quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

E se...

... antes de começar a fazer declarações destas, Seguro se visse ao espelho? Ou fosse a um psiquiatra, para ver como está a sua  saúde mental? Ou, pelo menos, percebesse que os portugueses gostam (quase) tanto dele como de Coelho? 

O Purgatório




Esta noite sonhei que uma tremenda catástrofe tinha atingido Portugal sem aviso prévio. Ou melhor: os meteorologistas tinham avisado que se aproximavam ventos fortes e muita chuva, quiçá mesmo algumas trovoadas, mas as pessoas não ligaram muito e saíram à rua sem guarda chuva, até porque o dia amanheceu radioso e os passarinhos cantavam nos beirais, anunciando a Primavera. 
Durante o dia apareceu na televisão um meteorologista a anunciar que vinha aí uma tempestade que provocaria enormes inundações. Para não variar, acusou as pessoas de serem as culpadas pelas consequências, porque não tinham limpado as sarjetas.
Vim trabalhar e depois fui almoçar com um amigo.  Contei-lhe o meu sonho. Curiosamente ele sonhara o mesmo. Depois de um bate papo, quando cada um ia à sua vida, vimos que o céu se toldara de repente. Saímos para a rua e começámos a reparar que as pessoas andavam na rua como almas penadas. Na montra de um estabelecimento havia uma televisão ligada. A imagem mostrava um plano fixo de três rostos muito sorridentes: Coelho, Gaspar e Relvas. Olhámos em redor. As pessoas passavam por nós de rosto fechado e olhos postos no chão. Caminhavam em círculos, como se não soubessem de onde vinham, nem para onde se dirigiam.
Foi então que percebemos que estávamos todos no Purgatório, à espera que alguém decidisse se transitaríamos para o Céu ou para o Inferno. Os decisores eram aqueles três rostos que se viam no televisor num plano fixo. De imediato percebemos qual seria o nosso destino, mas não entrámos em pânico. Qualquer Inferno será melhor do que viver na indecisão de um Purgatório, onde os juízes são três bandidos armados em meteorologistas. 
De repente, abriu-se uma porta e uma velhinha mandou-nos entrar.
 O corredor é estreito, mas esforcem-se por conseguir atravessá-lo . A mim já me condenaram ao Inferno. Vocês ainda têm uma oportunidade- disse. No final do corredor está um avião à espera dos que ainda não foram sentenciados. Vão depressa, antes que eles vos condenem à morte!
Mas nós não estamos mortos?
Não! Estão apenas adormecidos mas, se demorarem muito tempo a fugir, não escaparão! 
Recusámos a oferta. Aproveitámos o facto de saber que ainda estamos vivos para acordar o maior número de pessoas possível. Se formos muitos, talvez consigamos impedir que aqueles três rostos cumpram o seu desígnio. Se formos muitos, poderemos derrotá-los e expulsá-los para sempre do ecrã de televisão onde estão instalados a comandar as nossas vidas. 

Aleluia! Pedro Passos Coelho disse uma verdade!



Finalmente, Pedro Passos Coelho disse uma verdade! Em Paris, afirmou que "o governo está a trabalhar intensamente para criar oportunidades em Portugal".
Não disse, mas todos sabemos, que estas "Novas Oportunidades" criadas com as privatizações das empresas portuguesas são uma grande oportunidade para o Relvas, o Borges, o Gaspar e para ele próprio. Ao menos, que haja alguém a ganhar com a crise. Os 10 milhões de portugueses que o governo condenou à fome e à miséria devem aguardar pacientemente a sua vez. Depois da troika é que vai ser bom e haverá oportunidades para todos, como PPC não se cansa de repetir  na sua nova "cassette" gravada na feira de Carcavelos.
Adenda: como o homem não consegue estar mais de meia hora sem dizer uma mentira, já borrou a pintura toda

O segredo dos famosos

Hoje, vários jornais escolheram para chamada de capa o título " Estripador de Lisboa absolvido".
Estamos perante um bom exemplo de uma não notícia. 
É certo que depois de o filho ter ido para um reality show dizer que o pai era o  autor dos crimes cometidos contra prostitutas na zona de Lisboa, José Guedes passou a ser  tratado na comunicação social como o "Estripador de Lisboa".
Acontece, porém, que José Guedes estava a ser julgado por dois outros crimes ocorridos em Aveiro ( também envolvendo uma prostituta)  do qual foi ilibado e não sobre os crimes pretensamente cometidos sobre prostitutas de Lisboa que terá "confessado" a  Felícia Cabrita, jornalista do "Sol". 
Não foi o "Estripador de Lisboa" que foi absolvido ( continua a ser desconhecido o autor dos crimes), mas sim o cidadão José Guedes, acusado de dois crimes cometidos em Cacia (Aveiro) e cujo filho,  na tentativa de prolongar os seus 15 minutos de fama, acusou num reality show de ser o autor de três crimes em Lisboa, envolvendo prostitutas.
José Guedes esteve 13 meses preso e a sua advogada admite a possibilidade de o seu cliente vir a pedir uma indemnização. Pretensão que me parece condenada ao fracasso. Este julgamento custou ao Estado muito dinheiro em investigação e em processos judiciais. Preço que José Guedes pagou com a prisão, ao pactuar com o filho que pretendia ser famoso e inventou uma história. As contas não estarão saldadas, porque foram os contribuintes a  pagar a brincadeira e nunca serão ressarcidos. Portanto, o melhor é tirar o cavalinho da chuva...
Adenda: Sim, ematejoca, eu sei que  Glória Araújo, deputada do PS, foi apanhada com 2,4 g/l de álcool no sangue na noite do seu aniversário. Já escrevi sobre isso aqui, portanto não precisa de vir para a caixa de comentários informar-me em cada post que escrevo. Obrigado!