terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Os meninos traquinas da esquerda folclórica

Na véspera da terça feira de Carnaval de 2011 ( 7 de Março) o Bloco de Esquerda entregou na AR uma moção de censura ao governo Sócrates. Foi uma boa medida. Pelo menos acabou-se a tolerância de ponto, o país virou um Carnaval permanente com a esquerda a atirar serpentinas aos cabeçudos em cortejo e o governo a intoxicar-nos com bombinhas de mau cheiro.
Lindo serviço, camaradas, mas agora é o momento de limparem o lixo, tá? 
Portugal não é um quarto de brinquedos de criancinhas ricas e  mimadas que, depois da brincadeira, vão à sua vida enquanto as criadas se esfalfam a arrumar o quarto, para que esteja em condições para nova brincadeira.
O PS prestou-se, demasiadas vezes, a desempenhar o papel da criada que limpava a sala de brinquedos onde a esquerda se divertia. Tantas vezes foi maltratado pela esquerda, que agora arranjou um líder que se recusa a ser criada de servir. Amancebou-se com o patrão e tem um futuro mais próspero.
Foi isto que a esquerda mimada arranjou. Agora, aguentem-se com as novas regras: quem suja e desarruma, não fica à espera da criada, limpa a sua própria porcaria.
Ah, é verdade, não percam tempo a chamar pelo povo! Ele está-se marimbando para vocês. Está-se marimbando para tudo que vá além do seu umbigo, aliás... O sonho deste povo é ser igual a quem o rouba. Passar-se para o outro lado enquanto é tempo. Enquanto não consegue fazê-lo, vai-se escondendo o mais que pode. Não faz barulho, nem reivindica. Espera a sua oportunidade. Com a mesma perseverança com que joga no Euromilhões.
Se é com este povo que contais, camaradas, desenganai-vos. Este povo não vale um traque. Olha para os partidos de esquerda como um grupo de meliantes que chuta na veia e detesta trabalhar. Se vocês tivessem lido Marx com atenção, já tinham percebido que (genericamente) o povo é o vosso pior aliado e o melhor amigo da direita.

Baile de Máscaras à escala global



O caso da carne de cavalo encontrada nos produtos da empresa sueca Findus, ilustra de forma clara como a globalização, em vez de servir os interesses dos consumidores, é um belo pretexto para ocultar vigarices.
Para se perceber melhor o que se passa explique-se o que aconteceu:
Uma empresa sueca encomenda as suas refeições ultracongeladas a uma empresa francesa, que pede a uma empresa cipriota que lhe forneça a carne. Esta, por sua vez, subcontrata uma empresa holandesa, que adquire o produto na Roménia. 
Consumidores de todo o mundo compram o produto que, seguindo as regras da União Europeia, informa os consumidores, na rotulagem, que está a comprar um produto com genuína carne de vaca.
Numa demonstração de pieguice ( como se desconfiasse que aquilo fosse carne), um laboratório do Reino Unido descobre que o produto adquirido pelos consumidores não contém carne de vaca, mas sim de cavalo. 
Começam a procurar-se os culpados, aplicando as regras  da rastreabilidade, que permite seguir o rasto  dos produtos alimentares e seus componentes, até à origem. 
Conclusão: os romenos são os culpados, porque foram eles que venderam a carne. Ninguém se espanta, porque os gajos são ciganos e "todos sabem que essa gente é vigarista". De qualquer modo, os consumidores podem estar descansados, porque a carne de cavalo não faz mal à saúde, avisam as autoridades alimentares da União Europeia.
Os consumidores tranquilizam-se com a explicação e ficam felizes porque foram encontrados os culpados. MENTIRA! 
Mesmo partindo do princípio que a carne de cavalo foi adquirida na Roménia, houve negligência na fiscalização dos intermediários: cipriotas,holandeses,franceses e também suecos são de igual modo responsáveis, pois não respeitaram as regras da União Europeia que impõe a obrigatoriedade de fiscalização do produto. Claro que culpar os romenos é mais fácil, porque a Roménia é o elo mais fraco nesta cadeia. Os suecos e holandeses calvinistas estão acima de qualquer suspeita, até porque são loiros e ricos. Com os franceses é melhor não criar problemas e, se for preciso arranjar outro culpado para acalmar a opinião pública, os cipriotas estão mesmo a jeito...
EM PORTUGAL tudo seria mais fácil. Detectada a fraude, logo um ministro viria desvalorizar a questão dizendo que estando nós a viver em época carnavalesca,  afinal se tratava de vacas mascaradas de cavalos, pelo que não há razão para alarme. E siga o baile... de máscaras!


A foto do dia (7)

É Carnaval, nem as árvores levam a mal...

Um papa a falar português?



A renúncia de Bento XVI apanhou o mundo inteiro de surpresa mas, ao saber da notícia, a primeira coisa de que me lembrei foi do filme de Nanni Moretti "Habemus Papam" e das semelhanças entre a ficção de um filme e a realidade da amargura de um Papa. A diferença é que no filme de Nanni Moretti, o Papa eleito em conclave Michel Piccolli), não chega a tomar posse, enquanto Bento XVI assumiu o pontificado durante oito anos.
Poucas horas depois do anúncio, já se movimentam as bolsas de apostas quanto ao nome do seu sucessor e isso leva-me a recordar cenas do filme e a expressão de terror no rosto de alguns candidatos. É muito provável que essa situação ocorra no mundo real, mas pouco provável que, ao ver o filme de Moretti, muitos tenham pensado que uma situação de renúncia pudesse ocorrer.
Não dou palpites quanto à nacionalidade do futuro Papa, porque é matéria em que sou absolutamente leigo, mas gostaria de ver, pela primeira vez na História, um latino-americano a ser eleito Papa. 
Se isso acontecer, o futuro Papa falará português pois, de acordo com os especialistas, é brasileiro o único cardeal latino-americano com aspirações ao lugar. 
É a segunda vez que um Papa renuncia. Bento XVI- é importante dizê-lo- mostrou  grande dignidade ao tomar a decisão. Demonstrou clarividência e  evita a repetição de um final de pontificado doloroso, como foi o de João Paulo II.