segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Balanço (quase) final

Apesar de ainda faltar conhecer o escrutínio final em três  freguesias, os resultados  já apurados permitem fazer uma leitura sobre  alguns factos relevantes.
 Mais do que a abstenção de 47,4% - é bom não esquecer que cerca de 10% dos nomes constantes nos cadernos eleitorais são de mortos que, por muito que o desejassem, não poderão ir votar e de emigrantes cuja percentagem não é contabilizável, mas totalizará largas dezenas de milhares de eleitores -  impressiona olhar para o número de votos em branco ( 193 mil)  e nulos (147 mil).  
Em termos percentuais, a soma dos votos brancos ( 3,87%) e nulos (2,95%) representa  mais do dobro do número de eleitores que votaram no CDS (3,05%)-  quando não coligado - e quase o triplo dos eleitores do BE (2,42%).
Estes eleitores que se deslocaram às assembleias de voto  e votaram branco ou nulo  também fizeram questão de expressar  uma opinião: não se revêem em nenhum dos candidatos.
 Ao contrário dos abstencionistas, que poderão não ter ido votar pelas mais diversas razões, os que votaram branco ou nulo  têm uma opinião sobre a democracia em que vivemos.  Ninguém- a começar pelos partidos- pode desprezar o significado destes números – poderiam ser ainda mais expressivos se não houvesse candidaturas independentes. 
Os independentes- sublinhe-se- obtiveram 6,9% dos votos  e garantiram a presidência de 13 câmaras, 8 das quais com maioria absoluta. 
Os partidos terão, obrigatoriamente, de olhar para estes resultados com alguma apreensão e muita responsabilidade. Espero que comecem já amanhã...
Pode consultar os resultados  aqui

Passos renovou a apólice... E agora?

 Pedro Passos Coelho não me pareceu nada abatido quando ontem analisou os resultados. Reconheceu a derrota esmagadora, deu os parabéns ao PS, fez um número de circo dizendo que o resultado era o preço a pagar por não ter apresentado candidatos populistas ( LFM e Seara eram apoiados por quem?) e saiu de mansinho, garantindo que o governo irá continuar a seguir o caminho da austeridade que ( com gosto e uma ponta de sadismo, presumo eu…) tem seguido até aqui.
Quando se retirou deve ter ido celebrar a vitória de Seguro com os colaboradores mais próximos. O líder do PS tem sido o seguro de vida e o abono de família de Passos Coelho. Uma vitória à tangente e uma vitória clamorosa de Costa ( como se verificou) teria  feito caducar a apólice.
Sobre a Madeira, PPC não disse nem uma palavra. Já devia ter ouvido das boas de Jardim pelo telefone e achou melhor ficar calado.
Está confirmado o pior resultado de sempre  ( ver aqui)
Mas atenção! Sabem quando foi o anterior pior resultado? Foi em 1989. E sabem o que aconteceu nas legislativas seguintes em 1991? Cavaco reforçou a maioria! Ah, pois é...


O arquitecto do Penta

Paulinho das Feiras apareceu sorridente diante das câmaras, a reclamar estrondosa vitória.  O CDS agora também tem um Penta e PP assume-se como o grande arquitecto deste feito histórico para o CDS. Esqueceu-se de falar na estrondosa derrota da coligação a que pertence, mas aproveitou para  lembrar que tinha um forte quinhão de mérito na eleição de Rui Moreira, mas é notório que PP tem pouca ambição.
A propósito… será que o congresso do CDS-PP sempre se realiza em Outubro? Depois desta fantástica vitória, Paulo Portas será aclamado. Aquilo da aliança governativa com o PSD não interessa nada. São só uns tachos  para ministros e ajudantes.

Há misturas explosivas...

Espero que outros aprendam com a derrota do LFM e percebam que misturar política com desporto e figuras mediáticas, nem sempre dá bom resultado. Principalmente quando se escolhem sportinguistas e benfiquistas famosos, numa cidade como o Porto...

O vidente e a Nossa Senhora de Fátima

Cavaco Silva- o mentor da actual coligação e seu principal obreiro -  foi um dos grandes derrotados da noite eleitoral. Sem ter nada de substancial para dizer, de que se lembrou?
Nada mais, nada menos, do que dizer “  Portugal já saiu da recessão!
Extraordinário como este país evoluiu de forma tão satisfatória em apenas uma semana. Foi o tempo entre a ameaça de segundo resgate feita por PPC com grande alarmismo e esta declaração de confiança do vidente de Belém a um jornal sueco.
Terá havido intervenção de Nossa Senhora de Fátima, frequentadora habitual de Belém, como há tempos revelou a D. Maria?

Quem não tem dinheiro não tem vícios

É o que se pode concluir da estrondosa derrota do PSD na Madeira.  Alberto João Jardim apenas conseguiu manter 4 das 11 câmaras madeirenses.  Nem o Funchal se safou! Perante a derrota, culpou o Contenente, tendo reforçado aquilo que já todos sabíamos: sem dinheiro dos contribuintes do Contenente e o apoio explícito de Cavaco e os sucessivos líderes do PSD,  Jardim  nunca se teria aguentado (quase) 40 anos à frente  da Madeira. Sem poder brincar com o dinheiro dos outros, Jardim fica reduzido à expressão mais simples.
Meu caro Alberto João: Nunca ouviu dizer que quem não tem dinheiro não tem vícios?

As mulheres de Oeiras e as peixeiras de Matosinhos

Isaltino já estava preso quando uma revista  publicou uma reportagem sobre Oeiras. Sem surpresa, percebi que Isaltino continuava a ser visto como um herói e algumas oeirenses não se coibiam de afirmar que “o problema de Isaltino era gostar de mulheres”.
Não percebi o que as licenciadas oeirenses queriam claramente dizer com isso, mas foi com um sorriso de ironia que recebi a notícia da vitória do independente  Paulo Vistas e a derrota humilhante  ( terceiro lugar) de Moita Flores- o candidato do regime.
Na cidade com mais licenciados por metro quadrado e com um dos mais elevados poder de compra do país, um tipo corrupto  é aclamado herói e alguns dos seus apoiantes vão altas horas da noite para a porta da prisão da Carregueira  festejar.  Confirmo, com tristeza, que as Universidades – e o ensino  em geral-  não formam as pessoas nem lhes  incutem valores como a honestidade e a ética. Mas isso já eu tinha percebido na Guarda…
Quem parece conhecer melhor esses valores são as peixeiras de Matosinhos. Inconformadas com o facto de o PS ter retirado a confiança a Guilherme Pinto – um homem muito acarinhado no concelho-  e apoiado o inenarrável Parada, deram uma vitória clara ao ex-candidato do PS que em 2013 liderou uma lista independente. Há coisas que não se aprendem na escola, não é?

Ser campeão e despedir o treinador?

O PS teve o melhor resultado autárquico de sempre. Nunca conquistara tantas câmaras municipais e recuperou, com larga maioria, a presidência da Associação Nacional de Municípios. Conquistou capitais de distrito importantes como Vila Real ( desde sempre PSD) e Leiria . Reconquistou Coimbra e várias câmaras ao PSD.
No entanto, a vitória do PS é ensombrada pela realidade e é fundamental que no Largo do Rato a saibam interpretar  e não caiam na sobranceria.
Na verdade, apesar de significativa, na vitória do PS não vejo razões para grandes euforias . Logo à partida, porque perdeu câmaras como Évora, Beja e Loures ( por mérito da CDU)  ou Matosinhos, Braga e Guarda por culpa própria. Depois, perdeu expressão em câmaras como Portalegre, onde já foi maioritário. Finalmente, porque António Costa teve uma vitória estrondosa em Lisboa. Podem dizer-me que é mais importante a vitória (modesta) do PS a nível nacional do que a vitória esmagadora de Costa. Compreendo que os socialistas reajam assim, mas a minha interpretação é outra.
Fico com a sensação  de que, com Costa, o PS arrasaria. Não resistindo a uma comparação futebolística, diria que muitos portugueses se sentirão, hoje, como os adeptos de futebol que vêem o seu clube vencer o campeonato, mas não gostam das exibições e, por isso, pedem a mudança de treinador. 

O Alentejo vermelho, mas não só...

A CDU foi, sem sombra de dúvida, a grande vencedora da noite. Não se limitou a aumentar substancialmente o número de presidências de câmara ( 36 até ao momento, contra 28 em 2009), mandatos e votos expressos. A CDU arrasou o PS no Alentejo e reduziu o BE à expressão mais ínfima no país.
Significativa a vitória em Loures onde Bernardino Soares- o lider parlamentar da CDU- vai ganhar asas para mais altos voos. Esperemos é que, até lá, perceba que a Coreia do Norte não é uma democracia, (mas isso é apenas um pormenor...)
No Largo do Rato devem interpretar bem o significado destes resultados e perceber que , no Alentejo, mas também um pouco por todo o país ( Loures e Silves, pex.) a CDU foi capaz de captar o descontentamento dos eleitores que habitualmente votam no Centrão. 

O Porto é uma naçom!

Os independentes conquistaram mais de uma dezena de autarquias mas, como já aqui escrevi, a maioria deles eram independentes falsos que concorriam contra os seus próprios partidos. Dentro de dias, alguns dos que saíram vencedores voltarão ao redil.
Rui Moreira era- penso eu- o único independente genuíno. Teve uma vitória retumbante que foi, também, uma vitória do Porto. Os eleitores da minha cidade deram uma lição ao país. Como o próprio RM disse,   não foi uma vitória contra os partidos, mas um aviso para que se regenerem e ouçam a voz das populações.
Acredito que RM faça um bom mandato.
Os portuenses rejeitaram o populismo e as promessas megalómanas de LFM  - passou de vencedor antecipado a terceiro classificado-  e os que nele votaram devem ter ficado arrependidos quando o ouviram dizer que antes de decidir se ocuparia o lugar de vereador irá ponderar, primeiro, " qual é o interesse do partido".
Também não aderiram com grande entusiasmo a Manuel Pizarro. O candidato do PS é uma pessoa estimável, mas não tem carisma e a sua imagem- muito associada à de Seguro- também não o  beneficiou. Mesmo assim, conseguiu ficar à frente de LFM - o candidato que afinal Pedro Passos Coelho não apoiava.
Pelo menos foi o que o PM deixou entender no discurso de derrota, ao assumir que o PSD foi penalizado porque não apoiou candidatos populistas. PPC não tem mesmo um pingo de vergonha na cara!

Nem tudo o que brilha é ouro

Apreciação telegráfica da noite eleitoral.
Os maiores vencedores: CDU, António Costa e Rui Moreira.
O PS , apesar de ter tido um dos melhores resultados de sempre em eleições autárquicas,teve uma vitoriazinha. Amanhã explico porquê.
Os grandes derrotados: Alberto João Jardim, a coligação Cavaco/PSD e Meneses
O BE desapareceu. Pagou o preço da sua aliança a direita, para derrubar Sócrates.
Hoje fico por aqui.Amanhã faço análises detalhadas mas, por agora, apenas um aviso:nem tudo o que parece é, como eu já tinha avisado aqui na sexta-feira.

domingo, 29 de setembro de 2013

Um dia histórico mas...NÃO ME APALPEM!

Não, ainda não vou falar dos resultados das autárquicas. Antes, quero lembrar que hoje foi um dia histórico. Não me refiro, obviamente, às declarações do homem do pastel de nata que, de forma nada inocente, aproveitou a hora do almoço para ir votar. Ele tinha uma mensagem que queria todos os portugueses ouvissem: estou aqui para defender o meu governo e quero que vocês saibam!
Presidentes da República como Cavaco só ficarão na História de Portugal dos Fracos e desses não me ocupo neste dia.
Hoje foi um dia histórico porque, pela primeira vez, um português (João Sousa) venceu um torneio ATP em ténis.
Hoje foi um dia histórico porque, pela primeira vez, um ciclista português ( Rui Costa) se sagrou campeão do mundo.
Ainda sou do tempo em que as televisões em canal aberto ( nomeadamente a RTP) transmitiam na íntegra finais de torneios de ténis onde os portugueses nem sequer entravam nos qualifying.
Ainda sou do tempo em que as mesmas televisões transmitiam horas a fio o Mundial de ciclismo, onde os portugueses nem sequer nos dez primeiros lugares se classificavam.
Hoje, quando dois portugueses que suam a camisola pelo país entraram para a História, apenas tive direito a ver uns segundos das provas em que obtiveram brilhantes  vitórias.
Em compensação, as televisões encheram os noticiários, de hora a hora, com declarações de um trio de imbecis que vendeu Portugal a interesses estrangeiros: Aníbal, Pedro e Paulo desdobraram-se em declarações balofas, para vender a  banha da cobra da sua ideologia totalitária mascarada de democracia.
NÃO ME APALPEM QUE EU NÃO GOSTO, PORRA! 

Antes de fecharem as urnas...

... quero brindar com a mais importante candidata do dia, embora saiba que pessoas como ela nunca ganham eleições ( pelo menos por enquanto...)

Le premier bonheur du jour


 Hoje, em homenagem a António Ramos Rosa que nos deixou esta semana



Poema dum funcionário cansado

A noite trocou-me os sonhos e as mãos
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita
estreita em cada passo
as casas engolem-nos
sumimo-nos
estou num quarto só num quarto só
com os sonhos trocados
com toda a vida às avessas a arder num quarto só
Sou um funcionário apagado
um funcionário triste
a minha alma não acompanha a minha mão
Débito e Crédito Débito e Crédito
a minha alma não dança com os números
tento escondê-la envergonhado
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço
Soletro velhas palavras generosas
Flor rapariga amigo menino
irmão beijo namorada
mãe estrela música
São as palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na prisão da minha vida
isto todas as noites do mundo numa só noite comprida

num quarto só

( António Ramos Rosa

Já posso deixar de reflectir?

Já passa da meia noite. Posso deixar de reflectir, ou tenho de ficar de quarentena até às 19 horas?

sábado, 28 de setembro de 2013

Perspicácia de um robô em dia de reflexão

Em dia de reflexão, um sujeito entra num bar novo, hi-tech. Não sabe o que lhe apetece beber, por isso pede uma sugestão.
O barman é um robô que lhe pergunta:
- Qual o seu QI?
- 150.
O robô serve-lhe um cocktail perfeito e inicia uma conversa sobre aquecimento global, espiritualidade, física quântica, interdependência ambiental, teoria das cordas, nanotecnologia e por aí.
Impressionado, o homem resolveu testar o robô. No dia seguinte disfarçou- se e voltou ao bar.
Quando pede que lhe sirvam uma bebida,o robô pergunta:

- Qual o seu QI?

- Deve ser uns 100...

O robô serve-lhe um whisky e começa a falar, agora sobre futebol, fórmula 1, super-modelos, comidas favoritas, armas, corpo da mulher e outros assuntos semelhantes.
O sujeito ficou abismado.

Entretanto outro cliente entra no bar e de imediato o robô lhe pergunta:

- Qual o seu QI?

Surpreendido, sem saber o que responder e nada percebendo de QI o homem responde:

- Não sei ao certo, deve ser aí uns 20!

Então o robô serve-lhe um copo de tinto carrascão, inclina-se no balcão e diz-lhe:

- Então o meu caro amigo vai votar no candidato do  PSD, não é verdade?

Bora lá reflectir?

Como já decidi em quem votar, mas mesmo assim sou obrigado a reflectir, vou convidar-vos a reflectir sobre bola.
Então digam-me lá uma coisa:
- Na semana passada, no Estoril,  o árbitro puniu uma falta fora da área com uma grande   penalidade contra o FC do Porto e os jornais quase nem falaram disso.
 Ontem, o árbitro "viu" um jogador azul e branco ser derrubado dentro da área do V Guimarães, marcou grande penalidade  a favor do FC do Porto e os jornais e televisões fazem primeiras páginas e aberturas de telejornais a denunciar o escândalo.
Porque será? 
Não me digam que o FC do Porto foi beneficiado, porque na semana passada roubaram-lhe dois pontos e ontem ( no caso de não ter sido grande penalidade) o que aconteceu é que esses dois pontos lhe foram devolvidos.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Bem me parecia...

O tipo só tinha ido fazer xixi e, como está surdo, não ouviu tocar a campainha.
Já agora, se souberem, façam o favor de me esclarecer. Estes bens que hoje foram arrestados vão ser devolvidos na segunda-feira, ou só depois das legislativas de 2015?

O ovo da serpente

Entre os cenários que ontem e hoje tracei sobre a noite eleitoral de domingo, há um que pode influenciar de forma muito significativa a vida política portuguesa no futuro.  Refiro-me aos resultados  dos independentes em concelhos tão importantes como Gaia, Matosinhos, Porto, Sintra ou Oeiras.
Mesmo sabendo que só Rui Moreira, no Porto, é um candidato verdadeiramente independente (os outros apenas se divorciaram dos seus partidos, quiçá temporariamente e à espera de uma reconciliação em breve...)  a vitória de candidatos que não têm atrás de si toda a máquina partidária,  em três ou quatro destes concelhos, obrigarão os partidos a uma reforma interna e a repensar a sua ligação à sociedade.
Continuando eu a acreditar que sem partidos políticos não há democracia, pertenço ao grupo dos que defendem que os actuais modelos partidários estão esgotados. Não havendo renovação, corremos o risco de um dia acordar nos braços de um populista que saiba explorar o descontentamento das pessoas.
Daí, que uma votação expressiva nos independentes signifique uma oportunidade, mas também um risco.
Se os partidos - confrontados com uma expressiva votação nos candidatos independentes-  não souberem interpretar o eleitorado e insistirem em continuar a ser meras fábricas de políticos profissionais, preparados nas aniquilosadas estruturas das Jotinhas, então não há razões para termos grande esperança no futuro. Estará aberto o caminho para candidatos populistas que ditarão o fim da democracia. Aliás, o estudo do think tank britânico Demos, hoje divulgado pelo "Público", é elucidativo: a democracia já não é um dado adquirido na UE e está mesmo em regressão em alguns países. 
Causas apontadas? A corrupção, a crise e a insatisfação com os partidos políticos  Ou seja, aquilo de que a maioria dos portugueses também se queixa.
O estudo abrange sete países europeus, sendo apontados como casos mais preocupantes a Hungria, a Bulgária e a Grécia. Alguém duvida que se Portugal estivesse no grupo estudado, não seria igualmente um caso preocupante? Alguém tem dúvidas que no seio da equipa governativa e na sua entourage gravitam fascistas disfarçados de democratas?  

Eu felizmente não estou indeciso, Daniel!

Raras vezes votei num candidato com a convicção  que terei quando no domingo puser a cruzinha  no PS, contribuindo para eleger António Costa. Precisamente pelas razões invocadas pelo Daniel Oliveira ( a que ainda poderia acrescentar mais algumas) que apesar de tudo confessa estar indeciso.


"Confesso que o meu voto em António Costa seria o natural. Foi, genericamente, um bom presidente de Câmara. Foi seguramente, com Jorge Sampaio, o melhor que Lisboa conheceu (tarefa relativamente facilitada). O seu trabalho é desigual e, em áreas como o urbanismo, deixa a desejar. Como nunca votei em candidatos perfeitos, o facto de ter resolvido os problemas financeiros da autarquia (o buraco de Santana e Carmona foi colossal) sem reduzir drasticamente serviços, mantendo a cidade a funcionar e até avançado com novos projetos, não despedindo trabalhadores e ainda integrando os que estavam a recibos verdes, seria mais do que suficiente para o meu voto. Em tempo de crise, António Costa mostrou que há formas de a contornar. E, quando tudo no País está pior, o que não depende do poder central em Lisboa está genericamente melhor. A esmagadora votação que as sondagens preveem e o apoio alargadíssimo que Costa conquistou, da direita à esquerda, resultam disso mesmo."
( Daniel Oliveira - Expresso on line)
Ler mais: http://expresso.sapo.pt/um-eleitor-indeciso=f832512#ixzz2g5vfeeFy

Mais cenários para a noite de domingo

Continuando a análise às autárquicas ontem iniciada aqui

Sintra- O cenário é exactamente igual ao de Gaia. Vitória apertada para o PS, com o independente ( vice de Seara) em segundo lugar. Se o PSD – terceiro a alguma distância dos dois primeiros- conseguir eleger um vereador, as contas ficam baralhadas e o candidato independente poderá ser o fiel da balança.
Oeiras-  Será  Moita Flores derrotado pelo fantasma de Isaltino Morais?  Se  Paulo Vistas vencer, como indicam algumas sondagens, será uma derrota humilhante para o PSD. ( O PS está fora da corrida).
É muito curioso observar o comportamento dos eleitores oeirenses- o concelho com mais licenciados por metro quadrado e um daqueles onde as pessoas têm mais poder de compra.
A vitória de Paulo Vistas confirmará  que até o fantasma de Isaltino é capaz de vencer um candidato apoado por uma máquina partidária
Seja quem for o vencedor, será uma luta renhida ( esperemos que sem mais cenas de pugilato) e, se o PS conseguir eleger um vereador, as contas poderão ficar baralhadas como em Sintra ou Gaia. Com a diferença de que, neste caso, poderá ser o PS o fiel da balança. Uma aliança PSD/PS em perspectiva?

Loures- Aqui não há candidaturas independentes.O PS poderá manter a câmara, mas a vitória será cerrada, com apenas mais um vereador do que a CDU. Os dois vereadores do PSD  farão por isso a diferença  e-  diz a experiência – a tendência nestas situações é haver uma aliança CDU/PSD contra o PS.  Foi graças a uma aliança semelhante que Rui Rio conseguiu garantir o seu primeiro mandato no Porto  e perpetuar-se à frente da autarquia durante 12 anos.
Resumindo: a noite eleitoral de domingo poderá ser bem mais animada do que se poderia esperar. Há candidatos que  terão uma vitória com sabor amargo  e alguns derrotados – nomeadamente independentes-   que, sendo fundamentais para facilitar uma maioria ao vencedor, poderão sorrir.
Irá ser determinante, nos dias seguintes, saber com quem se aliarão os independentes do PSD (ou Rui Moreira, no Porto), até porque dessas alianças poderá  - em alguns casos- fazer-se uma  extrapolação para as legislativas de 2015.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O exemplo destes jovens deixa-me mais descansado em relação ao futuro!



Isto passa-se na Guarda ( durante as praxes académicas).Europa. Século XXI. Inimaginável!

É muito difícil acreditar que esta gente vai um dia estar à frente de turmas de crianças ou de jovens, à frente de serviços públicos ou de empresas. Ou sentada na mesa de um tribunal. Ou nas cadeiras da Assembleia da República. Ou dos destinos das autarquias. No Governo, já não custa tanto a imaginar.

"...Os caloiros são obrigados a comprar leite, farinha, ketchup, maionese, ovos, etc. Levam com papas k contêm urina, fezes, vomitado e por aí adiante... É mt mt mt vergonhoso! A maioria das vezes praxam os caloiros no chafariz da Dorna por ser um sitio escondido..." - (num post de Maria Helena Dias Loureiro)
Roubado no FB 
PS: São estes jovens que vão para as Universidades de Verão das Jotinhas ouvir tipos como este dizer que andam a ser roubados pelos velhos?

Obscenidades


Estou cada vez mais conformado. Já nem considero que a obscenidade esteja na reforma de Rui Machete. Verdadeiramente obsceno- para além da promiscuidade entre poder político e financeiro- é acumular cargos em 31 instituições. Cinco das quais eram concorrentes...

O que nos distingue dos gregos

Os tugas deixam-se conduzir por este governo para o matadouro, como cordeirinhos. Quando nada tiverem, vão começar a balir, mas ninguém lhes dará atenção. Fazem figura de idiotas.  Ao menos os gregos dão luta e tentam resistir. Com dignidade.

Domingo à noite: o cenário das vitórias de Pirro

Abstenho-me de fazer prognósticos sobre as autárquicas, ou cogitações prévias sobre o que será uma vitória e uma derrota  de partidos do governo e da oposição. 
Creio que muito mais interessante do que esse raciocínio especulativo  dos comentadores encartados, é tentar – com base nas sondagens conhecidas-  antecipar o cenário pós eleitoral  em alguns concelhos, onde os independentes vão baralhar as contas e atrapalhar a vida aos  vencedores e/ou aos seus partidos de origem.
É muito provável que no domingo à noite  haja vencedores com sorriso amarelo e vencidos com um sorriso de orelha a orelha.
Escolhi para amostra os concelhos de Porto, Matosinhos, Gaia,  Sintra, Loures  e Oeiras.
Porto-  A vitória de Luís Filipe Meneses parece  certa  mas - tudo indica - será escassa. O PSD irá, muito provavelmente, cantar vitória , os holofotes televisivos  vão incidir sobre ele na noite de domingo, mas na segunda-feira vai ter um grande problema para resolver. Com quem se vai coligar para garantir a governabilidade da Câmara? 
Partindo do princípio que Nuno Cardoso  não elegerá nenhum vereador ( ele só está na corrida para fazer o jeito a Meneses e atrapalhar a vida do PS) LFM terá de se coligar com o PS ou com o independente Rui Moreira (apoiado pelo CDS). Seria a aliança natural, pois repercutiria a nível local a aliança governativa.  No entanto, se Rui Moreira – há muito bastante crítico deste governo-  tiver algumas ambições políticas que extravasem a cidade do Porto, uma aliança com LFM é pouco provável. 
E que fará  nesse caso o PS? Dará a mão a Meneses?  Seria um suicídio para um partido que está a perder  influência no Norte- principalmente no Porto e em Braga, velhos bastiões socialistas. 
Estou convencido que a aliança entre PSD  e os independentes de Rui Moreira será a solução mais provável mas, para isso, LFM terá que fazer bastantes cedências. 
A alternativa – improvável, mas nem por isso impossível  - seria uma aliança entre PS e Rui Moreira . Poderia funcionar como balão de ensaio para uma aliança governativa entre socialistas e centristas após 2015 e deixaria de fora o vencedor laranja. Mais credível será a hipótese de- caso LFM não consiga fazer alianças- novas eleições para o Porto a breve prazo.

Gaia- Na outra margem do rio Douro o cenário é idêntico, mas a correlação de forças é diferente. O PS deverá ser o vencedor e o independente Guilherme Aguiar  ficará em segundo, completando-se o pódio autárquico com  o candidato do PSD, Carlos Abreu Amorim.
Também aqui  não haverá maioria absoluta e os independentes servirão de charneira a uma solução governativa em Gaia. Para que lado cairá Guilherme Aguiar- candidato rejeitado pelo PSD local?  
Tenho poucas dúvidas. Aliar-se-á mais facilmente ao candidato do PSD- apesar das fortes marcas  provocadas pelo processo pré-eleitoral- do que ao PS. Poderemos estar, por isso, perante o caso de um outro concelho onde o vencedor  não irá ter a vida facilitada e o cenário de novas eleições poderá ser encarado. Há, porém, uma nuance interessante. Caso  o PS não consiga alianças e a câmara se torne ingovernável, obrigando a novas eleições, é muito provável que o candidato escolhido pelo PSD seja… Guilherme Aguiar!

Matosinhos- Apesar de uma grande recuperação nos últimos dias do candidato do PS ( o inenarrável Parada) as sondagens indicam que  Guilherme  Pinto - actual presidente da Câmara eleito em 2009 pelo PS-  será o vencedor, seguido de Parada.   
O PS viabilizará o mandato do actual presidente, aliando-se a Guilherme Pinto? Se o não fizer estará a dar mais um tiro no pé e, a norte, os socialistas já se auto flagelaram demasiadas vezes. É altura de ganharem juízo. 
Apesar de as coisas estarem mais clarificadas em Matosinhos, do que em Gaia ou no Porto, as contas podem complicar-se se Parada for o vencedor.
( Amanhã farei a análise de Sintra , Loures e Oeiras)

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Olha que dois!


O que mais impressiona quando se percorre o país, é perceber que os candidatos que defendem medidas mais despesistas são apoiados pelos CDS e PSD.  
A candidatura de Meneses, no Porto, deve ser a mais despesista mas, em termos de demagogia, rivaliza com a de Fernando Seara em Lisboa. Ambos prometem obras faraónicas e eventos surreais. No entanto,oeste processo de estupidificação das pessoas não se circunscreve às duas principais cidades portuguesas. Grassa como uma epidemia e, nesta matéria, não se pode dizer que são todos iguais, pois os candidatos do PSD - talvez inspirados pelo exemplo do chefe- são os campeões da aldrabice e da falta de decência. ( Pelo menos nas cerca de 30 autarquias/concelhos que me cativaram mais a atenção).
Ver Passos e Portas a apoiar estas demagogias provoca-me vómitos, mas admito que em alguns portugueses mais sensatos e com dificuldades financeiras sérias, é bem capaz de provocar reacções mais violentas...

A verdade é sempre muito simples...

"Se houver segundo resgate é porque a política do governo Passos Coelho - Gaspar - Relvas - Portas - Maduro falhou. Falhou porque estava errada e acumulou erros colaterais, falhou por incompetência e ilusão, falhou porque o príncípio de Peter tem muita força, falhou porque era irrealista, começou por ser ingénua e acabou por ser dolosa, tinha poucas e más ideias e teve uma péssima execução. Falhou porque a realidade tem muita força e quem não a conhece bate com a cabeça na parede. Falhou porque gente medíocre pensou (e pensa) que é genial e que pode "mudar Portugal" com meia dúzia de ideias gerais, muitos preconceitos e uma gigantesca ignorância. (...)"
( José Pacheco Pereira- sublinhados meus)  

Portas terá metido a mão no frasco da compota?



Desde que foi empossado vice- primeiro ministro, Paulo Portas mudou radicalmente a sua postura. No início, pensei que tinha sido apenas a vaidade a sublimar a sua irrevogabilidade mas, apesar de ter andado mais de duas semanas pouco atento às notícias, fui-me apercebendo que havia algo mais a determinar a sua postura de cordeirinho.
Alvo de ataques sistemáticos de PPC - que chegou a acusá-lo de ser responsável pela subida dos juros e por um eventual segundo resgate- Portas remeteu-se ao silêncio. Ontem, até exibiu a sua subserviência a Coelho, perante os jornalistas. Algo impensável noutros tempos... Depois de ter sido sucessivamente enxovalhado pelo PM. Portas aparece comprometido e quase envergonhado, com cara de quem foi apanhado a meter a mão no frasco da compota.
Podem fazer-se muitas acusações a Portas, mas não a de ser cobarde. Assim sendo, só consigo perceber que tenha ultrapassado a linha vermelha, recuado nas exigências de redução do défice e ouça passivamente PPC afirmar que não há possibilidade nenhuma de o CDS  fazer cair o governo, pelo facto de ter medo de alguma revelação. Como o terceiro segredo de Fátima já foi revelado há muito, só pode ser alguma coisa relacionada com ele próprio. Será que há por aí uns submarinos a dobrar-lhe a espinha e  Portas, para não ver a credibilidade ainda mais abalada, aguenta todos os insultos e desconsiderações?
Sim, porque por amor à Pátria, não é certamente!
Por este andar, o destino de Portas ainda vai ser o mesmo do FDP alemão: desaparecer de cena. Irrevogavelmente!

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Green, green grass of home

Eis-me de regresso a casa, com três dias de atraso em relação ao previsto. Mas, como poderão perceber, foi por uma boa causa.

Do you know waht I mean, mr Crato...

When I say  FYSB?
 Então, eu explico. É aquilo que eu penso  ao tomar conhecimento da sua decisão sobre  o ensino do inglês no 1º ciclo. É uma decisão miserável, própria de um indivíduo que além de estar há dois anos a destruir o ensino público e a beneficiar os privados com os impostos dos portugueses, não se coíbe de criar condições para que as crianças não tenham as mesmas oportunidades.
Entretanto, continua a garantir que o ano lectivo começou com toda a normalidade. Não sei se o diz por ignorância, incompetência ou pelo prazer de mentir. Anyway, FYSB!

Pedro Passos Coelho tem uma doença contagiosa

Depois da crise de Julho, provocada pelo irrevogável Portas, PPC refrescou o governo e tentou dar-lhe uma imagem de seriedade,ao convidar o septuagenário  Rui Machete  para MNE.
Ainda não tinham passado 24 horas, já os jornais noticiavam as suas ligações ao BPN mas, depois de uns dias de bagunça, tudo voltou à normalidade e o assunto caiu no esquecimento.
No último fds ficou a saber-se que o respeitável Machete  afinal é, apenas, mais um mentiroso. Com a agravante de ter mentido ao Parlamento, o que deveria ser suficiente para ser imediatamente demitido. Mas compreende-se que permaneça no seu lugar. Estamos em Portugal, não temos um PR que faça cumprir a Constituição, é natural que criminosos, bandidos e até pedófilos possam integrar um governo, ante a complacência de um senhor que trocou a vestimenta de palhaço por um fato azul  e insiste em dizer que é PR. Os portugueses, com toda a sua heroicidade, não tugem nem mugem.
Confesso que fiquei surpreendido, pois sempre considerei Machete uma pessoa honrada. Depois pensei, pensei e percebi que RM foi mais uma vítima da doença contagiosa de Pedro Passos Coelho. O maior aldrabão que algum dia ocupou o palácio de S. Bento contagia todos os ministros e converte gente aparentemente honesta em mentirosos compulsivos. A única excepção, ate à data, parece ser Paulo Macedo, mas é bom lembrar que ele é ministro da saúde, pelo que deverá saber como evitar o contágio.
Continuo sem saber se Cavaco continua apenas a fingir que não se passa nada, está a gozar connosco, ou já foi atingido por esta perigosa epidemia

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Os extremos não se tocam

Há várias  curiosidades entre os candidatos a estas autárquicas 2013 que podia realçar,mas optei por esta: um jovem de 18 anos candidata-se a Valpaços e uma respeitável  senhora de 87 anos à câmara de Mortágua. Ambos se candidatam pela CDU e são, respectivamente, o mais novo e a mais idosa das candidatas autárquicas.
Há também uma lista de jovens que se candidata a Tomar, pelo MPT, cujo cabeça de lista tem também 18 anos.

Alguns autarcas são como os espelhos

A comunicação social relata, com estupor, o caso de um candidato autárquico que, estando impossibilitado de se candidatar à Junta de Freguesia, por já ter cumprido três mandatos, pôs a mulher a encabeçar a lista. Com toda a naturalidade explica que a mulher irá desistir e ele, como segundo nome da lista, ocupará o seu lugar. Parece que o caso deste chico esperto de uma freguesia de Sátão não é único e não compreendo tanta estupefacção com a esperteza saloia dos candidatos que recorrem a estratagemas deste género para se perpetuarem no poder. 
O chico espertismo é uma das características peculiares dos portugueses. Outra é a tendência para a vigarice. Muitos dos candidatos a autarcas que pululam por este país são o espelho do povo português. Alguns acabam por chegar ao governo. Não devemos apontar-lhes o dedo e chamar-lhes energúmenos. Afinal, são portugueses iguais a eles que os elegem, não é verdade? 

É só para lembrar...

... que Vítor Gaspar garantiu, em 2012, o regresso de Portugal aos mercados este ano. E até marcou data: 23 de setembro.
Lembro que esse dia é hoje e os juros a dez anos estão acima dos 7%. Tal como em 2011, no tempo em que, segundo Coelho, a culpa era de  José Sócrates porque não tinha qualquer credibilidade externa.
Felizmente, o aldrabão Coelho tem boa imagem lá fora e por isso a Standard &Poor colocou Portugal em Outlook negativo.

domingo, 22 de setembro de 2013

Aprender com os alemães

Acabo de saber os resultados das eleições alemãs. Ao contrário do que a histeria  das últimas semanas deixava adivinhar, os resultados não terão qualquer influência directa em Portugal. Daí, que Merkel ganhar com maioria absoluta ou não seja igual ao litro.
No entanto, o desaparecimento do FDP do Bundestag não deixa de ser uma relativa surpresa. Se nos lembrarmos que o FDP é o partido com mais anos de governação na Alemanha e que ainda nas eleições  de 2009 teve mais de 14 por cento dos votos, esta derrota assume ainda maior expressão e significado. E se nos lembrarmos que foi  Merkel a principal responsável pelo desaparecimento do seu parceiro de coligação, poderemos  fazer algumas extrapolações...
Ao olhar hoje para a Alemanha, talvez Paulo Portas perceba que o destino do CDS em 2015 pode ser o mesmo do FDP alemão. 
O mesmo se diga do PS. Seguro não é alternativa- como não era o lider do SPD Peer Steinbrucker- mas, quanto a isso, o próximo domingo poderá ser muito clarificador.

Atira-te ao rio!

Este é o conselho do BE. ( Via FB)

Contas à moda do Porto

De passagem pelo Porto, converso com alguns amigos sobre as autáqrquicas
-" Como é possível que um partido que pede austeridade aos portugueses apoie um autarca conhecido pelo despesismo e que deixa Gaia como a segunda autarquia mais endividada do pais?" - pergunta um
- " Não acuses o PSD! Aponta mas é o dedo aos portuenses que vão votar nele"- responde outro
- "Qual é o espanto? Porque é que havemos de ser diferentes dos outros portugueses que vão votar no PSD em 2015, apesar de toda a austeridade? E vocês duvidam que se o Isaltino lá em baixo se pudesse candidatar, não ganhava?" - argumenta um terceiro 
- " O Meneses é o único que vai bater o pé a Lisboa. Essa é que é essa!"- defende o segundo
-Tá bem abelha! Saiam uns finos e umas francesinhas para rematar a conversa- sugiro eu.

sábado, 21 de setembro de 2013

Em duas semanas o país mudou

Há duas semanas, quando parti para férias, só ouvia boas noticias. Desemprego a diminuir, juros a baixar, a retoma económica ao virar da esquina. Cada vez mais próximos da Irlanda, diziam os comentadores afectos à trupe do pote.
Ontem, em vésperas de regressar a Lisboa, compro finalmente um jornal e vejo um noticiário da noite na TV até ao fim. Apercebo-me que o desemprego voltou a aumentar, os juros da dívida dispararam, a retoma económica afinal não é para já e um segundo resgate pode estar iminente. Quanto à Irlanda está cada vez mais longe. O que terá  acontecido nestas duas semanas, para uma mudança tão radical?


O alinhamento

Enquanto na imprensa  os jornalistas ( principalmente ao fim de semana)continuam a fazer de moços de recados do governo, ignorando a verdade e vendendo como notícia encomendas ministeriais, certos alinhamentos de telejornais despertam-nos para a realidade.
Vejo na TV um  tipo qualquer da troika dizer que há muitos portugueses desempregados, porque não somos competitivos.
A notícia seguinte informa-me que a comitiva trikista vai gastar, em duas semanas em Portugal, qualquer coisa como 120 mil euros, só em alojamento e pequeno almoço.
Ora adivinhem lá quem vai pagar a conta...

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O rei da comboiada


Desde que foi ao Rio de Janeiro apanhou a mania dos comboiinhos

O desprezível Passos

Leio no " Público" uma entrevista   de Jorgo Chatzimarkakakis ( ex-membro do Partido Liberal alemão, a muleta da senhora Merkel)  que confirma o que eu aqui escrevi aqui há mais de um ano. Se os países do sul se tivessem unido, Merkel teria cedido. As medidas de austeridade não estariam a ser tão duras e o prazo para o pagamento da dívida teria sido alargado por umas décadas.
Jorgo acusa também  Pedro Passos Coelho por ter tornado impossível uma aliança do sul. É isso que mais me dói. Ver um PM que não só  recorre à mentira e às ameaças aos portugueses, para atingir os seus objectivos pessoais, como ainda é visto lá fora como um Miguel de Vasconcelos do século XXI. 

Querem mesmo reformar o Estado? Juram? (7)

Prefiram cabeças, em vez de cús

O aumento do horário de trabalho para 40 horas semanais compreende-se em termos de poupança, nos casos em que os funcionários trabalham por turnos. Acontece, porém, que quem decidiu deve ter um conceito abstruso de trabalho, desconhecer o que é  produtividade e nem sequer ter uma leve ideia  do funcionamento dos serviços e das dificuldades  que a maioria deles atravessam..
Colocar alguém no atendimento ao público oito horas diárias, só pode passar pela cabeça de quem nunca teve relações com o público;
Acreditar que o aumento de número de horas aumenta a produtividade, é o mesmo que acreditar no Pai Natal;
Descontextualizar o aumento do horário de trabalho de novas regras de planeamento e avaliação, é a confirmação de que quem lida com a coisa pública gosta mais de cús do que cabeças.  Importante é dar condições de trabalho aos funcionários públicos, não impedir a sua saída para o terreno, de molde a que possam perceber o que se passa fora dos gabinetes onde (muitos)  andam entretidos a parir leis que ninguém cumpre, ou fiscaliza, acabando por cair em desuso.
Seria importante que os cidadãos pudessem conhecer os planos de actividades dos serviços e o seu grau de (in)cumprimento em tempo útil.
Seria admirável se os governos percebessem que  os cidadãos devem ser encarados como stakeholders dos diversos serviços do Estado, devendo por isso ter o direito de saber o que fazem em prol da comunidade, com que recursos e com que meios.
Gostar mais de cabeças do que de cús, seria inevitavelmente um forte contributo para uma melhor  dinâmica dos serviços e maior interacção entre eles e a população que, uma vez informada sobre a realidade, talvez deixasse de proferir as frases idiotas do costume: " Funcionários públicos são calaceiros; andam a roçar-se pelas paredes; passam o dia a coçar os....; ganham demasiado e são uns privilegiados".
São frases que se ouvem nas ruas, nos cafés, nos cinemas, nos círculos de amigos, proferidas por gente que não tem obrigação de conhecer o trabalho dos funcionários públicos e facilmente se deixa ir na onda  da "vox populi". Compreende-se. O que é inadmissível é o patrão ter a mesma opinião sobre os seus funcionários, porque isso significa que desconhece em absoluto a empresa (Estado) que gere.

Miss Picwick

Marilu mente quase tanto como PPC, mas tem muito menos talento. De miss Swaps, passou a miss Picwick, mas continua com um problema: as suas mentiras são tão inverosímeis, que ninguém consegue encontrar argumentos que as suportem.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Sobre a mentira ( to whom it may concern)

Vejamos o que dizem psicólogos e  psiquiatras sobre a mentira.
Começo pela psicóloga brasileira  Erica Priscila Zia:
"O medo da revelação da verdade e de suas consequências negativas pode levar uma pessoa a mentir.
Muita gente pensa que mentiroso é mentiroso em qualquer situação e momento, mas existem diferentes mentirosos: o mentiroso patológico e o mentiroso comum.
Segundo Erica, o mentiroso patológico, também chamado de mythomaniacs, diz mentiras involuntariamente e cria uma falsa sensação de realidade em sua própria mente, e acredita que todas as mentiras que ele esta dizendo é realmente verdade. Já o mentiroso comum muitas vezes quer somente alegrar alguém, se inserir em algum grupo ou sociedade e por isso acaba mentindo, já que tem vergonha ou mesmo não tem a capacidade de assumir quem realmente é.
Em alguns casos, a mentira se torna preocupante quando traz prejuízos às outras pessoas e aí sim há a necessidade de tratamento.
 A mentira passa a ser preocupante quando a pessoa acaba perdendo o controle do que diz e passa a não medir as consequências, prejudicar outras pessoas além de si mesma. A melhor forma de uma pessoa que mente se tratar é, em primeiro lugar, ela estar disposta a cuidar de sua auto-estima e auto-aceitação, processo que se realiza em terapia”, explica Zia.

Já segundo Adriano Resende Lima, mestre de psiquiatria  da universidade de S. Paulo:
"Viver em um ciclo de mentiras e fazer delas um modo de viver é um problema. 
A pessoa cria situações falsas, vivencia a mentira, cria uma realidade paralela e acredita nela", explicou Lima. Os sintomas podem se assemelhar aos da esquizofrenia, mas enquanto na mitomania a pessoa se sente confortável e realizada com a realidade paralela, na esquizofrenia ela sofre de paranoia. "Os funcionamentos são muito distintos, a esquizofrenia está ligada ou neurodesenvolvimento e tem vários estados de delírio, a mitomania é mais ligada ao funcionamento psíquico", disse ele.

Uma duvida que me atormenta

Tenho ligado pouco o televisor por estes dias mas, quando o faço, vejo sempre o Coelho a falar entre sorrisos sibilinos que me soam estranhos. Tenho dúvidas se é o sorriso dos idiotas ou dos néscios... mas esta enrevista do padrinho à TSF, de que só tomei conhecimento ontem à noite, faz-me acreditar que seja um sorriso néscio.
É melhor para o Pedro, mas não me deixa nada descansado...

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Bebé- proveta

Era um tipo tão liberal, tão liberal, tão liberal, que quando soube que era bebé proveta e tinha nascido num hospital público, quis pagar a proveta ao Estado

O vigarista ingénuo

Passos Coelho insiste que todos os portugueses, incluindo os pensionistas, vive m acima das possibilidades e devem empobrecer. Esquece,porém, que ele próprio vive acima das suas possibilidades. Não terá, porventura,pedido créditos ao banco para consumos supérfluos, mas vendeu o corpo e a alma para chegar ao lugar que hoje ocupa, mentindo deliberadamente aos portugueses.Era bom que alguém informasse o PM(podia ser Seguro, se fosse líder da oposição...) que o lugar que hoje ocupa não lhe advém do mérito. Foi um lugar que ele roubou,mentindo aos portugueses, como qualquer vigarista que ganha a vida impingindo o conto do vigário a velhos analfabetos.
PPC -  pelas tácticas utilizadas para ascender ao poder- não se distingue de um qualquer vigarista acusado de ludibriar pessoas de boa fé. A única diferença e que as mentiras com que ele vigarizou quase dois milhões de portugueses não são julgadas em tribunal, pelo que pode continuar a roubar impunemente os portugueses e a rir-se deles com a mesma cara de ingénuo do puto apanhado a sair de um bordei, que jura a pés juntos que não viu lá mulheres nenhumas e só lá entrou para comprar tabaco.

Cavaco tem uma lata!

Cavaco pediu bom senso a Tróika.Que grande lata tem aquele senhor de fato preto que habita em Belém!!!
Bastava ter tido o bom senso de não ter demitido o governo Sócrates, para não termos chegado a esta situação. Cavaco enterrou o pais e vendeu os portugueses ao FMI , para proteger os amigos do BPN, não tem qualquer moral para pedir bom senso aos nossos credores. O resto não passa de show off!

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Um milhão!

No inicio do ano, o site meter informava-me que o CR tinha recebido 500 mil visitantes. Estava então no hemisfério Sul e, quando me apercebi, já tinham passado umas semanas, pelo que não informei os leitores.
Ontem, o sitemeter avisou- me que já tinha ultrapassado o milhão de pageviews. Desta vez não podia deixar de assinalar o facto e agradecer a todos os leitores. So Instalei  o site meter em Novembrode 2008, o que quer dizer que em menos de 5 anos ultrapassei os 600 mil leitores e, desde o inicio do CR  devo andar pelos 700 mil.Obrigado a todos!

Com dedicatória para o senhor Rosalino




Pequeno contributo para a tentativa de enriquecimento cognitivo dos ilustres membros deste governo que decidiram escolher os funcionários públicos como alvo a abater.



 "A falsa idéa de que o funccionalismo concorreu para a, situação deploravel da fazenda publica, por ter absorvido por muitos annos grande parte das rendas do estado, levantou no paiz um antagonismo de classes, que em circumstancias menos pacificas do que as que vamos atravessando poderia trazer comsigo bem graves consequencias. 
Uma parte da imprensa, como se pretendera lisongear paixões, tem appoiado as manifestações contrarias ao funccionalismo. Faz n'isso um mau serviço, porque é do desacato àquelles que exercem funcções publicas que resulta o abatimento da auctoridade e a quebra do respeito pelas diversas gradações da hierarchia politica. 
As breves considerações que ahi vão escriptas têem por unico fim mostrar a absurda jurisprudencia com que se pretende julgar os direitos dos empregados; a injustiça das arguições que se fazem ao funccionalismo portuguez ; e a sem razão com que algumas classes acintemente lhe estão movendo guerra. 
Ergue-se uma voz, ainda que fraca, do seio d'esta grande corporação chamada os servidores do estado unicamente para ir chamando ao bom caminho a opinião desvairada, e com o fim de protestar contra a perseguição ; não em nome de falsas vaidades, ou de interesses illegitimos, mas em nome de um principio sagrado nas sociedades civilisadas - em nome do direito. 
Na sua curta vida de empregado publico o auctor tem cumprido sempre religiosamente os deveres que a lei lhe marca;nem os seus, bem que insignificantes, trabalhos litterarios ; nem emfim outras applicações a que se tem dado, o distrahiram nunca do cumprimento d'elles ; e ahi estão para attestalo os homens honrados que têem sido seus chefes. 
Estribado, pois, na força da sua consciencia, e nos argumentos copiosos que o assumpto fornece, é que dá à estampa estas ligeiras considerações, precipitadamente escriptas, . que o auctor se honra de offerecer ao illustrado funccionalismo portuguez". 


A.deOliveira Pires in O Funccionalismo
Typographia Universal
29 de janeiro de 1869
Vale a pena ler este pequeno opúsculo de 24 páginas.Talvez esteja  disponível numa biblioteca perto de si.

Post reeditado

Oh Crato! Desce a terra!

Era porreiro se o Crato desse uma volta pelo pais! Pelo menos ficava a saber que o começo do ano escolar não esta a ser normal.Desce a terra, pá! 

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Seguro ainda não percebeu...

O PSD subiu nas sondagens.
Enquanto Seguro estiver à frente do PS, ninguém acredita em alternativas. A bem da Nação, devia renunciar ao cargo e facilitar uma nova liderança.
Seguro ainda não percebeu que é parte do problema e não da solução. Alguém se importa de lhe explicar?

Bom povo português



Há dias coloquei-vos aqui esta questão. Chegou a hora de vos dizer o que penso sobre o assunto.
Como alguns saberão , comecei a minha vida profissional a trabalhar na divulgação do cooperativismo e da defesa do consumidor. Ainda antes do 25 de Abril e  até final dos anos 70, fiz dezenas- quiçá centenas- de sessões de esclarecimento sobre as vantagens do cooperativismo, nomeadamente como forma de resolução dos problemas dos agricultores do norte do país. 
A resistência dos agricultores ao cooperativismo, naquela região, era algo que me deixava perplexo. Como é que eles não viam, por exemplo, que podiam tirar muito mais  rentabilidade das terras se  formassem uma cooperativa  e comprassem maquinaria que poderia ser utilizada por todos, rotativamente, em vez de cada um gastar dinheiro numa máquina que só utilizava uma vez por semana (às vezes nem isso?) 
Nem pensar. Cada um queria ter a  sua máquina,  o seu tractor, o seu arado. Aquele sentido de posse perturbava-me. Por ser irracional, mas também denunciar a inveja de que fala Rentes de Carvalho na sua crónica.
Já começara a perceber que falar de cooperativismo e solidariedade ao bom povo do norte era como atirar bolas para o pinhal, quando  em 74 e 75 estive a cumprir serviço militar.
Nessa altura participei nas campanhas de dinamização cultural da 5ª Divisão. Algo que- pese alguns erros-  ainda hoje muito me honra, devo dizer. Também aqui, o cooperativismo era sempre abordado como uma forma expedita de resolver os problemas agrícolas, nomeadamente no norte do país. Um dia fomos escorraçados, apedrejados e tivemos de fugir à pressa porque, numa sessão perto de Tomar, falámos das vantagens das cooperativas, como forma de combater os lucros especulativos dos intermediários. 
 O problema – descobri- não é, afinal, específico do Norte. É um problema do português.  Invejoso e com um sentido de posse exacerbado, a partilha é algo que não faz parte do seu vocabulário. A solidariedade do português termina no momento em que se fala de propriedade.
Não me venham dizer que a "experiência traumática" das Unidades Colectivas de Produção  vacinou os portugueses contra o cooperativismo. Não é verdade. Quando a sociedade de consumo explodiu em todo o seu esplendor, nos anos 80, vieram à tona as piores características dos portugueses: a inveja e a cobiça. Como escreve Rentes de Carvalho
Quanto ao resto, já escrevi em tempos o que penso do povo português. Apesar de espezinhado, espoliado, roubado, muito desse povo irá votar no PSD e no CDS nestas autárquicas que se avizinham e também em 2015, porque a sua mentalidade não muda. No fundo, também ele acredita que temos de expiar os nossos pecados através do sofrimento, e temos de ser castigados por "termos andado a viver acima das nossas possibilidades". O português pensa assim, mas não é por causa dele, que é muito responsável, é por causa dos outros- os néscios que tal como ele se endividaram, mas não deviam. O que o povo português gosta é de caridadezinha, não é de solidariedade. Quando critica os políticos, esquece-se que "é ele" que está no poder,
Para quem já não se lembre, quando lhe tiram a fotografia, o povo português é isto..

Those were the days (26)

Ayuthaia (Tailândia)
Brincando ao Portugal dos Pequeninos

domingo, 15 de setembro de 2013

Postal de férias (3) Tasse tão bem no campo!


Ando um bocado cansado de comboios,aviões, esperas em aeroportos e optei por ficar por Portugal (apenas com um saltinho à Galiza) e instalar-me em casas de aldeias.  Foi curioso ver que conheço todas as aldeias  sugeridas há umas semanas pela Visão ( vantagens de quem viaja muito pelo país em trabalho, mas também em lazer) Não foi, porém, em nenhuma delas que decidi  instalar-me durante uns dias. Foiaqui.
Estes dias de ripanço...

 
estão a ser muito produtivos, mas amanhã  já vou atravessar a fronteira...

sábado, 14 de setembro de 2013

Um Portas que desonra a familia

Paulo Portas foi celebrar o aniversario a Washington.Ja perdi a conta as vezes que o tipo foi la desde que entrou para o governo. Vivi em Washington e tenho-me perguntado sobre as razoes que levam o Paulo tantas veizes a capital americana.Sera o prazer imenso de se plantar diante do Obelisco?
Pelas poucas notícias que tenho lido, percebi que Paulo Portas tem sido humilhado pelo Passos e continua com ar feliz.Pobre mãe que pariu um canalha como o Paulo e se vê  obrigada a defende-lo e dar-lhe os parabéns por ter nascido!

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Passos,a viuva de Salazar e o papagaio Jacob

Ainda trazia na retina a paisagem esmagadora de terras durienses, que revisito sempre com renovado êxtase, quando entrei no parque natural do Alvao.A paisagem de floresta ardida, num dos mais belos cenários de pinheiros existentes em Portugal fez crescer dentro de mim um sentimento de revolta e tristeza.
Absorto na paisagem circundante nem me apercebi que o Cd terminara. Foram os pis do sinal horário, anunciando as notícias que me trouxeram de novo a realidade.
Uma visita de PPC a Oliveira do Bairro foi a noticia e abertura. O jornalista dizia que o Pm fora recebido com apupos e insultos, mas o que se ouvia eram aplausos. Entre eles sobressaiu a voz de uma mulher reclamando o regresso de Salazar ou, na impossibilidade da ressurreição, o apelo a um novo Salvador que o substituísse, para salvar Portugal.
- Devias ir dar com os costados ao Tarrafal para veres como era bom no tempo do Salazar-respondi em conversa com os meus botões que não retorquiram pois, por aquela hora estavam refugiados na mala, porque eu apenas vestia uma t-shirt t
-Não e preciso tanto-respondeu-lhe PPC travestido de Pm democrata
-PQP esta gente-respondeu o papagaio Jacob que habita dentro de mim
Acelerei em direcção a Mondim, onde me vinguei castigando o corpo no SPA do hotel que escolhi para refugio durante uns dias.

A long,long time ago

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Não há machado que corte a raiz ao pensamento?

“ (…) Os espaços de pensamento estão a desaparecer . No teatro diz-se (já o ouvimos muitas vezes): o teatro não é para pensar.No cinema diz-se: o cinema não é para pensar. Na arte diz-se: a arte não é para pensar. Ma literatura diz-se: a literatura não é para pensar. Nos jornais: os jornais não são para pensar e etc, e etc. A questão que fica é: então onde é que se pensa? No quarto, sozinhos? Fechados na casa de banho? Num submarino? 
Pensar tornou-se quase sinónimo de incomodar os outros Como se pensar fosse uma falta de educação (…)”
( Excerto da crónica de Gonçalo M. Tavares na Visão de 22 de Agosto)
A esta questão levantada pelo autor de “Uma Viagem à Índia”, já Gilles Lipovetsky vem respondendo  há uns anos nos seus livros, onde analisa de forma desassombrada e inquietante as consequências de uma sociedade do consumo, onde impera o nihilismo e a necessidad1e premente de as pessoas satisfazerem  os seus desejos de forma imediata e acrítica. A novidade, o desejo de singularidade e o triunfo do individualismo, endeusados pela sociedade de consumo como bens supremos, em concubinato com as novas tecnologias, conduziram-nos a uma atitude reactiva, imediatista, onde a reflexão  e o pensamento raras vezes conseguem ter  lugar.
Este facto é muito visível nas redes sociais. Pensa-se pouco e escreve-se o que vem à cabeça no momento. Não estou a dizer que isso seja mau. Apenas que é pouco.
A blogosfera parece ter sofrido um pouco com o aparecimento do FB. No início  havia muitos blogs  que convidavam os leitores à reflexão. As caixas de comentários eram um espaço de troca de ideias. Foi isso que me levou  a criar este blog.
Com o tempo, a blogosfera foi-se tornando refém da política e, com o aparecimento do Facebook, muito mais imediatista. Eu próprio caí nesse erro.  A reflexão deu lugar ao imediatismo reactivo.
Felizmente ainda há blogs onde se cultiva o salutar princípio de dar espaço às opiniões dos leitores e de com eles interagir. Reconheço, com alguma mágoa, que o CR deixou de ser um deles.  Passei a pensar fora da blogosfera, em circuito fechado, numa tertúlia de amigos cada vez mais espaçada, ou em círculos de reflexão.
Na blogosfera tornei-me câmara de eco do que se vai passando no país. 
Não sei se vou a tempo de arrepiar caminho e voltar às origens, mas vou fazer um esforço. Se não conseguir, talvez seja melhor partir para outra. As férias são um bom momento para reflectir sobre isso. Porque reaprender a pensar é preciso.

Notícias do novo ciclo(7)

Paulo Portas faz exigências a Tróika,mas Pedrito discorda. Foi inaugurado um novo sistema político: um governo, dois sistemas

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Postais de ferias (2)

Esta-se muito bem no parque natural do Alvao. Pena que num hotel de 4 estrelas não se respeite o interesse dos clientes e se tenha de esperar que termine o serviço de jantar,para se ser atendido no bar. Resultado: em vez das três noites programadas, fiquei pelas duas. Azar para mim, para o hotel que não me voltara a ter como cliente enquanto não tratar as pessoas como merecem e para um jovem desempregado que poderia estar a trabalhar durante o verão, reduzindo a taxa de desemprego.

Entre Margens



Lembram-se do que escrevi sobre esta exposição?
Nessa noite  também tive oportunidade de assistir a um espectáculo acústico que exalta o Douro. Fazer música com pipas de vinho foi uma ideia original que exige talento e músculo. Como as fotos que então tirei não têm som, convido-vos a ouvir aqui um pequeno excerto.

domingo, 8 de setembro de 2013

Postal de férias (1) - Aqui há fantasmas?


Gosto de vir para férias  cansado. Faz-me sentir que as mereço...
Desta vez, contudo, parece que exagerei. As duas últimas semanas foram loucas e na sexta-feira, quando cheguei aqui ao hotel, comi  um snack, vim para o quarto e dormi treze horas seguidas!
Ontem estava suficientemente descontraído para dar umas passeatas, sentar-me a ler à sombra de uma árvore  ou, pura e simplesmente, andar a "tirar água sem caneco".  
À noite  foi diferente. Não tinha sono, acabei  de ler “ O Navio do Destino” – livro delicioso sobre o Serpa Pinto-  e não me apetecia começar outro, o sinal de Internet estava fraco e resolvi  ligar a televisão. Baixinho. 
Às tantas comecei a ouvir uns sons provenientes do  quarto contíguo, cujo volume foi aumentando. Como na recepção me garantiram que os quartos contíguos ao meu  não estavam ocupados, creio que  os sons eram provenientes de uma  Twilight Zone onde el-rei  D. Manuel II e Gaby Deslys  reviviam os seus amores com inusitada volúpia.  O mais estranho é que, em música de fundo, se ouvia o Cole Porter. Ao vivo!
Não vos estaria aqui a maçar com as minhas insónias se esta manhã, quando descia para o pequeno almoço, não tivesse dado de caras com a Agatha Christie, em roupão,  a sair do quarto nº 7.  Ainda  mal refeito do susto,  cruzo-me  com o Luigi Pirandello, que acabara de tomar o pequeno almoço.
Bem... não sei se me fez mal ter dormido tantas horas, ou se pirei de vez. Por agora o melhor talvez seja mudar de hotel, para me ver livre das alucinações. A propósito… em que hotel é que eu estarei? Não sabem?
Então descubram a resposta aqui

sábado, 7 de setembro de 2013

Não adianta chorar...

Não sabe o que é Fiofó? Então o melhor é googlar, que eu não vou traduzir, não!


Não podia deixar de dar a minha opinião sobre a decisão do TC em relação aos dinossauros. 
Devo dizer que concordo em absoluto. Não compete ao TC fazer aquilo que os partidos não tiveram a coragem de fazer. Nem tão pouco substituir-se aos eleitores. Era isso que estaria a fazer se proibisse as candidaturas.
Os partidos deviam ter vergonha e não apresentar candidatos cuja legitimidade está sob suspeita, por supostamente estarem a ir contra o princípio estabelecido na Lei?  Deviam. Mas já percebemos que não têm, caso contrário teriam clarificado o que pretendiam na AR, sem precisarem da intervenção do TC.
São imorais as candidaturas de Seara e Meneses? 
Não me parece. Impedir alguém de se candidatar por decreto ou decisão judicial fundamentada em questões políticas, seria um mau princípio. Essa opção devia ser exclusivamente dos partidos? Obviamente que sim, mas nessas fábricas produtoras de lapas  agarradas ao pote, já não resta um pingo de vergonha ou dignidade.
“Ah, e tal, mas o povo está insatisfeito…”- ouvia dizer ontem de manhã numa estação de serviço.
Apeteceu-me responder “ O povo tem bom remédio. Basta não votar neles”.  Não o fiz, mas não foi por vergonha. Foi por pensar que o povo de Oeiras ( até bastante culto e com formação superior) continuou a votar em Isaltino, apesar de o autarca ter sido  condenado  e  utilizar expedientes para fugir à justiça. 
Nessa altura o que disse o povo?  “Ah, tá bem, o gajo rouba mas tem obra feita”. ( Não, o mesmo não se pode dizer de Gondomar ou de  Felgueiras, porque  Valentim e Fátima não foram condenados…)
Moral da história: o povo gosta é de forró. Se lhe puserem à frente um criminoso com quem simpatize, o povo vota.  É isso que vai acontecer no Porto, por exemplo. Os portuenses – apesar de sobejamente avisados sobre  o estado calamitoso em que Meneses deixou as finanças da câmara de Gaia, dá-lhe generosamente a maioria.  O problema é dos tripeiros. Dos que votam em Meneses, ou dos que se abstêm, porque não gostam de nenhum candidato.  
Não queiramos é que o TC se substitua aos eleitores. Não é aos juízes que compete esclarecer o povo, é aos partidos. Se o povo gosta de ser enganado, paciência, mas como não podemos mudar de povo, talvez não fosse má ideia os abstencionistas de esquerda repensarem  a sua atitude e irem votar.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Eu sei que o tempo não está para festejos, mas...


Obrigado a todos os leitores ( mais de 600 mil)  que por aqui passaram ao longo destes 6 anos e, muito especialmente, a todos aqueles que por aqui passam diariamente.. Sem as vossas palavras de incentivo, nunca teria chegado aqui. OBRIGADO!
E agora, se me permitem, vou de férias, mas deixo aqui o bolo e o espumante para logo à noite podermos  fazer tchim-tchim!

Prometo enviar uns postais a dar notícias, ok? Até já!

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Grandes autores (20)

Charles Dickens (1812-1870)

Tenho enorme dificuldade em afirmar que haja algum livro de Charles Dickens que possa incluir nos " livros da minha vida". De  David Copperfield a Oliver Twist - e sem esquecer  Mr Pickwick-  os livros de Charles Dickens foram de grande importância na minha adolescência, ajudando-me a perceber que as histórias, como a vida,  nem sempre têm finais felizes.
O que posso dizer, para justificar a inclusão de Dickens nesta lista, é  que foi o que li da sua obra  a merecer a distinção e não um livro em particular. No entanto, se tivesse de escolher um, seria "David Copperfield"


O bom caminho

Quanto mais baixam os salários, mais  Portugal se afunda no ranking da competitividade. Não obstante ( estou a deixar-me influenciar pelo láparo) o nosso PM diz que continuamos no bom caminho.
Não te cures, não!

Maria Luís Albuquerque casou virgem...

Pedro Passos Coelho reconhece que enlouqueceu

Já sabemos que Pedro Passos é um mentiroso compulsivo.
Já sabemos que Pedro Passos não cumpre nem honra a sua palavra.
Já sabemos que Pedro Passos não tem educação.
Ficámos a saber, nos últimos dias, que Pedro Passos não tem memória  e - ele  próprio o admitiu- enlouqueceu.
Há dois anos queria rever a Constituição; no sábado  disse na Universidade dos Jotinhas que não era preciso rever a Constituição.
 Face ao reconhecimento público de que não está no seu juízo perfeito ( se duvida siga os links e leia/veja/ouça  a confissão pela voz do próprio) Cavaco deveria demitir imediatamente Pedro Passos.
A maioria dos contribuintes nem se importará de partilhar as despesas do tratamento, desde que PPC assine uma declaração- com assinatura reconhecida em notário-  comprometendo-se a nunca mais  se candidatar a um cargo público.

Isabelinha, está na hora de ires ao pote!


Paulo Portas: O que se passa com a Isabelinha, que está com ar tão stressado, Marilú?
Marilú: O Paulo imagine que quando disse à Isabelinha que estava na hora de ir ao pote, ficou tão  excitada que engoliu  a colher da marmelada. Dizia que não tinha idade para ir ao pote! Já  viu isto? Com 47 anos e acha que ainda é cedo para ir ao pote...

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Grandes autores (19)

Ferreira de Castro (1898-1974)


Lembro-me bem da forma empolgada como li "A Selva". Muitas décadas depois, ainda sei de cor algumas das suas passagens, porque  "encarnei" em Alberto e vivi a sua vida com o mesmo deslumbramento que Ferreira de Castro emprestou à sua personagem. 
 Um dos livros da adolescência que mais me cativou e deixou marcas profundas na minha  forma de encarar as coisas e a própria vida, onde a lei do mais forte  selecciona os vencedores, mas nunca nos devemos dar por vencidos. Foi com "A Selva" que percebi que se um dia viesse a viver num Portugal democrático, teria de estar atento a todos os sinais que indiciassem a deterioração da democracia. E se na altura acreditava que a democracia haveria de chegar a Portugal, não acreditava que os portugueses seriam incapazes de a preservar.
Nessa época, ainda acreditava na bondade e abnegação do povo e na sua atenta vigilância.

Cunhal não ia gostar disto!


Se Álvaro Cunhal fosse vivo não ia gostar de saber isto.

Lições do menino Tonecas

Se vivessemos em democracia e em Belém, em vez de um reformado lamurioso, estivesse  um Presidente da República com capacidade para exercer  na plenitude as suas competências, ontem à hora do telejornal teria sido anunciada a demissão do governo.
Ser  PR é bastante mais do que ganhar umas guitas com acções, graças a amigos  colocados no poder que acabaram a vigarizar os portugueses;
Ser PM é bastante mais do que polemizar em estilo conversa de café rasca, com os juízes do TC;
Ser PR, ou PM, é  fazer cumprir e respeitar a Lei Fundamental, não é tentar torpedeá-la com espertezas saloias ao estilo do menino Tonecas.
Porque nem PR nem PM cumprem uma Constituição que juraram defender, é melhor  começarmos a perceber que já não vivemos em democracia e, se quisermos recuperá-la, teremos que lutar por ela.


Querem mesmo fazer a reforma do Estado? Juram? (6)



Racionalização criteriosa dos serviços

Não sei se há funcionários públicos a mais. Sei é que Portugal é dos países da OCDE  onde- em termos relativos-  há menos funcionários.
De uma coisa tenho, porém, quase a certeza: há serviços a mais. 
Já tentei explicar a razão de haver tanto serviço público. Agora é altura de fundamentar a sua redução, com base na necessidade de prestar serviços de melhor qualidade aos cidadãos.
A redução pode ser feita pela incorporação de pequenas  direcções gerais em estruturas mais amplas, passando as pequenas unidades a departamentos dos ministérios. E pode também ser feita por fusão.
A fusão de serviços não implica despedimentos. Pelo contrário, poderá permitir uma maior eficácia,  com mais recursos humanos orientados para um objectivo comum.  O cidadão só teria a lucrar com isso.
As poupanças resultariam essencialmente da redução do número de chefias ( mas depois como é que os políticos alimentavam as jotinhas partidárias, não é?) , da utilização comum dos recursos e da diminuição dos custos logísticos. Apenas um exemplo: 
Cada vez que há uma alteração na Lei Orgânica de um governo, deitam-se ao lixo milhares de euros. Alguém imagina o que é gasto em envelopes, por todos os ministérios e serviços que mudaram de nome ou de tutela? Provavelmente no governo nunca ninguém fez essas contas, caso contrário, ter-se-iam  poupado várias centenas de milhares de euros. 
Todos os funcionários públicos têm direito a estar bem instalados. Mas alguém tem dúvidas de que não há um aproveitamento racional das instalações de que o Estado é proprietário ou arrendatário? 
 Há muito a fazer nesta área, mas é preciso conhecer profundamente a máquina do Estado e, principalmente, a sua estrutura e logística, coisa que os nossos governantes - desde há mais de uma década- não fazem a mínima ideia como funciona..