quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Voto nessa...

Não gosto de  ouvir "Grândola Vila Morena"  ser entoada a toda a hora perante inimigos do 25 de Abril. Apoio por isso a sugestão de alguns que, no FB, vão pedindo que os manifestantes passem a  cantar "A Mula da Cooperativa" ou, em alternativa que me atrevo a sugerir, "Qual é a tua, ó meu?" de que aqui deixo o refrão
Qual é a tua, ó meu? 
Andares a dizer "quem manda aqui sou eu"? 
Qual é a tua, ó meu? 
Nesse peditório o pessoal já deu. 

Eu explico..

Para quem não sabe o que é estar com gripe e  ter 39º de febre, eu explico:
É ter a cabeça oca como a Lili Caneças, as pernas pesadas como um lutador de sumo e o corpo tão dorido, como se tivesse apanhado uma sova da Juve Leo.
Felizmente já passou e regressei à normalidade.
Obrigado a todos(as) que me desejaram as melhoras.

Qual foi a parte que não percebeste, Gaspar?

Apenas três meses depois de ter conseguido a aprovação do OE para 2013, por um conjunto de meliantes que se proclamam deputados do povo, Vítor Gaspar veio admitir que a recessão de 1% prevista para este ano irá atingir os 2%. (pelo menos, digo eu, sustentado em análises que por aí tenho lido e admitem um aumento bastante superior...).
Vitor Gaspar ainda não acertou uma única vez nas suas previsões. Erros sistemáticos são razão suficiente para qualquer funcionário público ser alvo de um processo disciplinar mas, quando se trata de ministros, a música é outra. O seu superior hierárquico defende-os até ao fim.
Resultado: vem aí mais austeridade, mais desemprego, mais falências, mais pobreza, mais suicídios, mais criminalidade violenta. Os portugueses estão a ser vítimas de um grupo de fanáticos que adoram números, mas nem sequer aprenderam a tabuada. Sonolento e preguiçoso, o pastel de Belém boceja e diz aos seus amigos: " Eu já tinha avisado!"
Em tempo: Depois da gozação do Gaspar,ainda há quem acuse os estudantes de não respeitarem a democracia? 

Toma lá, que é democrático!


Estou de acordo com os que dizem que a manifestação dos estudantes contra Relvas não foi democrática, mas isso não significa  que concorde com as críticas que lhes têm sido dirigidas.
Antes de mais, se houve algum erro no ISCTE, foi cometido por quem convidou Miguel Relvas a discursar.  Foi um erro de casting, porque o ministro não pertence àquele filme. ( Já se esqueceram do caso Público?)
Os estudantes  desrespeitaram as regras do jogo democrático mas, ao contrário do que já li por aí, não foram eles a quebrar as regras. Apenas se limitaram a responder, com as armas que têm, à batotice de um governo que já demonstrou, sobejas vezes, que convive mal com a democracia e não perde qualquer oportunidade para violar os direitos dos cidadãos.
Já há muito defendo que o governo perdeu a legitimidade, porque fez batota para ganhar as eleições.
Aqueles que acusam os estudantes de ter exorbitado o âmbito da sua luta devem ter esquecido o tempo em que, para combater o Estado Novo, os estudantes saíram à rua em protesto tendo alguns pago com a vida a sua luta.
Não se pode combater um governo anti-democrático, que escraviza um povo e o vende aos interesses da alta finança internacional,  sem ser pela luta. 
Pedir aos estudantes que joguem as regras da democracia, é pedir-lhes que se defendam com penas de quem os agride com pedras.
Este governo vendeu os portugueses e o seu património, mas  nunca foi legitimado democraticamente  para o fazer. É um governo fora da lei e, como tal, deve ser combatido por todos os meios que os portugueses tenham ao seu alcance. 
Todos os dias vemos pessoas a aumentar o rol dos desempregados- a maioria dos quais nunca mais voltará a ter emprego;
Diariamente, centenas de pessoas são atiradas para a pobreza sem retorno;
Diariamente vemos pequenos e médios empresários a fechar as portas das suas empresas que eram o seu sustento;
Assistimos a um crescendo do número de suicídios;
Aumenta o número de pessoas com depressões e, por tabela, a violência doméstica e a criminalidade motivada pelo desespero dos que perderam a esperança no futuro.
Perante tudo isto, alguns indignam-se e condenam os estudantes por terem impedido, com protestos, que um trapaceiro discursasse numa assembleia de engravatados.
As regras da democracia devem ser respeitadas quando o governo as cumpre. A partir do momento em que o governo começa a fazer batota e o árbitro que dirige o jogo faz vista grossa às agressões, qualquer reacção à margem da lei deve ser encarada como legítima defesa.

Foto do dia (13)

Entrada de uma estação de metropolitano
Bruno Barbey- Xangai 2010