quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Soundbites

Noite de cinema: crónica dos abutres


Num cinema perto de si está a ser exibido, em sessões contínuas, o filme de terror "Assalto Final". O argumento deste "thriller"  narra  o assalto final à democracia  planeado por um trio de bandoleiros  num país de totós. 
Tendo como protagonistas principais Gasímpar, Láparo Boca de Brioche e Michael  Relvas, "Assalto Final" tem suscitado mais vaias do que aplausos, mas ninguém é indiferente a esta trama bem urdida, realizada por Hannibal Silva e com Francis Louca e Jerónymo Sousa como assistentes de produção.   
Do elenco fazem parte actores secundários como Moedas Judas e  Alvarito ,o Gordo, sendo ainda de registar a  participação de Paulo Doors como actor convidado.
O filme- marcado por cenas de violência nunca vistas desde "A Laranja Mecânica" de Kubrick-  suscita  a atenção dos espectadores, que ficam presos às cadeiras até à cena final.
O clímax surge quando os bandoleiros começam a apreciar o plano para o "Assalto Final" elaborado por um etíope filho da puta que trabalhou com base em dados falsos que lhe foram fornecidos pelos bandoleiros. 
Paulo Doors- que desempenha o papel de "Bom Ladrão"- parece não estar de acordo e ameaça desistir do plano, por  o considerar demasiado sangrento.Os restantes elementos do grupo de bandoleiros procuram dissuadi-lo e ameaçam lançar contra ele dois submarinos  se desistir do plano.
Entre o dilema de evitar um banho de sangue e salvar a sua imagem de Bom Ladrão, laboriosamente construída durante anos no mundo do crime, Paulo Doors vacila. Qual será a sua decisão?
Não vou desvendar o final do filme, obviamente, mas devo dizer-vos que em alguns países onde já foi exibido,  espectadores irados revoltaram-se, provocaram desacatos, ameaçaram matar os bandoleiros e pegaram fogo às salas de cinema.
Um filme a não perder numa sala perto de si. Sem pipocas, claro, mas com muita chama!


Porto Sentido (1)


( Na sequência deste post)
Imagino-me no cais de Gaia,  contemplando o casario que se debruça sobre o Douro,  bandos de gaivotas em piruetas, ouvindo o linguarejar de espanhóis, ingleses, franceses, asiáticos e sul americanos, descrever fascinados a paisagem de que desfrutam, enquanto disparam sofregamente as suas câmaras, na ânsia de registar para sempre as imagens inolvidáveis de umas férias, ou de um fim de semana. Deixo-me invadir pela nostalgia.
Gosto do Porto, como de nenhuma outra cidade deste país. Nessa cidade brejeira onde existem trolhas, picheleiros e bueiros; onde há chantras, garinas e aloquetes; onde os idosos ainda se chamam velhos, as prostitutas são putas ou um amigo que nos trai um filho da puta, há também muita poesia e amor. No Porto há a Rua dos Abraços, a Rua dos Beijoqueiros e "ilhas" onde as mães gritam para os filhos: "Anda cá meu filho da puta, quem te deu ordem p'ra comeres esse mulete?" Lá , durante os bailes, os namorados estão "no roço" e as mães admoestam os filhos mal comportados dizendo "vai fazer piruetas nos cornos do teu pai!
Nunca consegui ser feliz no Porto, essa cidade de mulheres lindas, banhada por um rio prenhe de poesia e com uma marginal esplendorosa da Ribeira até à Foz, considerada em 2012 "Destino Europeu do Ano". Hoje sei muito bem as razões que me levaram a sair de lá e nunca mais querer lá viver.
O Porto fechou-se no seu casulo, gerido por autarcas que nunca amaram a cidade, apenas a usaram como trampolim para fazer política em Lisboa. Assim germinaram mentalidades bairristas, por vezes aniquilosadas, que não deixaram a cidade crescer e evoluir.
É tempo de despertar. O Porto não pode ser uma cidade a morrer aos bocados!
( Continua)

Solidariedade das Caldas


A sobretaxa do IRS (3,5%) vai render ao Estado 1025 milhões de euros.
Se a este valor acrescentarmos a taxa de solidariedade sobre os rendimentos mais elevados  (vai render 100 milhões) conclui-se que o governo vai embolsar 1125 milhões de euros com estas duas cobranças extraordinárias. Valor que- curiosamente- é quase igual ao montante injectado pelo governo no BANIF ( 1100 milhões).
Percebe-se assim melhor para onde vão os impostos  solidários cobrados aos portugueses. Chama-se a isto solidariedade das Caldas.