quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Na dúvida, juro

Esta manhã, depois de um período sabático, regressei à Internet. Fui ler os vossos comentários aqui e no On the rocks e depois quis  saber algumas notícias da terrinha para preparar o regresso  a casa. Desisti de prosseguir ao ler que Cavaco, na sua mensagem de Ano Novo, fez um discurso velho. Promulgou o orçamento, apesar de ter fundadas dúvidas ( espera aí, isto afinal é novo! Não era Cavaco que nunca tinha dúvidas e raramente se enganava?)sobre a sua constitucionalidade e de considerar a política do governo ruinosa para os portugueses. 
Nada de surpreendente... Cavaco já nos tinha avisado que está para a política como o Malato para o showbizz: na dúvida, comete perjúrio. 
Depois foi dormir a soneca de consciência tranquila, porque embora tenha deixado os portugueses na mesma, resolveu o seu problemazinho pessoal.
Mais valia ter continuado a fingir-se de morto, senhor Aníbal!Para fazer como Pilatos e chutar as dúvidas para o Tribunal Constitucional, alijando as suas responsabilidades, não precisamos de ter um PR. Alugamos um palhaço à hora para cortar umas fitas, fazer umas inaugurações e dar umas voltas pelo mundo. Sempre sai mais barato!
Volte lá para  a sua soneca e não volte a acordar.Enquanto dorme, não gasta dinheiro ao Estado para levar a Maria a passear. Daqui a uns milénios virá um sapo acordá-lo. Não para o transformar num príncipe, mas para lhe fazer uma pergunta muito simples: por que razão não remeteu o OE de 2012 para o TC? Só este ano é que se lhe suscitaram dúvidas tão prementes, ou foi por não querer voltar a ficar mal na fotografia?

E agora, José?

Em 2012 saíste à rua para dizer que estás farto destes governantes e queres que eles se vão embora. Fizeste greves para manifestar o teu descontentamento. O governo marimbou-se e continuou a tratar-te como se fosses apenas um objecto, ou um número.
Que vais fazer em 2013, José?
Vais continuar a deixar que te apouquem? Vais continuar a ouvir enlevado as palavras elogiosas dos governantes que te rotulam de "melhor povo do mundo"?
Vais aceitar passivamente que um bando de burlões esbulhe os teus direitos?
Vais continuar a  dizer "a gente cá se há-de arranjar e dias melhores virão"?
Vais lamentar que um grupo de ladrões mafiosos venda o teu património, mas a aceitar o roubo como  um mal necessário para salvar o país?
Até quando vais aceitar que te cortem o salário e  obriguem a trabalhar mais horas por mês?
Até quando continuarás passivo?
Foi para isso que saíste à rua  numa manhã de Abril? Foi para isso que te manifestaste vigorosamente em 15 de Setembro?
Se foi, então não valeu a pena, José!
Se queres manter a dignidade;
Se queres que te tratem como um ser humano e não como um objecto;
Se queres recuperar o direito à Educação, às reformas, à segurança social, ao trabalho e a um salário justo, chegou a hora de agires.
As palavras e as manifs não são suficientes para derrubar a escumalha que traiu Portugal. É preciso que haja uma alternativa de governo credível,que neste momento não existe. 
É preciso exigir à esquerda que se una. Que o PS se deixe de comportar como uma primadonna e esqueça a traição do BE e do PCP, co-responsáveis pela situação a que chegamos, ao chumbar irresponsavelmente o PEC IV.
É preciso exigir ao maltrapilho de Belém que deixe de se fingir indignado e aja em conformidade, demitindo este governo e convocando eleições.
Se nada disto resultar, José, só há uma coisa a fazer. E tu sabes o que é, não sabes?
 Se não o fizeres, os teus filhos nunca te perdoarão!