros a ser saqueados... a ladroagem por cá vai começar em montantes muito mais baixos.
A senhora Merkel- agora arranjou mais um capanga holandês- é pior que o Tio Patinhas, o Bafo de Onça e os Irmãos Metralha juntos.Enriquece a Alemanha roubando os pequenos aforradores. Quem acredita que isto ainda pode acabar bem, deve estar a fazer como a avestruz.

O traque de Deus

Miguel Veiga, um dos fundadores do PSD, dá esta semana uma entrevista à revista do Expresso que merece leitura atenta e profunda reflexão, principalmente por parte do votantes no PSD que ainda acreditam que aquele partido é social democrata.
A determinada altura, Miguel Veiga  explica quem fez Pedro Passos Coelho primeiro-ministro:
"Uns tipos do piorio. Um é Miguel Relvas, o outro é Marco António"
A entrevista é esclarecedora e imperdível.Apenas não explica como chegou aos mais altos cargos do partido gente como esta.
Eu explico: foi um traque de Deus! Depois de comer umas tripas à moda do Porto,até Deus pode ter um descuido e colocar no mundo uma mulher como Teresa Leal Coelho, mas só  um problema de gases justifica o elenco governativo que temos. 

Ou, como diria o Relvas, “ambas as três” *



Quando acabei de ler o estudo da MERCER  sobre  a “Análise comparativa das remunerações no sector público e no sector privado”, fiquei a pensar se os tipos que o fizeram são atrasados mentais, apenas incompetentes, ou receberam ordens da empresa para fazer um estudo jeitoso que agradasse ao governo, pois é ele quem paga e convém agradar ao patrão.
Sem resposta ( quem sabe se “ambas as três” não estarão correctas)  e indeciso por onde devia começar a análise das incorrecções, omissões e perversões que produziram aquele dislate, sou salvo por um amigo que teve a amabilidade de me enviar a análise ao documento  feita pelo Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (SQTE).
Assim, limito-me a respigar alguns dos erros mais  gritantes enunciados pelo SQTE.
1- As remunerações de base e o ganho médio mensal dos trabalhadores do setor público estão sobreavaliados (…) porque não contemplam os cortes salariais verificados a partir de 2011
2- Uma comparação credível e rigorosa terá que efetuar uma comparação em termos mensais e anuais ( Nota minha: o sector privado recebe 14  remunerações e o público apenas 13- ano passado apenas 12)
3- Para o setor público, o estudo incluiu as remunerações variáveis mas, para o privado, apenas contabilizou as remunerações fixas, negligenciando o facto de, em muitos casos, as remunerações variáveis no privado serem superiores às  fixas. (Como é que se podem comparar salários com bases diferentes? Alguém me explica?)
4- O estudo diz que, no setor público, a antiguidade é determinante. Mentira! As progressões no público dependem da avaliação de desempenho e estão congeladas há anos!
5- O estudo “esquece” que no público há uma tabela  única de remunerações, enquanto no privado há vários setores com remunerações bem diferenciadas
6- Finalmente, para abreviar, mas clarificar melhor a estupidez, incompetência ou má fé ( ou ambas as três, não é verdade ó Relvas?) os estudiosos compararam funções que só existem no Estado com funções que pura e simplesmente não existem no privado ( Ex: militares, diplomatas, bombeiros…) Refere o SQTE que a MERCER  se baseou na comparação destas funções com funções de idêntico valor no setor privado. Como é que a MERCER fez essa comparação é que seria giro perceber!
É no entanto, com base neste estudo,  baseado em premissas falsas, que o governo se propõe tomar decisões em termos de matéria salarial na AP! Alguém pode levar esta gente a sério?

ADITAMENTO:  Os inúmeros jornalistas que se debruçaram sobre o documento não viram estas incongruências e vomitaram peças propagandísticas sem qualquer rigor. Como vem sendo apanágio do jornalismo hoje em dia, metem-lhes uma folha de papel à frente, telefonam para um assessor ou especialista dos gabinetes e fogo à peça! Sejam decentes, senhores jornalistas! Façam o vosso trabalho com rigor e sem se preocuparem em amplificar os desejos do governo. A Pátria agradece-vos
* Escrevia o Expresso da semana passada que a expressão foi usada por Relvas numa audição parlamentar. Ou seria para lamentar?