terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Psssstttt, ó coisinhos!


Soube que os vossos patrões estão a discutir a sociedade civil à porta fechada e com a informação para o exterior condicionada. Quando é que vocês vão convocar uma manif em defesa  da liberdade de expressão? É que desta vez, face à gravidade dos factos, eu também quero ir... Até vou de branco, se continuarem a exigir tão patusca indumentária.
O quê, isso agora não interessa nada porque vocês já estão  lambuzados  com o pote e até são capazes de lavar o dito ao Relvas, com água de rosas? 
Pronto, já percebi...vocês são mesmo uns gajos de honestidade moral e intelectual irrepreensível. Desde que  vos deixem mexer no pote, até vos podem mijar em cima, que vocês aguentam. Vão bardamerda!
E se  os vossos patrões querem discutir a sociedade civil nestas circunstâncias, então digam-lhes que o melhor é irem discutir para casa do Pedro, e pedirem à Laura para preparar os aperitivos. Fica na mesma tudo em família e sai mais barato aos contribuintes.

Pepa versus Relvas


Na última semana, as redes sociais escandalizaram-se com a Pepa. Para quem não saiba, a Pepa é uma miúda de 17 anos que ousou dizer que o seu sonho para 2013 era ter uma carteira Chanel.  Quantos de nós não tivemos sonhos parvos na nossa juventude? Porquê acusar a Pepa de ser fútil, num país que corre para o Pingo Doce num 1º de Maio, faz filas para ter a última versão do Ipad ou ser o primeiro a ter o último livro da saga Harry Potter?
Curiosamente, neste país escandalizado com a Pepa, poucas foram as vozes que se levantaram contra Miguel Relvas, que foi passar o fim de ano ao Copacabana Palace, na companhia de pessoas tão recomendáveis como Dias Loureiro ou Paulo Maluf.
Pepa é uma miúda de 17 anos que oscila entre o pedantismo e a futilidade betinhas, mas pretende comprar a carteira com o seu dinheiro. Fazendo poupanças.
Miguel Relvas é um adulto com curriculum pouco abonatório, habituado a falar ao telefone ( e outras coisas mais) à custa dos contribuintes, membro de um governo que pede sacrifícios aos portugueses e proclama a austeridade como lema de vida. Relvas devia ser responsável, coisa que não podemos pedir à maioria dos jovens de 17 anos. 
Deixem a Pepa em paz. Preocupem-se é com o escroque do Relvas e toda a pandilha que o rodeia e nos anda a roubar diariamente.

Sinais...

É com estas pequenas lições que se aprende. Eu sei que se trata de uma Junta de Freguesia, que há circunstâncias particulares que explicam os resultados, mas é bom que não esqueçam este caso, por muito insignificante que possa parecer...

Os novos "estrangeirados"



Na sua última homilia dominical, Marcelo Rebelo de Sousa chamou “estrangeirado” a Carlos Moedas. Entendi, na expressão de MRS, que ministros como Gaspar ( cuja carreira foi desenvolvida em instâncias internacionais que se estão nas tintas para os interesses de Portugal) deviam ser incluídos nessa expressão mas, como sempre, MRS foi dúbio. 
Mais assertivo e abrangente, o presidente do Tribunal de Contas veio dizer, no dia seguinte, que o governo não se deve guiar por economistas visitantes. De uma só penada, Guilherme Oliveira Martins abrange a gentalha da troika e os   que governam o país em nome dos interesses do capital estrangeiro. Quer eles venham do BCE, da Goldman Sachs, ou de outra qualquer instituição a soldo dos mercados.
Convém lembrar que os estrangeirados do século XVIII ( Verney, Gusmão, ou  o marquês de Pombal) influenciaram profundamente o poder, numa época em que o analfabetismo em Portugal era esmagador e as Ordens Religiosas dominavam o ensino, com métodos da Idade Média. 
No século XXI , o índice de analfabetismo é residual ( embora o analfabetismo funcional deva atingir mais de 60% da população)  e estrangeirados como Moedas e Gaspar- apesar de fazerem  parte de um governo cujos expoentes máximos ( Coelho e Relvas) são parolos profundos  rendidos ao esplendor dos mercados- têm mais dificuldade em impor as suas ideias. Daí que recorram ao FMI para as “vender” como símbolo de progresso.
Portugal nunca teve, ao longo da sua História, um grupo de jovens tão qualificados como neste limiar do século XXI daí que, para impor o seu programa ideológico, a dupla de parolos tenha envidado todos os esforços para correr com a massa crítica do país, obrigando-a a emigrar.
Portugal poderá, nos próximos anos,  perder todo o investimento que fez na educação dos seus cidadãos ao longo de duas décadas e entregar a países estrangeiros o melhor capital que tinha para refundar o país, tornando-o europeu e moderno: o capital humano. Tudo em nome dos interesses destes novos estrangeirados que nada têm a ver com os do século XVIII.
 Como muito bem salientou Guilherme d’Oliveira Martins, estes estrangeirados são apenas “visitantes”. O futuro deles não passa por aqui, o seu país é apensa um estágio para progressão de carreira lá fora.
Estão, por isso, marimbando para Portugal. Não estão preocupados em desenvolver o país, mas tão só atirá-lo para a cauda da Europa e tornar a sua população escrava do poder financeiro internacional, enquanto eles se banqueteiam nas instituições europeias. 
O basbaque de S. Bento não percebeu nada disto. Acredita que ficará na História como salvador da pátria, mas não terá mais do que uma nota de rodapé a acusá-lo de chefe de um gangue de traidores que fez retroceder o país mais de meio século.