quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Portugal e Alemanha mais próximos

Merkel mantém confiança na ministra plagiadora.
Por cá, Pedro mantém confiança no Relvas inventor.

The American Dream


Numa das últimas madrugadas vi, na SIC, uma reportagem que me deixou com os cabelos em pé. No Arizona há uma prisão a céu aberto, onde os prisioneiros dormem em tendas, suportando temperaturas de 60 graus no Verão e temperaturas negativas no Inverno. Quem passa ao largo da prisão pode ver, no alto da “torre de menagem”, um letreiro luminoso com a palavra “Vacancy” ( lugares disponíveis).
Os presos não estão em permanência no estabelecimento prisional. Em alguns dias da semana são  exibidos à população.  Percorrem as ruas em fila, acorrentados e agrilhoados, envergando o seu fato de presidiários ( às risquinhas, como o usado pelo deputado Coelho no seu protesto na AR da Madeira),sob os quais espreita a lingerie cor de rosa, de uso obrigatório na prisão.
O xerife do Arizona confessa a sua satisfação pelas medidas adoptadas. “ A prisão não é um hotel e mostrar à população as condições que proporcionamos aos presos é um motivo dissuasor”.
Os números desmentem a afirmação. Na verdade, mais de 60% da população prisional no Arizona é reincidente, logo, não são as condições ultrajantes nem a exposição pública que impedem os “criminosos” de voltar a prevaricar.
Apesar de tudo, a população do Arizona gosta. A comprová-lo, o facto de eleger este xerife há 20 anos consecutivos ( nos Estados Unidos os xerifes são eleitos). A reportagem também não deixa quaisquer dúvidas: a maioria dos entrevistados aprova o modelo prisional, embora alguns manifestem desagrado por ter de suportar aquela exibição de rua, a lembrar tempos imemoriais.
O Arizona não é um estado isolado nestas práticas. Noutros estados do “sonho americano” as pessoas condenadas por crimes de furto, ou burla, podem substituir a pena de prisão por actos de humilhação pública.  A reportagem mostrava, por exemplo, um casal condenado por ter burlado os beneficiários de um fundo de pensões. Condenados a 10 anos de prisão, aceitaram a pena alternativa.
À porta da casa foi colocado um cartaz em que pode ler-se “ Somos ladrões. Roubámos dinheiro do fundo de pensões, prejudicando muitas famílias”.  Cumulativamente, ao fim de semana ( e durante seis anos) marido e mulher são obrigados a passear na rua mais movimentada da cidade, onde está localizado o maior centro comercial do estado, exibindo um cartaz “sandwich”  onde se pode ler como título “ I’m a thief” ( sou um ladrão)  e depois se descreve o crime que cometeram e a pena a que foram condenados.
A maioria dos americanos também é favorável a esta humilhação pública e isso explica algumas atitudes ( no meu conceito, aberrantes) que abordarei aqui amanhã.

O Tal Canal

Desde que o Porto Canal passou a fazer parte do pacote básico do MEO que me tornei um espectador atento. Tenho registado, com especial atenção e agrado, o espaço concedido à cultura no canal que, apesar de ser maioritariamente do F.C do Porto, se preocupa com o desenvolvimento da região, enaltecendo os aspectos sociais e culturais do Norte.
Creio já ter escrito aqui, que o Porto Canal presta realmente serviço público, embora o faça dentro do âmbito regional a que está delimitado. 
É com grande regozijo que constato a subida de audiências do Porto Canal. Nas últimas semanas,ultrapassou diversas vezes as audiências da SIC Notícias, da RTP Informação e  da TVI 24. Um sinal de vitalidade, mas também de que o serviço público, quando é bem feito, cativa audiências.
O Relvas prefere a TV Rural. Não espanta. Os bovinos gostam de se ver ao espelho.

O elogio de Baco




Uma vez mais respaldado na troika, o governo pretende aumentar o imposto sobre o vinho. Para princípio de conversa, fez passar para a comunicação social uma mensagem através da máquina de comunicação e propaganda albergada nos gabinetes, depois de renunciarem ao jornalismo: o governo estuda aumentar o preço do vinho, para prevenir os suicídios e diminuir os casos de risco para a saúde.
Como (quase) sempre, a  comunicação social divulgou a mensagem, sem cuidar de perceber o que está por detrás desta mensagem patética. Se os jornalistas alapados nas redações tivessem dois dedos de testa e um mínimo de profissionalismo, iriam tentar averiguar  se uma afirmação bacoca como esta tinha algum fundamento. Apenas a TSF se deu a esse trabalho. 
Conheço suficientemente bem a temática, para poder afirmar que relacionar o consumo de álcool com tentativas de suicídio é, no mínimo, atrevimento. Não há um único estudo sério que sustente a relação directa entre o consumo de álcool e o aumento das taxas de suicídio. É evidente que uma pessoa desempregada, ou com graves problemas económicas, tem propensão a ingerir mais álcool podendo, em sequência disso,  aumentar o risco de depressões que a levem ao suicídio.
O problema, porém, não está no álcool, mas sim na situação sócio-económica das pessoas.
Nos EUA, por exemplo, uma pessoa com uma depressão provocada pelas circunstâncias a que acima aludi, recorrerá mais facilmente a uma arma, do que ao álcool. É mais barato e eficaz. 
O que qualquer governo de bem procuraria fazer era criar condições que diminuíssem os riscos de depressão, fomentando o emprego e proporcionando melhores condições d vida aos cidadãos. O grupo de mentecaptos que nos governa opta pelo caminho masi fácil, que é dificultar o acesso ao álcool por  via económica. ( Tal como Obama pretende fazer nos EUA -atribuindo os sucessivos massacres à facilidade de acesso às armas-  e camuflando as questões sociais que as desencadearam).
Esconder-se atrás do consumo de álcool, para justificar suicídios provocados por uma crise social e económica de dimensões gigantescas, é querer tapar o sol com a peneira. Mas não só… é matar a indústria cervejeira e a viticultura em Portugal. 
Na Bíblia podem encontrar-se 450 citações sobre o vinho, todas elas em defesa do precioso néctar, considerado bebida sagrada que todos devem ter direito a usufruir. Então, porque razão anda por aí gente a querer tirar-nos esse direito?

A foto do dia (3)