domingo, 6 de janeiro de 2013

Dia de Reis: crónica do Rei Gaspar (1)

Gaspar no acampamento em que planeou toda a tramóia



Não é meu hábito perder tempo a revelar a história de embusteiros e ladrões, mas hoje sinto-me obrigado a fazê-lo, porque o Gaspar, além de ter roubado o meu presépio, roubou a alegria a milhares de crianças que desde a tenra idade em que começam a ir à catequese, acreditaram que era um rei porreiro e até oferecera uns presentes a Jesus.
Chegou a hora de o desmascarar e divulgar ao mundo blogosférico a verdadeira história da sua vida de embusteiro. 
Em primeiro lugar, convém explicar a oferta do incenso. 
O que levaste para oferecer a Jesus  não era incenso, mas sim um pó marado que gamaste a uns mercadores mouros e utilizaste para adormecer toda a gente no estábulo de Belém. Tiro-te o meu chapéu pelo truque, porque ainda hoje há um gajo em Belém que mais parece a Bela Adormecida. Ao fim de dois mil anos já ninguém lhe chama rei, mas presidente, imagina! (Começo a pensar que o pó que espalhaste no presépio não era assim tão mau…)
Quero também dizer-te que te fica muito mal teres convencido o Papa a dizer aos fiéis que afinal não havia vacas e burros no presépio. Toda a gente sabe que foste tu que os gamaste e depois os vendeste a uns visigodos. Quem mo disse foi uma vaca alemã que  anda por aí a infernizar a Europa.
Sempre pensei que não tinhas gamado o coelho, porque ele se tinha escondido e tu não te aperceberas da sua presença no estábulo, mas agora sei que o fizeste com segundas intenções, pois já sabias que dois mil anos mais tarde o utilizarias para governar um país na Ibéria, aquela península que costumavas dizer que ficava no cú de Judas!  Fica sabendo, porém, que esse Judas que tu compraste por 30 dinheiros para trair Cristo não vive na Ibéria. Vive em Bruxelas, pá! Comprou um disfarce, deixou as doutrinas maoistas, converteu-se ao capitalismo e crismou-se. Chama-se agora Zé Manel e é teu amigo. Não me digas que ainda não tinhas topado, ó taralhoco!
E já que estamos a falar de identidades, é a vez de desmascarar a tua. Toda a gente te conhece por rei e não sabe o embuste que tramaste, mas eu vou contar agora a toda a gente. 
Naquele tempo já eras um idiota chapado. Vivias de joguinhos de influências, davas-te com gente da alta, mas não fazias nada, para além de decorar a tabuada. Passavas as noites a olhar para as estrelas e durante o dia, quando tinhas fome, escondias-te atrás de umas dunas e assaltavas quem passava. Depois, com a barriga cheia, estendias-te na areia a olhar o firmamento e tinhas sonhos esquisitos que ao acordar transformavas em realidade. Foi assim que convenceste o Herodes que estavas a viver num palácio no oásis, quando afinal vivias à beira-mar, junto a um esgoto a céu aberto. 
Um dia gamaste uns cogumelos mágicos e começaste a “ver” uma estrela que se movia. Como eras um vadio ignorante, nem percebeste que aquilo era um OVNI que se dirigia para a Ibéria, levando na bagagem uma cáfila de camelos. ( porra, eu sei muito bem que cáfila de camelos é um pleonasmo, não te estejas aí a armar em  gajo culto!) 
Quando viste um grupo de gajos a seguir o OVNI resolveste atrelar-te. A tua intenção inicial era apenas comer à borla durante uns dias  mas, como és um pérfido gatuno sem emenda, ao terceiro dia começaste a engendrar um plano para assaltares uns tipos que te pareceram ricaços. Uma noite, no acampamento, abeiraste-te deles e contaste-lhes essa história do nascimento de Jesus o Salvador, que vinha do reino dos céus. Para os convenceres disseste que eras profeta, os nabos do Belchior e do Baltazar caíram como patinhos e nunca mais se separaram de ti. 
Ao fim de várias semanas de caminhada os ricaços começaram a desconfiar da tua patranha e tu enfiaste-lhes outra galga. Disseste-lhes que conhecias um atalho para chegar ao estábulo, sem ter de seguir a estrela e eles confiaram em ti. Passados mais alguns dias,  próximo de um  palácio disseste ao Belchior e ao Baltazar:
- Vou só ali uns minutinhos falar com o meu amigo Herodes, para saber se quer vir connosco e já volto. 
(Continua)

Le premier bonheur du jour

Neste primeiro domingo do ano, convido-vos para uma viagem até Amsterdam.
Eu não vou, porque acabei de chegar a Lisboa e logo à tarde, a partir das 15 horas, estarei à mesa do café para ouvir a história da Catarina.  
Tenham um bom domingo! Depois do café irei visitar-vos.