quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Qual é o espanto?


“Tempestade em Leiria revela esqueleto com 400 anos”-leio na capa do DN.
Não percebo a razão do destaque. Em 2011, uma outra tempestade varreu o país, fez ressuscitar Salazar e não me consta que algum jornal tenha, até hoje, alertado os leitores para esse fenómeno da Natureza, de consequências muito mais nefastas para o país.

Mais alto, mais rápido, mais insustentável...



Quando, em 1931, foi inaugurado o Empire State Building,  todos pensavam que a arquitectura tinha atingido os limites do arrojo.  A “crença” durou até 1972 , ano em que foi inaugurado o World Trade Center, destruído no 11 de Setembro de 2001.
A partir dessa data, começaram a suceder-se as construções em altura, com o Dubai sempre na dianteira
Actualmente, o Burj Khalifa, com os seus 220 andares e quase 800 metros de altura, ostenta o título de edifício mais alto do mundo. Tudo indica, porém, que será por pouco tempo…
Com efeito, uma empresa chinesa promete construir nos arredores da cidade de Changsha um edifício com os mesmos 220 andares, mas com uma altura de 838 metros.
Essa megatorre não será, no entanto, apenas a mais alta do mundo. Será também a mais rápida a ser construída.  Enquanto a Burj Khalifa demorou seis anos a ser construída, três meses será o tempo necessário para edificar o Sky City de Changsha. 
Se tudo correr como o previsto, em Junho a China albergará o edifício mais alto do mundo, o mais rápido a ser construído mas, também, o mais insustentável.
Apesar de os seus 30 mil habitantes ( não deve ser fácil administrar este condomínio!…) não necessitarem de usar carro, porque uma centena de elevadores assegurarão as suas deslocações entre a habitação, escolas, hospitais,centro comerciais e escritórios, este megaedifício é classificado como uma aberração ecológica e urbanística. Questão que não deve levantar grandes problemas à empresa que se propõe construí-lo, pois os único objectivos parecem ser construir  o edifício mais alto do mundo no mais curto espaço de tempo. E nesta matéria, a empresa construtora tem provas dadas: construiu um edifício de 30 andares em apenas 15 dias e outro de  15 andares…numa semana!
Quanto à qualidade de vida proporcionada nestes grandes empreendimentos, parece não preocupar ninguém. O importante, mesmo, é bater records sucessivos.

A "Revolta" do Porto



31 de Janeiro de 1891 . No Porto, um levantamento militar de sargentos e praças- a que se juntaram alguns civis-  reclamava contra as cedências do governo e da Coroa ao Ultimato britânico do ano anterior. Da janela da Câmara municipal chegou a ser proclamada a República e anunciados os nomes do governo provisório.
Os revoltosos foram facilmente dominados,  mas o 31 de Janeiro de 1891 foi o primeiro marco na luta contra a monarquia, que viria a ser derrubada 19 anos depois.
Hoje, pelas 18h30m, em frente à Igreja Santo Ildefonso ( de onde a  Guarda disparou os primeiros tiros contra os revoltosos) haverá uma concentração para protestar contra a ingerência do FMI e a submissão do governo às regras que nos são impostas pela troika.
A situação que o país vive  não é muito diferente da de 1891. Portugal perdeu a soberania e o governo está de cócoras  perante a troika.  Revolta não haverá, certamente, mas seria um sinal de vitalidade cívica das gentes do Norte, uma adesão significativa a esta iniciativa. 

Regresso ao campo...


Os deputados do PSD e do CDS devem andar cansados das paisagens bucólicas da AR. (Dizem-me que é normal nos carneiros...)
Vai daí, para quebrarem a pasmaceira dos dias, resolveram apresentar uma proposta. Hélas! Ao fim de 20 meses conseguiram ter uma ideia própria! O problema é que a ideia não é lá muito boa... Impor à RTP  o regresso do TV Rural ( o apresentador continuará a ser Sousa Veloso, ou será substituído pelo Relvas?) não é só uma ingerência inadmissível na grelha da televisão pública, como esconde um desejo subliminar da carneirada da maioria: apascentar-se nas idílicas paisagens da governação laranja.
Estranhamente ( ou talvez não, porque é amigo de Relvas e todos sabemos que os amigos do ministro  são gente pouco recomendável) o administrador da RTP não se pronunciou sobre este assunto. Há quem diga que é natural, porque Alberto da Ponte vem das cervejeiras, onde estava habituado a adaptar-se ao gosto do consumidor. Agora, na RTP, não lhe é difícil respeitar os gostos do patrão. Afinal foi para isso que foi lá posto...