quinta-feira, 21 de março de 2013

A censura explicada aos ingénuos, ou como o PCP demonstrou que o seu principal inimigo é o PS

Quando Seguro convocou a Comissão Política para esta noite com o objectivo ( segundo a comunicação social)  de discutir a possibilidade de apresentação de uma moção de censura, como reagiu o PCP? 
Na impossibilidade de apresentar outra moção de censura durante esta legislatura, seria expectável e lógico que o PCP apoiasse a ideia. Porém, nada há pior para o PCP do que apoiar alguma iniciativa do PS. A sua especialidade é derrubar governos do PS. Vai daí, recorreu a uma manobra regimental invocou uma interpelação e apresentou uma "resolução" em que censurava o governo. 
O PCP sabia perfeitamente que a sua iniciativa era inútil. No entanto, o seu objectivo não era censurar o governo, mas sim o PS , por não obedecer às suas ordens. Nesse aspecto conseguiu uma vitória porque fragilizou uma moção de censura do PS
Percebe-se o ar feliz dos deputados da maioria esta tarde na AR. Enquanto o PCP tecia ferozes críticas ao PS, o governo passava incólume à putativa resolução que visava censurar o governo.
Enquanto a esquerda dava um triste espectáculo, acusando-se mutuamente, eles assistiam ao espectáculo. Divertidos, obviamente!
Bem pode o PCP vir reclamar "Demissão Já". A maioria dos portugueses quer essa demissão, mas quer alternativas e o que hoje ficou demonstrado, foi que não havendo entendimentos à esquerda será difícil haver alternativas.
Resumindo, o que hoje se passou, foi um grande favor prestado pelo PCP ao governo. Exactamente dois anos depois de se ter aliado ao PSD e ao CDS para derrubar o governo do PS.
Foi, portanto, mais uma vitória do PCP esta resolução de censura ao governo, que tinha como único objectivo censurar o PS.

Monopoly Games (4)

Ao aprovar o confisco dos depósitos dos cipriotas, a Europa fez uma jogada precipitada no tabuleiro do Monopólio. 
A decisão foi tomada de madrugada e fez-me lembrar aquele experiente jogador de Monopólio que, preparado para bater a concorrência, reage com irritação às exigências de um parceiro perto da bancarrota, a quem pretende comprar um terreno para construir prédios. Indisponível para aceitar a proposta e ciente do seu poder económico, acaba por recusar as exigências, pensando que na volta seguinte comprará ainda por melhor preço. Juízo no mínimo negligente, pois não pensou que outro jogador pode por lá passar antes dele e comprar o terreno, só para o impedir de construir naquele bairro.
Ao falhar esta jogada, a UE arrisca-se a perder o jogo.
Esqueceu-se que a Rússia também está em jogo e é bem capaz de  comprar por bom dinheiro a dívida cipriota, em troca da exploração do gás.
 Pela terceira vez, no espaço de um século, a Alemanha prepara-se há anos para destruir a Europa. Sem recorrer ao esforço bélico, mas impondo as regras económicas e financeiras neste tabuleiro de Monopólio.
Ora a entrega do gás natural à Rússia não é uma boa notícia para os alemães. E muito menos o será se, por via dessa aproximação do Chipre à Rússia, se começar a inverter o jogo de poderes que permitiu à Alemanha- após a unificação- sonhar novamente com o poder hegemónico na Europa.
Fui dos que sempre defendi que a Europa iria pagar um preço demasiado elevado pela unificação da Alemanha. O maior erro de quem pretende proteger-se de um inimigo, é fornecer-lhe armas. Foi isso que a Europa, ingenuamente, fez.
Ao negligenciar as exigências de Chipre, a Europa esqueceu-se que estava a dar trunfos à Rússia. ( Ou então não acreditou que os cipriotas, esmagados pela crise, voltassem a ver na Rússia a sua tábua de salvação- nesse caso trata-se de erro grosseiro, talvez provocado pelo sono que a decisão tomada alta madrugada indicia).
É cedo ainda para saber como se irão desenrolar as próximas jogadas, mas o jogo que parecia claramente ganho pela Alemanha pode alterar-se profundamente e permitir um reequilíbrio de forças. Com todas as consequências que daí advirão. Por agora, os alemães devem estar a pensar que negligenciar os recursos naturais foi uma má decisão. Principalmente quando, no tabuleiro destes Monopoly Games ainda se movimenta uma China que já comprou recursos naturais estratégicos em todos os continentes.


Os Inquisidores

Assim que foi conhecido o regresso de Sócrates ao espaço do comentário político, virgens ofendidas lançaram uma petição a exigir que o ex-primeiro ministro seja proibido de se apresentar diante das câmaras do canal público.
Entre os peticionários estão saudosos de Salazar e alguns daqueles que no tempo de Sócrates convocaram uma manif  em defesa da liberdade de expressão, por causa do palhaço Crespo.
Nunca gostei de Sócrates e só votei nele em 2011, quando percebi que a golpada desta gente que nos governa, em concubinato com uma esquerda tonta e masoquista, nos iria conduzir a este desastre.
Estes peticionários são gente que não se enxerga. Inquisidores frustrados, para quem a liberdade de expressão termina, quando alguém tem opiniões divergentes das suas. Tirem os fantasmas das vossas moleirinhas!
Será que algum dia aprenderão a viver em democracia? Duvido...
Gostava de lhes perguntar porque não se indignaram quando a AR aprovou uma recomendação à RTP para o regresso da TV Rural. Mas isso é demasiada areia para aquelas camionetas.

Que grande bomba!

Esta é, sem dúvida, a notícia do dia
Cheira-me que aqui anda mãozinha do Relvas para fingir que não interfere na RTP. A seguir com muita atenção novos desenvolvimentos.

Foto do dia (30)

Chegou a Primavera!