sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Caderneta de cromos (38)



José Pedro Aguiar Branco tem-se esforçado por ganhar  um lugar nesta galeria, desde que revelou inegáveis  capacidades   para dirigir um ministério em Lisboa, a partir do seu escritório de advogados no Porto.
Talvez descoroçoado por  ainda não ter sido incluído nesta prestigiada colecção, Aguiar Branco esforçou-se nos últimos meses por actuar de modo a dar nas vistas. O primeiro acto foi o anúncio de que iria apresentar queixa crime contra Ana Gomes, na sequência das suspeitas levantadas   pela eurodeputada  sobre as ligações da Martifer  ao escritório de advogados de JPAB. 
 Devo confessar que este golpe não me impressionou, pois o processo é  pago pelos contribuintes ( esta decisão de os processos que envolvam desde ministros a directores gerais serem custeados pelos contribuintes  é bizarra, mas não é da responsabilidade desta coligação. Foi uma medida de Sócrates,  quiçá inspirado em Hugo Chavez) e, com jeitinho, ainda podem ser advogados do escritório do ministro a tratar do caso, recebendo os respectivos honorários. 
Reconheço que  é uma golpada bem urdida, mas pouco ousada por não lhe acarretar quaisquer riscos. Não  foi, por isso, suficiente para me  convencer a atribuir um lugar ao ministro da defesa nesta caderneta.  
JPAB não é , no entanto, homem para desistir à primeira. Só uns dias depois, quando percebi que o ministro tinha assimilado rapidamente a matéria sobre  técnicas de propaganda  leccionadas pela dupla Poiares Maduro/Pedro Lomba, acabei por ceder. 
 Ao anunciar à comunicação social que iria mandar  para a PGR e para o DCIAP  todo o processo sobre a privatização/concessão dos estaleiros de Viana do Castelo,  o ministro pretendeu  passar a mensagem de que estava de consciência tranquila e a operação tinha sido tão transparente, que até a submetia, por iniciativa própria, à apreciação da justiça.  É óbvio que Aguiar Branco sabe muito bem que este processo vai ter o mesmo destino do processo dos submarinos: o caixote do lixo.  Mas se, por ironia do destino, um dia se vier  a saber que houve marosca neste contrato com a Martifer,  já o ministro da defesa deve estar aposentado e a gozar a reforma num qualquer off shore recomendado pelo BPN. Ou será pela Tecnoforma?

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