segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Apitó combóio ( com evidente atraso...)



A imagem é da noite de S. Silvestre no Rio de Janeiro, mas só hoje a vi e não podia deixar de a partilhar convosco.
Para mais pormenores, ler aqui

Noite de estreia


A RTP estreou, sábado à noite, o seriado “Depois do Adeus”. Trata-se da sequência da série “Conta-me como foi”, uma das mais aclamadas dos últimos tempos que retratava, com muita fidelidade, o Portugal do Estado Novo.
“Depois do Adeus” começa em 1975 e centra-se no drama dos “retornados”. O primeiro episódio faz-me temer o pior.
O guião parece ter sido escrito pela dupla Relvas/Coelho: portugueses calaceiros contra portugueses empreendedores. Comunistas malandros que põem o país à beira do caos. Jovens mandriões esquerdistas contra  jovens fascistas bêbados. A salvação do país na Fonte Luminosa. A vitória dos bons sobre os maus.
O problema desta série é que já conhecemos o final. É esse epílogo - visível por estes dias  - que me leva a acreditar que o guião, se não foi escrito pela dupla maltrapilha, foi certamente por ela encomendado. O retornado Coelho vinga-se dos infiéis que lhes roubaram a terra e nele se revêem milhares de retornados espoliados. Os empreendedores triunfarão sobre os privilegiados. Estes, se não estiverem bem, mudem-se, porque há mais mundo para além das fronteiras. Uma produção bíblica em versão laranja ressabiada.
Os “retornados” mereciam mais respeito. Os que os receberam também.
Trabalhei no IARN e sinto-me revoltado. Não devia. Tinha obrigação de saber que isto ia acabar  assim.

Acalmem-se! A Vichyssoise não chegou a ser servida


Marcelo Rebelo de Sousa esteve ontem particularmente contundente, como aliás eu já previra aqui. 
O que sinceramente não esperava, é que MRS viesse a ser desmentido por João Soares sobre uma suposta conversa telefónica que afirmou ter tido com Mário Soares ontem à tarde.
Quando li o desmentido de Soares pensei mesmo que poderíamos estar perante uma segunda edição da célebre Vichyssoise. Ou, em alternativa, que a doença de Pedro Passos Coelho (que o tornou um mentiroso compulsivo) estivesse a alastrar a outras figuras do PSD.
Afinal, foi João Soares que falou antes de tempo. A conversa entre MRS e Mário Soares não foi invenção do professor. Apenas teve uma pitada de coentros para a tornar mais apetitosa. É que, na verdade, MRS falou com Mário Soares, mas através de Eduardo Barroso. Terá sido mais ou menos assim:
- MRS: Então e como está o Mário?
- Eduardo Barroso:  Vai melhorando, felizmente.
- MRS: Diz-lhe que lhe mando um abraço
- EB: Ele também manda. Diz que um dia destes têm de se encontrar.
Radiante, MRS chegou à TVI e, enquanto esperava pela sua intervenção, romanceou a estória. João Soares não gostou de saber e meteu o pé na argola. Agora vem dizer que não chamou mentiroso a Marcelo. Nem precisou... a amplificação nas redes sociais da sua mensagem no FB fez o trabalho por ele.
Felizmente que nesta coisa das tricas entre políticos, a comunicação social é célere a ouvir ambas as partes.

Roleta Russa no Casino Portugal


Os portugueses vivem de acordo com as contingências de uma roleta russa.
Como se não lhes bastasse serem governados por  um grupo de esquizofrénicos, ainda se têm de confrontar com os humores das instituições. Senão, vejamos...
Na Justiça…
Continuamos a assistir ao triste espectáculo de alguns juízes proferirem sentenças com base nas suas convicções e não no direito, menosprezando a prova científica , o direito comparado, ou mesmo sentenças proferidas por outros juízes apontando em sentido contrário. A justiça em Portugal é, cada vez mais, uma roleta russa.
Na Saúde…
 A cura já não depende apenas da medicina ou da capacidade técnica do pessoal médico. Um doente, em Portugal, tem de ter a sorte de ir parar a um Hospital onde os médicos não estejam proibidos de prescrever determinados medicamentos. Viver ou morrer, depende também da sorte
No trabalho…
Assinar um contrato de trabalho com o Estado, é o mesmo que assinar um contrato de escravatura. O patrão põe e dispõe a seu bel prazer, indiferente aos compromissos que assumiu com o trabalhador. Ao fim de 35 anos de serviço ( ou mesmo mais) o Estado muda as regras e o funcionário publico acata. Nem sequer lhe é dada a possibilidade de rescindir o contrato com justa causa e receber a indemnização a que tem direito, por incumprimento contratual do patrão.
Nas empresas, tudo depende do patrão. Há muita gente séria, mas também há empresários sem escrúpulos que tratam os trabalhadores como mercadoria.
Dizem-nos que as coisas melhorariam se pagássemos mais impostos. Ou seja, se aumentarmos o valor da aposta. Mas quem acredita nas promessas de croupiers vigaristas? Pagar impostos  em Portugal é como fazer uma aposta no Euromilhões. Um cidadão tanto pode ter a sorte de ver a sua aposta premiada, como ver o seu dinheiro ir parar à banca, ou ser desbaratado pelos gestores deste casino.