quarta-feira, 20 de março de 2013

A culpa

Perante os sucessivos falhanços nas previsões e o descontentamento popular, o governo arranja bodes expiatórios:  
a) a culpa foi de Sócrates ( ainda sou do tempo em que o Pedro dizia que nunca se desculparia com o governo anterior)
b) o memorando estava mal desenhado ( só viram isso ao fim de dois anos, porra? Então ainda são mais estúpidos do que eu pensava)
c) a culpa é da crise internacional ( no tempo de Sócrates não era?)

Todos os dias o governo arranja desculpas para justificar o falhanço da sua política. Lá virá o dia em que dirá que a culpa é dos portugueses.
São assim os incompetentes. Nunca reconhecem os seus erros.

Don't worry, be happy!


Hoje  celebrou-se o Dia Internacional da Felicidade. Isto da felicidade é muito relativo.
“Esta é a vida que eu sempre quis/eu sou cornudo mas eu sou feliz”-  já cantava o Juca Chaves, no que foi no entanto contrariado recentemente por Justin Biber, o jovem cantor canadiano que  abandonou a sua festa de aniversário depois de ter sido encornado publicamente. A cena já se passou há mais de um mês, mas Bieber parece ainda não ter ultrapassado o trauma, o que obrigou mesmo o hotel onde estava hospedado em Paris a pô-lo na rua por indecente e má figura.
O INE  já declarou que em Portugal não haverá um índice de felicidade, mas sim um índice de bem estar.
Serão 90 os indicadores que determinarão o grau de bem estar dos portugueses, mas isso parece-me irrelevante, pois a noção de bem estar é tão subjectiva como a da felicidade.
Assim sendo, sugiro que sigam este conselho que vos proporcionará, pelo menos durante uns tempos, felicidade e bem estar.

Luís Filipe Vieira que se cuide!

Seara está desempregado a partir de Outubro
A não ser que, com a aprovação de uma nova Lei, o governo consiga reintegrá-lo...

Pagliacci à la Putanesca


Um caso de estudo para os que defendem o fim dos partidos


As eleições em Itália foram há quase um mês. Depois do bruáa de espanto  provocado pela expressiva  votação no grupo do palhaço Grillo, a Itália despareceu das primeiras páginas e dos noticiários televisivos, submergida primeiro pelas notícias do Papa e  depois pela abstrusa decisão dos ministros das finanças do Eurogrupo em relação a Chipre.
Os correspondentes enviados a Roma pelas televisões ou estão desatentos ao que se passa em Itália, ou não  dão qualquer importância ao assunto. No entanto, em Itália há mais vida para além do Papa e os últimos acontecimentos têm sido ricos em matéria política.
Colocado perante o problema de não ter maioria para governar e incapaz de conseguir fazer alianças, Bersani jogou uma cartada forte. Propôs a Grillo que apoiasse o candidato do PD ao Senado e, em troca, apoiaria o candidato do Movimento 5 Estrelas à Câmara de Deputados.
Irredutível, Grillo não acatou a proposta e Bersani jogou os seus trunfos. Para já, com sucesso. Beneficiando da maioria da esquerda na Câmara, abdicou do seu candidato e apresentou o nome de Laura Boldrini, reputada funcionária da ONU eleita como independente  nas listas do seu parceiro de coligação ( Esquerda, Ecologia e Socialismo).  A eleição foi pacífica, mas despertou a ira de Berlusconni,  pois Laura apresentou-se às eleições como defensora das vítimas do berlusconismo.
No Senado as coisas estavam mais complicadas para Bersani, pois a esquerda não tem maioria. Berlusconni apresentou o seu candidato ( Renato Schiaffini), suspeito de ligações à Mafia, com fortes possibilidades de ganhar. Grillo recusou apoiar o  candidato do PD e deu ordem aos deputados do 5 Estrelas para votarem em branco, o que abria o caminho para a eleição de Schiaffini como segunda figura do Estado.
 Uma vez mais, o líder do PD apostou forte e  apresentou um candidato independente ( Pietro Grosso)  juiz que se notabilizou pela luta contra a Mafia. Nem o risco de ver eleito Schiaffini demoveu Grillo.  No entanto, uma dezena de grillistas não se conformou. Ignorou as orientações de Grillo e votou em Pietro Grosso, provocando a ira do palhaço que, de imediato, exigiu a demissão dos “dissidentes”,  fazendo tábua rasa das promessas de independência.
Só que escolher deputados através das redes sociais é muito popularucho, mas tem os seus revezes… a expulsão dos deputados  poderia ser o princípio do fim do Movimento  Cinco Estrelas e de Beppe Grillo, o que obrigou o comediante a recuar nas suas ameaças.
A tarefa de Bersani para formar um  governo minoritário, continua a ser ciclópica, mas a  estratégia de explorar as fragilidades de um partido criado sem bases ideológicas nem programáticas poder-lhe-á  trazer dividendos no futuro e contribuir para arrefecer os ânimos daqueles que pensam que a democracia pode viver à margem dos partidos.
No entanto, há um dado positivo que se deve extrair do que está a acontecer em Itália. O aparecimento do Movimento 5 Estrelas obrigou Bersani a regenerar o seu partido, recorrendo a figuras independentes, alheias à lógica aparelhistica. Jogada de risco que talvez não seja bem aceite por aqueles que vivem  e medram à sombra dos aparelhos partidários.
Resumindo: o momento actual em Itália talvez venha a revelar-se como o embrião de uma acção regeneradora da democracia e da lógica actual dos partidos, assente na obediência cega aos aparelhos. Algo que deveria fazer reflectir os partidos portugueses e os autores do Manifesto pela Democratização do Regime ( link)

Foto do dia (29)