sábado, 31 de agosto de 2013

Estrelinha que os guie!

Todos os candidatos à Câmara de Gaia ( com excepção de El Gordo Amorim) exigiram que Luís Filipe Meneses cancelasse um concerto de Tony Carreira em Oliveira do Douro, pago pela autarquia, em vésperas de início oficial da campanha eleitoral. 
Pressionado, Luís Filipe Meneses foi obrigado a cancelar o concerto.
Como é que o Correio da Manha dá a notícia? Omite a carta enviada por todos os candidatos e titula:
" Luís Filipe Meneses proíbe concerto de Tony Carreira"
É preciso não ter um pingo de vergonha e não honrar a profissão para um jornalista escrever uma notícia como esta.
Sabem que mais, senhores escroques jornalistas do Correio da Manha? Estrelinha que vos guie! E o resto também. 
Diga-se em abono da verdade, que a escroqueria jornalística não se restringe ao CM. Ainda ontem  vários jornais, ( DN, Sol, DE...)  na sequência do chumbo do TC ao diploma do governo sobre a requalificação, deixavam transparecer para a opinião pública, a ideia de que a decisão impedia o despedimento e dava garantia de emprego aos funcionários públicos para toda a vida. Não acredito que os jornalistas sejam tão burros e tão ingénuos para escreverem uma barbaridade dessas.  Mesmo sabendo que faltavam à verdade, escolheram títulos que agradassem à maioria da populaça que os lê e acredita que os problemas do país se resolvem despedindo funcionários públicos ( que meses depois estarão a ser substituídos por gente com cartão laranja ou azul e amarelo).
Talvez um dia destes ainda escreva sobre este assunto, mas por agora apenas queria deixar-vos com uma reflexão de fim de semana:
Vale a pena gastar dinheiro em jornais que deturpam constantemente a verdade? E podemos acreditar em jornalistas que hoje estão numa redacção, amanhã dão um salto até um gabinete ministerial e depois regressam ao jornalismo, como se nada se tivesse passado?

A preparar o terreno...



Como já se esperava há meses, vem aí o segundo resgate.
Como também já vem sendo habitual, a culpa não é da governança desastrada, mas sim do Tribunal Constitucional- a força de bloqueio.
Não há hipótese. Este miúdo não cresce

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Jantar chinês

Tenham um excelente fim de semana

Portas aos seus amores tão dedicado...



O título “Portas endurece troika”  é  um bocadinho perverso  e está desactualizado.
É verdade que quando a troika soube que Portas tinha batido com a dita, ficou alvoroçada e tremeu de medo. Vai daí, substituiu imediatamente o escurinho e admitiu mesmo permitir que o défice português chegasse aos 10%.
Isso foi, porém, numa primeira fase.
Quando  percebeu que Portas se  deixava comprar facilmente, em troca de um gabinete jeitoso num palácio, a troika mudou de estratégia. Informou-se sobre as estâncias de Inverno preferidas pelo vice-primeiro ministro e ofereceu-lhe um livre de trânsito, acompanhado do pagamento vitalício de anuidades para um solarium da moda.
O arquitecto do Sol(stício) tem de arranjar melhores investigadores antes de fazer primeiras páginas bombásticas, mas só o vai perceber quando ouvir Portas , num discurso inflamado em que aparecerá ao país com a bandeira nacional a cobrir-lhe o corpo, dizer que ultrapassou a “linha vermelha” e aceitou tudo que a troika impôs, por amor à Pátria.

Querem mesmo fazer a reforma do Estado? Juram? (2)

Então acabem com a cultura do chefinho


O número de chefias em cada serviço  é mais ou menos aleatório. Daí que se encontrem chefes de divisão a coordenar 70 ou 80 funcionários e chefes de departamento a dirigir duas, três, ou cinco pessoas.  
O mais surpreendente é esta irracionalidade coexistir dentro de um serviço e não ser apenas variável consoante os ministérios- o que, apesar de absurdo, ainda se podia compreender.  Há serviços onde um chefe de divisão coordena mais funcionários do que um chefe de departamento, o que é uma aberração inexplicável.
Deveria ser estabelecido um ratio chefias/ funcionários – pelo menos no âmbito de cada ministério- que acabasse com o desperdício. 
É possível – e desejável- reduzir o número de chefias. E não apenas as intermédias.
Há um exagerado número de direcções gerais. Algumas têm 20 ou 30  funcionários e a sua existência deve-se ao facto de ser preciso alimentar clientelas partidárias, oferecendo lugares de directores gerais.
Muitos destes directores de estruturas minúsculas, são lá colocados pelos partidos para aprenderem a tecer as teias do poder, em microcosmos unicelulares  que depois interagem até formarem um corpo uniforme e coeso.
A maioria destas micro direcções gerais devia  ser integrada em estruturas mais alargada  dos ministérios da tutela, com um nível de departamento.. Além de ganhos de  eficácia, a  poupança também seria significativa, pois poupar-se-ia em automóveis, despesas de funcionamento e logística.
Falando apenas das viaturas...
Em qualquer país do mundo remediado- e mesmo em alguns países ricos- os directores gerais deslocam-se nos transportes públicos, ou no seu carro particular, como qualquer funcionário. Em Portugal, director geral é sinónimo de diversas mordomias, entre as quais se inclui o direito a viatura que o vai buscar e levar a casa, além de outros biscates. Ora  este governo, em vez de cortar nas viaturas, faz exactamente o contrário, atribuindo viaturas do Estado a  alguns directores gerais que não tinham esse privilégio. Claro que o carro é atribuído ao serviço e não ao director- geral, mas toda a gente sabe como as coisas funcionam....

Lição da Universidade do PSD: os pais andam a chular os filhos



Ontem, na universidade de verão do PSD, Alexandre Relvas explicou aos jovens laranjas que os pais deles são uns chulos  que andam a viver à conta dos filhos.
Nem o facto de a intervenção de Alexandre Relvas  assentar numa mentira ( há muitos mais pais a sustentar os filhos do que o contrário)  e ter sido feita durante um jantar, justifica as afirmações deste empresário, certamente habituado a chular trabalhadores das suas empresas - o que deve achar justo.
A intervenção de Relvas - acirrando o combate intergeracional- é inqualificável, própria de um escroque, mas explica a razão de haver cada vez mais filhos a bater/ matar os país.
Relvas foi muito aplaudido, pelo que se fica a saber que aqueles jovens concordam com a tese de que os pais são um estorvo e talvez seja melhor matá-los com uma injecção atrás da orelha
No fundo, a culpa de haver gente com tanta baixeza moral como este Relvas é dos pais.Andaram a criar monstrinhos, fazendo todas as vontades aos filhos e incapazes de os contrariar nos seus desejos,exigências e birras. Não é preciso ser psicólogo, pedopsiquiatra nem pedagogo, para perceber que o resultado seria este.Talvez seja o castigo que alguns paizinhos merecem!
Se tiverem estômago para ouvir as declarações do empresário Relvas- mais um discípulo de Cavaco, cujo goveno integrou- , é só seguirem o link
Se vomitarem, a responsabilidade não é minha...

Those were the days (23)




Xangai ( the old town)

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Grandes autores (17)

Alfred Döblin ( 1878-1957)
Eu sei que um livro apenas não serve para definir um grande autor, mas lembro-vos que esta rubrica surgiu para responder a um desafio da Teté sobre os 50 livros da nossa vida e expliquei-vos neste post as dificuldades que senti em dar resposta ao desafio.
Ora, "Berlim , Alexander Platz" está, seguramente, entre os 10 livros da minha vida. Não li mais nenhum livro de Döblin- creio não ter mais nenhum publicado em Portugal-   mas esta obra fascinante justifica plenamente, pelas razões acima aduzidas, a inclusão de Alfred Döblin na minha lista de grandes autores.

Those were the days (22)

Esta fotografia não vos recorda nada?  Que tal irem aqui para recordar?

Chumbado!

O Tribunal Constitucional chumbou a requalificação. Mais uma derrota para o governo, desta vez  bastante clara ( 6-1). Com tanta derrota, o governo já devia ter sido despromovido, proibido de participar em competições e os jogadores irradiados, mas o árbitro está comprado e faz de conta que não vê as sucessivas agressões.
O chumbo, porém, não  justifica que os funcionários públicos deitem foguetes. O governo estava preparado para e vai accionar o plano B: reduzir, ainda mais, os salários, enviar mais funcionários para a mobilidade especial e reduzir o pagamento dos que forem atirados para o lixo.
Palpita-me que o governo vai ficar a ganhar…

Tudo dentro da normalidade excepto...

Morreu hoje mais uma bombeira. Tinha apenas 21 anos.
Não há registo de um tão elevado número de bombeiros mortos durante o combate aos incêndios, em tão curto espaço de tempo. Mais... na primeira década deste século ( 2000 a 2009) morreram 23 bombeiros no combate às chamas. Só este mês já morreram cinco. A maioria deles jovens na casa dos 20 anos, com um futuro todo pela frente.
Estes números e o espectáculo  devastador  que nos é mostrado pelas televisões a cada hora, não preocupa minimamente o nosso primeiro ministro.Ele até admite que haja mais mortes, porque "quem anda à chuva molha-se" Está tudo dentro da normalidade e não se pode responsabilizar ninguém.
Sim, dentro de um quadro mental com distúrbios graves, onde a mentira e a realidade se misturam no mesmo quadro de ficção, é normal. João Miranda, por exemplo, acha que as mortes dos bombeiros são um desperdício e só servem para dar lucro aos bombeiros E também para eles se envaidecerem...
Tudo normal, portanto, dentro de certos quadros mentais criados em laboratório
Preocupante é que esses quadros mentais  coincidam com a reacção do primeiro ministro.

Querem mesmo fazer a reforma do Estado? Juram? (1)

Já se percebeu que quem  governa é absolutamente ignorante sobre a coisa pública.
Não faz a mínima ideia como funciona a máquina do Estado. Desconhece  as funções dos serviços. É incapaz de determinar os pontos de confluência entre organismos  (por vezes sob a alçada deo mesmo ministério) com  competências de tal modo próximas, que podem criar sobreposições e conflitualidades. Não sabe discernir entre  a percentagem   do orçamento de cada serviço que é gasta em mordomias  e a que é utilizada para cumprir a sua função. Não consegue determinar o desperdício com chefias intermédias, porque desconhece o “ratio”.
Daí que, quando falam de reforma do Estado, os senhores governantes só falem de cortes. Em vencimentos e em pessoal.   Exactamente o que  diria qualquer idiota, apanhado por uma câmara de televisão e um microfone, num inquérito de rua sobre o assunto.
Não tenho a veleidade de querer ensinar aos nossos governantes  como se faz uma reforma do Estado, mas sempre lhes digo que se querem cortar tenho muitas ideias  sobre o assunto  e nenhuma delas esquece que os funcionários públicos são pessoas.  Iguaizinhas às que trabalham no privado. Com família. Com direitos que devem ser respeitados. Que assinaram de boa fé um contrato com o Estado, por que pensavam ser uma pessoa de bem e mais fiável que alguns  ladrõezitos de casaca, a operar no sector privado. 
Mas se  o governo insiste nos cortes, tenho algumas  boas sugestões que vou deixar aqui nos próximos dias.

Peço desculpa, mas não percebo...

Sinceramente, não percebo qual é a indignação contra Maduro, por causa de levantar esta suspeição! Seria a primeira vez que os Estados Unidos se livram  de líderes inimigos, utilizando estratagemas semelhantes?
Além disso, desde quando é que os Estados Unidos respeitam os Direitos Humanos? Guantanamo será uma ficção?  O Mccarthismo nunca existiu? Porque havemos de acreditar que agora os americanos são diferentes, se há menos de meio século ainda  segregavam e perseguiam os negros?

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Grandes autores (16)

William Faulkner (1897-1962)



Embora "A Aldeia" tenha sido, se bem me lembro, o  livro que me deu a conhecer  William Faulkner,  "O Som e a Fúria" foi o único livro do autor que me empolgou. De tal modo, que não posso deixar de o  incluir no top-50.
Faulkner ganhou o Prémio Nobel em 1949 mas, em minha opinião, outros autores seus contemporâneos mereciam-no mais do que ele


Manuela e os direitos das minorias



Desempregada desde 2009, Manuela Moura Guedes dizia há dias numa entrevista:
"Tenho nichos de mercado. São os pobrezinhos, os toxicodependentes,os gays, os sem abrigo. Depois a classe A/B. É uma coisa esquisita... Não sei, só atraio minorias"
Estas declarações - pese embora o mau gosto e desconhecimento da realidade ao incluir os pobrezinhos nas minorias- eram premonitórias. Dias depois foi contratada pela Valentim de Carvalho para apresentar, na RTP, o " Quem quer ser milionário?"
Os milionários - como os espectadores da RTP-  são efectivamente uma minoria, pelo que MMG bem pode dizer que o seu poder de atracção pelas minorias continua imparável. 

A diferença está na cor

Fui um dos que ingenuamente acreditou que o mundo ficaria menos perigoso e mais saudável com a eleição de Obama. Durou pouco tempo a minha ilusão...
Nunca acreditei foi na possibilidade de Obama vir a desencadear uma guerra com pretextos em tudo similares aos usados por Bush para invadir o Iraque. (Nada mau para um Nobel da Paz!)
Tudo indica que isso irá acontecer em breve. Obama- tal como Bush-  violará as decisões da ONU e, com o apoio de Cameron  atacará a Síria. A pretexto de terem sido usadas armas químicas, que a ONU não conseguiu confirmar e, muito menos, determinar se foram usadas pelas tropas de Assad ou pelos rebeldes, armados pelo Ocidente. 
Apesar dos avisos da China, da Rússia e do Irão, os Estados Unidos parecem estar determinados em avançar. Às cegas e colocando em risco a paz mundial. 
Obama está a ficar  cada vez mais parecido com Bush. Um dia destes, a única diferença é a cor.
É triste constatar isto, no dia em que se assinalam os 50 anos do célebre discurso de Martin Luther King, mas...é a vida!
Em tempo: Diga-se,em abono da verdade, que o apoio do PS tuga ( Seguro estará a candidatar-se a suceder a Barroso como mestre de cerimónias nos Açores?) e de François Hollande (outro socialista de gema - deteriorada) merece igual repúdio, mas estes são apenas aspirantes ao lugar de capatazes.

Qual é o espanto?


Se Pedro Passos Coelho - que prometeu acabar com a austeridade durante a campanha eleitoral- fez o seu programa de governo assente na mentira, na falsidade, na vigarice e na falta de honestidade intelectual;
Se a Lagarde está a contas com a justiça francesa  por suspeitas de favorecimento a Bernard Tapie...
como é que queriam que eles fossem sérios a apresentar contas?

Ora adivinhem lá...

... porque é que o preço das casas em Lisboa subiu  10% no último mês?
Porque os portugueses estão mais confiantes no futuro?- Frio
Porque a economia está outra vez a crescer?- Gelado
Porque o crédito está mais fácil e barato?- Frio
Porque aumentou o investimento estrangeiro em Portugal? - Morno
Porque Portugal é uma boa porta de entrada para a Europa? - Quente!
Pois é.... os Golden Visa ( Vistos Dourados) criados por Paulo Portas e concedidos aos estrangeiros que adquiram imóveis em Portugal de valor superior a 500 mil euros, estão a ser um sucesso.
Só em Julho e na primeira quinzena de Agosto foram concedidos 137 - um aumento de 191%  em relação a Junho- e estão mais 98 na fase final de apreciação do processo.
Depois de termos importado mão de obra barata, agora importamos ricaços e mafiosos. China Rússia e Angola - por esta ordem- ocupam os lugares do pódio entre os países com mais golden visa obtidos, tendo relegado o Brasil para o quarto posto.
Obviamente que estas pessoas procuram essencialmente casas em Lisboa, sendo essa a razão do aumento do preço na capital, enquanto no resto do país continuou a descer ou manteve-se estável ( com excepção do Porto, onde o aumento foi de 1,8%).
A procura deve continuar a acelerar nos próximos meses. Pelo menos é isso que eu infiro, depois de ter sido contactado na última semana por três interessados na compra da minha casa, por valores bastante superiores ao que eu esperava.
Estou a pensar seriamente voltar para o rochedo e dizer outra vez adeus a Lisboa, mas hesito, porque a percentagem cobrada pelo governo aos proprietários das casa, através desse imposto /roubo que se chama Imposto Sobre as Mais Valias é uma chulice inqualificável!



Those weere the days (21)


Alhambra (Granada)

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Grandes autores (15)

Ernest Hemingway ( 1899-1961)

Se "Por Quem os Sinos Dobram" é o livro que me leva a incluir Hemingway nesta lista, não posso deixar de fazer referência a " O Velho e o Mar"  e "Fiesta".
São dois grandes títulos deste jornalista/escritor norte-americano com  ligações à Europa, (especialmente a Espanha) onde viveu durante alguns anos e se apaixonou por uma enfermeira que seria inspiração para outro dos seus romances ( que não li): Adeus às Armas.
Espírito irrequieto e apaixonado, pertencente àquela geração que Gertrud Stein baptizou de "perdida", Hemingway  casou quatro vezes, apaixonou-se  muitas mais, viveu  na Europa, em  Cuba e acabou por se suicidar, incapaz de enfrentar uma velhice complicada em termos físicos. 
Recebeu o prémio Nobel em 1954.

O alambique



Este post da Rosa remeteu-me para uma outra crónica de Mazagran.
Em “Ao pé do alambique”, J. Rentes de Carvalho escreve:
Em matéria de feitura de vinho, solidariedade não há, só inveja. Cada um pisa com a família as uvas que lhe darão duas ou três pipas pequenas de duzentos litros. Com o risco que isso comporta de perdas por descuido e falta de conhecimentos necessários. Porque só por si a tradição e a experiência não bastam. Mas não entrará na cabeça de ninguém a ideia de uma união. Nem pensar. Isso de uniões e cooperativas são coisas de cidade, além de que as excelentes uvas de cada um iriam fatalmente sofrer com as miseráveis uvas dos outros.
Assim ficarão dois meses acalentando a vaidade e o medo. Porque depois da prova o comerciante é quem decide e pode preferir o vinho alheio. Acendem-se então inimizades antigas e criam-se discórdias novas, porque nesta gente nada é tão sensível como o orgulho ferido.” (…)
Tenho uma opinião mais alargada - fundada no saber de experiência feito-  sobre  o que aqui expressa  J. Rentes de Carvalho mas, por agora, fico a aguardar as vossas opiniões sobre  este " bom povo português" na caixa de comentários.

Virtudes públicas, vícios privados...

Crato e Marilú proibiram as universidades de aumentar as receitas próprias. Ou seja, não só lhes cortaram as verbas, como ainda as impedem de gerar receitas que permitam um orçamento menos apertado.
Um distraído bem disposto diria " estes gajos não f.... nem saem de cima", mas a realidade é bem pior do que isso. Trata-se de um ataque miserável às universidades públicas que tem por único objectivo decapitar o ensino público,  favorecer as privadas e os  interesses que à volta delas gravitam
Ainda sou do tempo em que Cavaco convidava alunos, pais e professores a saírem à rua e indignarem-se contra o governo Sócrates, por causa de umas medidas que lesavam as escolas. Agora deve agir em segredo, como fez com os bombeiros... Não há pachorra para aturar gente tão indecorosa, a viver em palácios à conta do contribuinte que lhe paga os vícios privados.


Jotinhas



Começou ontem a semana das universidades de verão das juventudes partidárias, patamar essencial para qualquer jovem se entrosar com a face negra da política ( a outra, a nobre, fica para os agnósticos que rejeitam este doutrinação ministrada  como escolaridade obrigatória).
Logo na aula de abertura, Marco António Costa fez questão de esclarecer os alunos que a Constituição é um empecilho e não deve ser respeitada. Quem estava fora da sala de aula , como eu,percebeu que o Costa é uma espécie de arruaceiro que comanda brigadas anticonstitucionais apostadas em dinamitar o que resta das conquistas de Abril.
Já devem ter percebido que hoje estou com mau feitio. É verdade, mas tenho uma justificação. É que há uma coisa que me irrita solenemente : os jotas
Essas jovens tribos partidárias que antecedem o nome do partido a que pertencem, com o prefixo Jota, trazem -me sempre à memória a Mocidade Portuguesa, entidade de que sempre fugi com artimanhas várias. A minha aversão às sessões doutrinárias de sábado à tarde, nos tempos do liceu, causaram amargos dissabores ao meu pai, sucessivas vezes chamado pelo "chefe de (es)quina"  para explicar as razões da minha evasão a tão benfazejas horas de doutrina pátria. 
Na tentativa de o ajudar a explicar-se, cheguei a simular um estratagema, que consistia em provar que envergar aquela farda me provocava alergia. Fi-lo por escrito, em carta dirigida ao comandante de “esquina”, um puto já com buço e ar de Sílvio Cervan dos anos 60, que orientava os trabalhos. O resultado foi uma suspensão das aulas durante uma semana e uma advertência ao meu pai sobre a eventual necessidade de eu ser integrado numa escola de reeducação.
Cresci como as ervas daninhas, rejeitando de forma sistemática qualquer “canga” que me quisessem impôr e assim continuei, já adulto, resistindo estoicamente aos apelos de amigos que me convidavam para enfileirar este ou aquele partido. Até hoje.
Creio que já perceberam a razão porque não vou à bola com as Jotas. Jovens que servem de correia de transmissão dos valores do seu partido, sem apresentar alternativas aos erros dos adultos e até identificando-se com eles, não trazem nenhum contributo para melhorar o país.
Conheço um número razoável de Jotas no Centrão. Cada vez que vejo a sua actuação, quando chegam a lugares de chefia na Administração Pública, contorço-me em esgares de revolta. Têm os mesmos vícios dos adultos e logo lhes copiam as manhas, exigindo as mesmas mordomias: carros novos, telemóveis, cartões de crédito e uma parafernália de mimos a que se julgam com direito.
Os Jotas são a cópia da devassa. A única ideia que têm de futuro para Portugal é a da manutenção dos jogos de influências, da arregimentação e do compadrio. É por essas e por outras que não acredito no futuro de Portugal. Os jovens tantas vezes anunciados como aqueles que vão construir um Portugal novo, já são velhos aos 20 anos. Nas ideias, nos comportamentos, na sua visão da sociedade. Dos Jotas, nada espero. Dos jovens que se libertaram da canga partidária, não sei. Terão força para lutar contra o situacionismo? Espero bem que sim , porque é neles que deposito a minha última réstia de esperança. 

Those were the days (20)

 Cabo Verde (Mindelo)

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Grandes autores (14)


Miguel de Cervantes (1547-1616)

Apenas li Dom Quixote, mas foi o suficiente para que o escolhesse como um dos 50 livros da minha vida.
Teria certamente recebido um Nobel...

Um pedido aos eleitores laranja

Defenestração do traidor Miguel de Vasconcelos


Se isso vos faz felizes, continuem a acreditar que a crise portuguesa é da nossa exclusiva responsabilidade e que os alemães, nossos amigos, estão muito preocupados com a situação  do país; 
Continuem a acreditar que a Merkel  e o sacana do paraplégico nos querem ajudar a sair da crise;
Continuem a pensar que todos os números que vão saindo a público, nestes últimos dias, indiciam a recuperação (e nada têm a ver com as eleições autárquicas que se aproximam);
Continuem a acreditar que a troika adiou a sua vinda a Portugal para fazer a 8ª e 9ª avaliações, por meras razões técnicas ( que nada têm a ver com as eleições alemãs e com as medidas de austeridade  que o governo vai anunciar depois das nossas autárquicas);
Acreditem no que quiserem- até na fábula do Durão Barroso, preocupado com Portugal- mas, por favor, leiam isto e abram os olhos. 
Pelo menos façam um esforço para perceber quais são os interesses de Pedro Passos Coelho, Maduro e outros ministros e ministeriáveis, quando saem em defesa dos pobres países do Norte que andam a pagar os vícios dos malandros do sul. Por muito menos, um punhado de valentes defenestrou o traidor Miguel de Vasconcelos. 
Já agora, meus caros ingénuos laranjinhas, ainda não perceberam a razão de o vosso amado líder ter acabado com o feriado do 1º de Dezembro?

Estarei a ver mal a questão?

Qualquer trabalhador, público ou privado, pode ver as suas férias interrompidas se a entidade patronal invocar motivo relevante. 
Não aceito, por isso, que os senhores juízes do Tribunal Constitucional se recusem a interromper as suas férias para analisar e votar um diploma sobre uma matéria que põe em causa o futuro de milhares de famílias portuguesas.
Oxalá isso não signifique uma alteração do sentido do voto do plenário, nem a garantia de que os senhores juízes terão os seus privilégios intocáveis, porque de suspeições está a justiça cheia...

Indignados, porquê?

Os bombeiros estão revoltados com o silêncio de Cavaco sobre a morte de três dos seus membros e ontem aproveitaram para manifestar o seu desagrado colocando mensagens no FB da presidência, na página onde o PR exprimia  o seu pesar e  fazia o elogio fúnebre de um fulano que pretendia a redução dos salários dos os trabalhadores portugueses para resolver a crise
 Não percebo a indignação dos bombeiros. Deram dinheiro a ganhar a Cavaco? Não! Foram informadores  da PIDE? Não!  
Os bombeiros já deviam saber  que Cavaco reconhece o mérito do trabalho de ex-agentes da PIDE e de gente que lhe deu  dinheiro a ganhar, como o amigo Oliveira e Costa. (Ainda será condecorado pelos bons serviços prestados ao país, antes de Cavaco terminar o seu mandato, vão ver!). No entanto, Cavaco fez questão de vir a terreiro apresentar uma desculpa extraordinária: a morte de bombeiros exige recato; a de Borges deve ser publicitada. Porquê?
Provavelmente  porque Borges-  que para aconselhar o governo  nas privatizações levava para casa 25 mil mocas por mês- vai  poupar 300 mil€/ano ( e mais uns trocos) ao Estado e, morrendo com 63 anos, prescindiu da reforma. Morreu servindo o país, enquanto os bombeiros morrem por uma razão mesquinha -e dispendiosa para o Estado- que é salvar vidas e património. 

Those were the days (19)

Córdoba (Alcazar)

domingo, 25 de agosto de 2013

Que bem se está no Limbo!

Há quem diga que a blogosfera tende a desaparecer, porque o FB é que é bom,  patati, patatá, ai que já ninguém cria blogs e todos os dias há blogueiros a transferirem-se para o FB, mais patati, patatá.
Pois bem...  eu quero anunciar aos leitores do CR a chegada à blogosfera de um blog de que gostei muito e vos aconselho a visitar.  
Chama-se " Crónicas do Limbo", tem duas semanas de vida e, em minha opinião, um futuro promissor. Parabéns Maria Alice!

Silly season

Isto está tão, mau, tão mau, tão mau, que para encontrar uma notícia da silly season  suficientemente idiota, que não envolva os patetas do governo, ou aparentados como a Judite de Sousa, temos que pedir a ajuda a um velhote de 70 anos

Le premier bonheur du jour

Esta manhã vou andar por aqui...


... sem esquecer que há 25 anos, do outro lado do mundo, rebentei em lágrimas quando soube a notícia...

... e aproveitarei, também, para recordar esta homenagem a Lisboa

sábado, 24 de agosto de 2013

A Vera tem cá uma pedalada!




Alguns leitores do CR já conhecerão a Vera, uma biclodependente que também "queria" ter um blog. No entanto, para aqueles que ainda a não conhecem ( penso que a maioria) quero deixar uma sugestão: vão até lá.
Eu explico porquê...
Ela tem uma boa dose de  humor e, quando está de veia afinada,  deixa -nos com um sorriso nos lábios, pela forma como vai desvendando a sua relação com a bicicleta e o mundo velocipédico que a rodeia.
Bem, mas blogs engraçados há muitos e não é por isso que estou a sugerir-vos uma visita. Acontece que a Vera está a concretizar um sonho: fazer o caminho francês de Santiago de bicicleta!
Devo confessar-vos que todos os dias, pela manhã, a primeira coisa que faço desde há mais de uma semana, quando ligo o computador, é ir ver o blog dela, para saber notícias da sua aventura. É que  há uns anos  andei  com a mania de  fazer o "Camiño" , mas não arranjei companhia.  Ainda bem, porque não  devia ter pedalada para isso... 
Limitei-me a uma mal amanhada alternativa.De carro e uma pequena parte a pé. O que não tem, obviamente, uma ínfima parte da piada.
Sigo avidamente as aventuras da Vera ( A loira) e do Moreno. Embora não reflictam o habitual humor da Vera, os  posts diários  permitem acompanhar uma aventura velocipédica  que eu gostaria de ter vivido.
Tenho a sensação que aquilo vai acabar em livro mas até lá, se gostam de aventura, sigam a Vera
São "só" um bocadinho mais de 800 quilómetros

Ainda há cinema grátis



Começa hoje  o programa " Fitas na Rua".Promete umas noites diferentes, com alguns filmes de boa qualidade, como se pode ver pelo programa:

24 Agosto - Belíssima - Rua Senhora da Saúde (Martim Moniz) 

25 Agosto - As Praias de Agnès - Avenida da Liberdade (em frente ao São Jorge) 

31 Agosto - Hellzapoppin' - Largo do Intendente 

01 Setembro - A Rosa Púrpura do Cairo - Alameda D. Afonso Henriques

07 Setembro - Cinema Paraíso - Rua Josefa (Bairro Estrela D'Ouro - Graça)

08 Setembro - O Homem da Manivela - Rua dos Sapateiros (Arco da Bandeira)

14 Setembro - Serenata à Chuva - Parque Mayer

Last, but not the least, as sessões são à borla... Pelo menos um bom pretexto para sair à rua e passear por esta Lisboa cada vez mais bonita.
Divirtam-se!

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Não leram o manual de instruções...

No início de Agosto dei-vos aqui notícia das angústias dos  bombeiros londrinos.
Há dias, ao ler uma  outra notícia, percebi que o problema  dos acidentes está no uso incorrecto deste Manual de Instruções 

Those were the days (18)

Nem precisa de apresentações, pois não? Taj Mahal ( Índia)

Os Ma(n)chetes!

Assim que tomou posse, Rui Machete virou manchete, por causa dos lucros na compra de acções do BPN. Pelos vistos também sofre de amnésia ( contágio da Marilu?) e não se lembra bem por quanto comprou as acções da SLN.
Dentro de dias, quando o TC for chamado a pronunciar-se  sobre os cortes nas pensões e sobre as candidaturas dos dinossauros, vai ser curioso acompanhar o posicionamento do seu filho Pedro, recentemente nomeado juiz daquele Tribunal.
Espero que não siga o exemplo do pai e não dê ma(n)chete, pelas piores razões.

Não é mau jornalismo... é um problema psiquiátrico

Aquela javardice a que alguns chamam jornal e é muito do agrado da populaça tuga, tem uma fixação - cada vez mais preocupante- que ameaça seriamente a sanidade mental de quem por lá trabalha. Só assim se justifica que isto seja notícia de primeira página.
Vale também a pena prestar atenção ao tom dramático utilizado por quem redigiu a notícia. Penso que estamos perante um problema psiquiátrico grave que afectou toda a redacção, equipa editorial e direcção daquela folheca imunda

A gestão competente do PSD


O PSD está sempre a acusar o PS de gestão ruinosa e a vangloriar-se de pôr as contas em dia. Os laranjinhas deviam ser mais comedidos. Bastava olharem para Gaia, onde a gestão ruinosa de Meneses deixou a autarquia numa situação insustentável,  para  meterem a viola no saco. Mas vamos aos factos.
As megalomanias de Meneses obrigaram a autarquia a pedir um resgate ao governo de 22 milhões de euros que, no entanto,  não será suficiente para pagar as dívidas aos fornecedores.
Advinha-se, por isso, aumento dos impostos municipais para a taxa máxima e o fim da autonomia financeira de Vila Nova de Gaia, cujas despesas passarão, obrigatoriamente, a estar sujeitas a um visto prévio do ministério das finanças.
O PS deverá ganhar folgadamente a câmara de Gaia, mas será uma vitória amarga e à partida envenenada, pois vai herdar uma cãmara falida e sem autonomia financeira.
Claro que tudo isto será em 2015 aproveitado pelo governo para demonstrar que a gestão do PS é ruinosa e omitindo que o desclabro se deve à gestão do Meneses Laranja
Entretanto, do lado de lá do rio, os tripeiros embasbacados pelo trabalho de Meneses  em Gaia,  dão uma vitória clara a Meneses.  Sabem o que lhes irá acontecer, mas fingem ignorar e vão votar no PSD, seu clube político do coração. Dentro de uns anos sairão para a rua a gritar "Aqui d'el Rei, que  Lisboa quer mandar em nós!".
Aqui estarei para dizer: eu tinha avisado!



quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Grandes autores (13)



Gunter Grass (1927-?)
Descobri  Gunter Grass quando estava em Macau (a oferta da Livraria Portuguesa  era pouco  variada nos primeiros tempos e  Grass foi -me aconselhado por uma amiga que lera  "O Tambor de Lata"). Gostei e logo de seguida empenhei todos os meus esforços para encontrar " O Gato e o Rato", o segundo livro da triologia deste escritor alemão, nascido em Danzig ( hoje Gdanks na Polónia)
 Já depois de Grass ter recebido o Prémio Nobel, em 1999,  comprei  o terceiro livro ( "O cão de Hitler")- que nunca cheguei a ler.
Quando  após a publicação de "Descascando a Cebola", ( que também não li) Gunter Grass revelou a sua ligação  às SS  disse que nunca mais leria nada dele  mas, felizmente,  percebi a minha estupidez e não cumpri a palavra. Tive  assim a oportunidade de ler no Verão passado  "O  Pregado". Passou a ser um dos 50 livros da minha vida - pelo menos temporariamente-  razão que me obriga a incluir Grass nesta rubrica. 
O livro é uma viagem fantástica entre o Neolítico e o final dos anos 70 do século passado e tem um Pregado como protagonista ( Não confundir com o nosso cherne, por favor). Para além de nos dar uma visão algo romântica da história alemã, associada à mitologia , em  " O Pregado" Grass reflecte sobre o feminismo e o papel de Homem e Mulher na sociedade. Um verdadeiro tratado.


Ó freguês! Vai um tirinho?

Das Gerações dos Trezentos

Eu sou de uma geração que viu nascer As lojas dos 300.
Na geração que me sucedeu,  o trabalho de uma pessoa vale apenas 300€ por mês.
Há quem aplauda!

Para comprar brinquedos há sempre dinheiro

Esta malta do PSD e do CDS adora brinquedos de guerra. Nunca falta dinheiro para comprar aviões, submarinos, tanques e essas merdas todas com que os senhores ministros devem ter brincado quando eram ainda mais putos e de que provavelmente sentem imensas saudades
Esta fixação nos brinquedos- de que Paulo Portas é apenas um exemplo- está habitualmente ligada a negociatas pouco claras, ou a negócios ruinosos.
Como sucede neste caso em que, podendo não haver prejuízos ( mas  parece que  há mesmo, na ordem dos 30 milhões...)  não se vislumbra lá muito bem onde haja lucros. Pode  faltar dinheiro ao governo  para diminuir a pobreza, mas para comprar brinquedos ou meter  nos bolsos dos banqueiros arranja-se sempre algum.

Parece-me bem...

Esta decisão coaduna-se perfeitamente com o estilo de sociedade que este governo pretende construir. Uma sociedade onde a formação cívica e a informação sejam proibidas, mas onde os bancos, seguradoras, operadoras de telemóveis, o Pingo Doce, o Continente  e tudo mais que o marketing quiser,  podem encher-nos as caixas de correio de publicidade ( mesmo enganosa) e promessas fantasiosas.
Está de parabéns a CNE!

Those were the days (17)

 Jaipur  ( India)

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Grandes autores (12)

Anton Tchekhov ( 1860-1904)

Apesar dos repetidos avisos e insistentes recomendações do meu professor de Literatura, nunca prestei atenção a Tchekhov .  "Era um chato como Tolstoi"- respondia eu  sistematicamente às suas invectivas, deixando-o com o ar resignado de quem vê um aluno promissor desviar-se por maus caminhos.
Hoje, reconheço que o meu velho professor de Literatura tinha razão.  Devia ter lido Tchekhov  na adolescência e não apenas já bem entrado na idade adulta. 
Tchekhov é o mestre do conto e, sendo eu apreciador do género, poderia ter aprendido  muito se tivesse lido mais cedo alguns dos seus contos. Seria hoje, certamente, uma pessoa melhor.
Na minha modesta opinião, ninguém como ele consegue descrever o sofrimento das pessoas marginalizadas com as quais convivia ( recordo que  era médico).  Pessoas que travavam diariamente uma luta  contra  a miséria e as privações que punham  em causa a sua própria sobrevivência.
Quando lemos os contos de Tchekhov, encontramos personagens  que parecem continuar a viver entre nós. Sejam elas camponesas , operárias  ou nobres –  cujas frivolidades  ele descrevia com ironia singular- são personagens que se movem em cenas de um quotidiano  tão presente hoje em dia nas nossas vidas.
Tchekhov  nunca escreveu um romance.  Talvez não tivesse paciência para o fazer, ou pensasse que  com a narrativa apreenderia melhor a atenção das pessoas.  Por isso escreveu centenas de contos ao longo da vida que se encontram  reunidos em 8 volumes ( Relógio d'Água)
Escreveu, também, algumas peças de teatro . Nunca li nenhuma, mas tive a oportunidade de ver em palco  pelo menos três delas: “A Gaivota” , “O Jardim das Cerejeiras”  e  “As três Irmãs"

Um novo conceito de estacionamento

A partir de segunda-feira as garagens vão  passar a ter um novo conceito. Para além de  local de reparação de automóveis, abastecimento, lavagens e  lubrificações, as novas garagens passarão a prestar um outro serviço. Pelo menos na Suíça...

É público e é bom? O governo estraga!


Quatro universidades portuguesas entraram no ranking de Xangai, o mais importante a nível mundial. São todas públicas.
Que faz o governo dois dias depois da notícia? Dá apoio às universidades públicas, para que sejam ainda melhores? Não! Ressabiado com o facto de não constar da lista nenhuma universidade privada, Passos Coelho dá ordens a Crato para cortar ainda mais  15 milhões de euros.
O ódio deste PM a tudo o que é público já é uma ignomínia. Quando chega ao ponto de favorecer claramente o privado, obrigando os contribuintes a pagar as escolas dos meninos ricos que depois vão para a Comporta brincar aos pobrezinhos, entra-se no campo da canalhice.Ou do roubo e da vigarice. 
Só apetece dizer palavrões!

A Primavera Árabe foi um sucesso... para alguns!

Como estarão lembrados, sempre olhei com bastante desconfiança para a Primavera Árabe. Desde o inicio da revolução de jasmim tunisina, mas principalmente a partir dos acontecimentos da praça Tahrir no Cairo,  fui lançando por aqui avisos aos entusiastas que viam no derrube dos ditadores, a luz da Liberdade e o florescer da Democracia.
Na Tunísia o jasmim murchou rapidamente e uma reportagem da TVI, em Outubro de 2011,reflectia bem o desencanto dos tunisinos.
No Egipto as eleições determinaram aquilo que se esperava: a vitória da Irmandade Muçukmana que-  escrevia eu em  Dezembro de 2011- "ainda vai ser motivo de muitas preocupações futuras"
Da Líbia é melhor nem falar. Ninguém se entende sobre a repartição do poder.Ainda não se percebeu qual o fundamentalismo que sairá vencedor do ajuste de contas que se está a travar, mas é sabido que a Sharia será adoptada como lei fundamental. A nossa  comunicação social, entusiasmada com a primavera árabe, anda agora calada  sobre o assunto, porque emigrou para os gabinetes ministeriais, de onde emite notícias anunciando um futuro risonho para o país. Sabendo-se que são os mesmos que nos prometeram a democracia nos países árabes, bem podemos esperar sentados pela anunciada recuperação.
Talvez seja oportuno lembrar-lhes que no meio da refrega que culminou na morte de Kadhaffi ao mais belo estilo da barbárie, desapareceram cinco mil mísseis terra-ar e a Líbia é hoje um gigantesco supermercado de venda de armamento, onde terroristas da Al Qaeda do Magrebe Islâmico se abastecem livremente. Perceberão eles agora as razões do recrudescer de ameaças terroristas da Al Qaeda?
Nas últimas semanas morreram e ficaram feridas milhares de pessoas no Egipto, Morsi eleito democraticamente foi derrubado pelo exército e preso, enquanto o ditador Mubarak  está em vias de ser libertado e ilibado de todas as acusações.Com jeitinho, ainda entregam o poder a um dos seus seguidores. Ou seja, morreram mihares de pessoas em dois anos, para que tudo fique na mesma.
Então a Primavera árabe  não foi um sucesso? Foi! Para quem andou a vender armamento a ambas as partes.
É precisamente por isso que o Ocidente se mantém mudo e quedo perante o que se está a passar no Egipto

O poder do dinheiro

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Grandes autores (11)

Jorge Luis Borges (1889-1986)

Aos seis anos disse ao pai que queria ser escritor e aos nove escrevia o seu primeiro conto, baseado numa leitura de Dom Quixote. Foi não apenas escritor, mas um dos melhores de sempre. Para mim, ainda tem o aliciante de descrever Buenos Aires e o belíssimo bairro de Palermo, onde passou parte da sua infância, de uma forma magistral.
Praticamente não conheço a sua poesia, mas os seus contos são fascinantes. Aleph e Ficções são dois livros que releio, a espaços, de forma recorrente, mas há um outro livro de Borges, injustamente menos citado e conhecido, que merece estar presente em qualquer biblioteca: "A História Universal da Infâmia"

Levante-se a mãe da Marilú!

Há tempos, o pai de Pedro Passos Coelho deu uma entrevista ao jornal i, dizendo que o filho estava farto da governação e ansioso por se ver livre dessa  tarefa. Prometeu mesmo fazer uma grande festa no dia em  que o filho abandonar o governo. Dias depois, o PM veio contrariar o progenitor  e esclarecer que se tinha candidatado para exercer o seu programa em duas legislaturas.
Há duas semanas foi a vez de a mãe de Paulo Portas  dar uma entrevista ao Diário Económico onde, para além de fazer a defesa ( legítima) do filho, deu umas bicadas em Maria Luís Albuquerque ( e elogiou Sócrates).  
Espero que as entrevistas aos progenitores dos políticos não vire moda mas, já agora, talvez não fosse má ideia entrevistar a mãe da ministra das finanças, para saber a opinião que  tem da filha. 
Provavelmente  não saberá explicar as razões que levaram Passos Coelho a convidar a sua ex-professora para ministra ( isso é mais matéria para o Freud), mas talvez nos dê alguma pista que nos permita perceber as razões por que é tão elogiada pelo sector masculino do governo, apesar do seu conflito evidente com a verdade. 


Those were the days (16)

Está de ananases. Vai um banhito com os pinguins em Punta Tombo ( Chubut)?
Mas é melhor ir mesmo em Janeiro, quando a lotação ainda não está esgotada. Voltei lá noutro ano em Fevereiro e já não deu para apanhar um palmo de areia...
Mas se a fotografia tivesse som, de certeza que hoje não tinha aqui leitores, tal a barulheira que estes simpáticos pinguins fazem na hora de ir ao banho!

A terminologia governativa


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Grandes autores (10)

Richard Zimmler (1956-?)

Este professor e jornalista americano, naturalizado português e a viver no Porto, é outro dos meus autores de eleição.
Os livros de Richard Zimmler são todos fascinantes mas  "Meia-Noite ou o Princípio do Mundo" ( ed.Gotica, 2005)  é de uma beleza ímpar e merece bem figurar na lista dos meus 50 livros de eleição.
Tudo começa com uma criança de sete anos que descobre uma carta de amor entre as páginas de um livro. Fica de tal modo fascinads com o que lê, que a sua vida se desenrola como uma caderneta onde colecciona afectos. Francisca, amiga de infância,  será o seu pilar afectivo e  Meia-Noite, um curandeiro africano, quem o ensina a amar o próximo, independentemente da cor ou raça. Magistral!
Leio todos os romances de Richard Zimmler  com uma enorme avidez e, se escolho este para a lista dos eleitos, não posso deixar de mencionar outros  cuja leitura me envolveu de uma forma quase obsessiva:
"Goa ou o Guardião da Aurora", "A Sétima Porta" e "O Último Cabalista de Lisboa"- o primeiro livro que li. 

Nem tudo são más notícias...

Ontem dei-vos as más notícia do Borda d’Água. Hoje dou as boas  ( pelo menos para alguns)
Começo pelos benfiquistas.
Segundo aquela prestigiada publicação “ O vermelho é a cor de eleição do ano e é sobre ela que Mercúrio exerce o seu domínio” .
Podem pois encomendar desde já as faixas de campeão e reservar bilhetes para a final da Liga dos Campeões Europeus, que em 2014 se realizará no estádio da Luz.
Há também boas notícias para os amantes das Artes:
“ Os escritores que aproveitem e desenvolvam as suas inspirações; os músicos que componham; os pintores que encham as telas de cores e de emoções; os atores que interpretem os textos intemporais e os escultores que procurem dominar a pedra ou o metal com a sua criatividade. Sejam ousados, pois todos temos o dever de combater a inércia”.
E mais não digo. Se quiserem saber mais, comprem o Borda d’Água. São só 2 euros

Que sejam todos muito felizes!

Aproveitei o fim de semana prolongado para fazer uma desintoxicação de notícias. Não liguei a televisão nem li jornais, por isso nem sequer soube o que o coelho disse no Pontal.
Só  antes de entrar no comboio que ontem me trouxe de regresso a Lisboa comprei “ o Público”. Comecei por ler a crónica do Vasco Pulido Valente e fiquei esclarecido: o funcionário que o grande capital colocou a dirigir o país, com a ajuda de alguns milhares de néscios que nele votaram, continua igual a si próprio: um abcesso palavroso.  Repesco apenas algumas frases da crónica de VPV, bem ilustrativas da vacuidade do coelho falante:
“O dr. Pedro Passos Coelho  foi ao Pontal, lugar sagrado da sua seita, onde se aliviou de um emaranhado de frases sem ordem, sem clareza e sem gramática. (…)  Anteontem ( os comentadores)  pareciam bruxas à volta de um endemoinhado. Nem o próprio público jantante o percebeu. Quase que não se ouviram palmas naquela  audiência tratada a arroz de pato e muito bem sentadas em cadeiras de um hotel qualquer. Se aquilo é um partido político ( e eles juram que sim) não sei o que sucedeu  à política.(…)
Tanto quanto consegui compreender, este presidente da JSD que inteiramente por acaso, manda em Portugal, acha que a leve aragem económica que no segundo trimestre passou pelo país confirma a subtileza e a correcção da sua política. Qualquer pessoa com um ou dois neurónios percebe a loucura de comunicar à populaça uma enormidade tão falsa e tão ridícula. Passos Coelho não percebe. (…)”
A crónica de VPV foi suficiente para perceber a acefalia discursiva do coelho mas, pela meia noite de domingo, quando finalmente me dispus a ligar a televisão para ouvir as notícias fiquei a saber – em complemento à notícia sobre o incêndio no Funchal- que a novidade trazida por este comício de rentrée ( que as televisões devem ter considerado de grande importância, para ainda fazerem dele notícia 50 horas depois de ter terminado…)  foi ter  abandonado o bunker de 2012 e  voltado  ao Calçadão da Quarteira.
Ali, acolitado por uns tipos de sorriso idiota e comprometido que exercem funções governativas ou similares,  PPC  ameaçou o Tribunal Constitucional e insistiu na bondade da sua política. É difícil contrariar néscios. Complicado argumentar com gente vendida a interesses financeiros. Inútil contrariar autistas.
Assim, a vida continua com a mesma placidez de há uma semana, o mesmo conformismo tuga, gozando os prazeres da praia sob a canícula do meio dia. 
Como dizia Mugabe há dias, após ter sido reeleito para um novo mandato, quem não gostar suicide-se. Ou emigre. Em 2015, continuaremos a ver nas páginas das revistas cor de rosa a cena que foi o grande sucesso deste Verão 2013: tugas a fazer fila na Manta Rota para tirar uma fotografia com Pedro Passos Coelho.
Se os tugas acreditam mesmo que PPC está a salvar o país, deixemo-los ser felizes.

Those were the days (15)



Estocolmo em três dimensões

Isto está tudo ligado..

Já rola a bola nos relvados portugueses.
Logo à primeira jornada, alguns comentadores desportivos começam a querer rivalizar com os seus parceiros da política, pensando com o coração e não com a cabeça. ( Os meus parabéns a João Gobern que continua a ser o homem vertical que sempre conheci e destoa da onda seguidista, apesar de ser um benfiquista dos sete costados)
Jesus já se queixa das arbitragens e começaram as pressões sobre os juízes. Tal como Passos Coelho parece ter feito no Pontal, sobre os juízes do Tribunal Constitucional.
Isto está tudo ligado... 
Nota final: se Benfica e Porto só jogam o que mostraram nesta primeira ronda, prevejo grandes massacres na Europa e o Sporting e o Braga a discutirem o título.

domingo, 18 de agosto de 2013

Por outras palavras: em 2014 estamos tramados



Eu sei que não vos estou a dar nenhuma novidade mas quero confirmar que, de acordo com o Borda d’Água  que ano passado foi tão certeiro nas suas previsões para 2013, estamos  ainda mais lixados em 2014, ano regido por Mercúrio. 
Ora leiam só este naco de prosa que recolhi da mais recente edição do Borda d’Água, comprada ontem aqui no Porto:
Pelas suas características ( de Mercúrio)  prevemos um ano de instabilidade, de opções pouco fundamentadas e  por vezes levianas”  
Nesta até eu acertava, mas enfim...
E mais adiante:
“ Deverá ( o leitor) entrar neste novo ano com sentido perspicaz. Em 2014 iremos verificar que, à semelhança  do ditado popular Junta-te aos bons e serás como eles, junta-te aos maus e serás pior do que eles,  o Homem será muito influenciado ( …) Não perca energias com quem não merece”.
Ficam aqui alguns conselhos  do Borda d’Água. Depois não digam que não avisei…

Le premier bonheur du jour

Tenham um excelente domingo!

sábado, 17 de agosto de 2013

Escolha o seu ídolo!

Quem é o Grande exemplo da sua vida, caro leitor?

São só 2 ou 3 continhas para o descobrir. Já tem a máquina de calcular à mão de semear?

        1) Escolha o seu número  preferido de 1 a 9;
        2) Multiplique-o por 3;
        3) Some 3 ao resultado;
        4) Multiplique o resultado por 3;
        5) Some os dígitos do resultado.

Ande para baixo...
O resultado obtido ( de 1 a 9)corresponde ao seu exemplo de vida :

                    1. Albert Einstein
                    2. Nelson Mandela
                    3. Ayrton Senna
                    4. Helen Keller
                    5. Bill Gates
                    6. Gandhi
                    7. George Clooney
                    8. Thomas Edison
                    9. Passos Coelho
                   10. Abraham Lincoln

P.S.: Pare de escolher outros números, ele é o seu ídolo,  não há volta a dar-lhe .ADMITA-O !!!!!!!!!
Diz mal do homem, mas depois descobre-se que é o seu modelo de vida...

Those were the days (14)

The Golden Triangle ( Chiang Rai)
Aqui se encontram a Tailândia, o Laos e Myanmar (ex- Birmânia) 

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Grandes autores (9)

Bruce Chatwin (1940-1989)

Jornalista do Sunday Times, Bruce Chatwin despediu-se de uma forma, no mínimo, original. Um dia, depois de terminar o seu trabalho, deixou um bilhete na secretária do director, com as seguintes palavras: 
"Adeus! Fui para a Patagónia"
Apaixonado por literatura de viagens, não poderia deixar de incluir nesta lista um dos mais  importantes autores deste género literário. 
"Na Patagónia", de Bruce Chatwin, é um dos clássicos - quiçá "o clássico"- e acompanha-me sempre que viajo para a Argentina.  Posteriormente foi publicado um pequeno livro dele com Paul Theroux (" Regresso à Patagónia")  que é  também uma revisitação a Darwin e cuja leitura é deliciosa
Recentemente li aquele que penso ser o seu único romance- Utz.  Publicado um ano antes da sua morte, não é  um livro de viagens, mas ajuda-nos a fazer uma viagem à Checoslováquia da Guerra Fria, deixando-nos presos na leitura de um intrincado novelo de cariz quase policial.

Lisboa é uma festa!


Na última sexta-feira escrevi aqui sobre a abertura do Arco da Rua Augusta. 
Hoje volto a falar do mais recente ponto de interesse lisboeta, para vos avisar  que não podem perder o espectáculo multimédia que, até dia 18, é projectado  em toda a fachada.
“Arco de Luz”  é uma  evocação em 3D, durante 17 minutos,  de momentos marcantes  da História de Portugal . Um espectáculo de luz e cor imperdível.
Todos os dias  às 21h30m, 22.30 e 23.30. Até domingo

Those were the days (13)

Dinan ( França) numa tarde de Maio

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Grandes autores (8)

 
Carlos Fuentes (1928-2012)

Carlos Fuentes é um dos escritores latino-americanos da minha eleição. Se escolhi para esta lista "O Velho Gringo", foi por me lembrar como este livro me fez sonhar quando o li e, hoje em dia, me parece tão real.
Mas há dois outros livros de Carlos Fuentes que não poderia deixar de destacar:  "Constância e Outras Novelas para Virgens" ( o primeiro que li) e "Cristóvao Nonato".

Aproveitem o tempo da Cinderella




Vá, aproveitem esta onda de euforia. Do crescimento, da recuperação económica, da diminuição do desemprego, dos sinais de luz ao fundo do túnel.
Aproveitem, porque no dia 30 de Setembro, contados os votos, a luz volta a apagar-se.
Voltaremos a  cair na realidade, a ser pobrezinhos e abóboras. Tudo porque somos uns grandes nabos, mas isso é outra história...

Those were the days (11)

Paris é bonita em qualquer mês do ano. Mesmo  em Agosto, quando tirei esta fotografia do cimo da Torre Eiffel

Uma profissão com futuro, segundo Sócrates

(Um post com bolinha vermelha, apesar de não contar com a colaboração dos Ena Pá 2000)


Fotos da Net ( sem créditos)



Já muito se escreveu acerca da reportagem de Paulo Moura no Público de domingo sobre os call centers.
Como  o Público  não permite fazer links do texto, deixo aqui alguns excertos antes de entrar no assunto que motivou este post:
1- O sistema tinha caído e Maria levantou-se para esticar as pernas
“ Não pode estar de pé. É do regulamento”  ( disse-lhe o “capataz”)
2- “ Cala a boca”
“Não podes tratar-me assim”
“Se não estás satisfeito, a porta da rua é ali
3- “Tínhamos de dar a entender às pessoas que, se  não comprassem o serviço MEO, ficavam sem televisão, o que era mentira”- diz um ex-trabalhador do call center da PT em Coimbra.
4- Competências em línguas estrangeiras, boa infra-estrutura tecnológica, salários baixos. É melhor do que a Índia ou o Norte de África, consideram as grandes multinacionais.
5- O call center da PT em Coimbra é descrito, por muitos, como um inferno

Devo dizer-vos que não me surpreendi com a reportagem, pois conheço há muito como funcionam os call centers e há situações ainda piores do que as relatadas nesta reportagem. Foi por isso que no dia seguinte  a  Sócrates ter dito, na inauguração de um call center em Santo Tirso onde tinham sido criados 1200 postos de trabalho, que  era  um “emprego bom e com futuro”  ( 18 de Agosto de 2008) escrevi :
 “Não posso embandeirar em arco e aplaudir o PM, quando proclama que um “call center” é um emprego “bom e de futuro”.
Aceitar como verdade esta afirmação, é pactuar com a ideia de que o futuro está no trabalho temporário, em condições por vezes degradantes, tão severas e injustas são as regras que o pautam.
Um emprego num call center significa apenas adiar um problema e não resolvê-lo. Anunciar 1200 postos de trabalho precário, mal pago e praticado em condições de insalubridade psíco-fisiológica, como uma medida de grande impacto no combate ao desemprego, é anunciar uma grande desgraça ao país.
O que os portugueses precisam não é de empregos de circunstância, que sirvam de panaceia aos seus problemas económicos, mas sim de uma política de emprego, assente em estruturas sólidas e impactantes.
Vivemos uma era de grandes mudanças na estrutura e regras da empregabilidade. Não podemos continuar a pensar em “empregos para a vida”. No entanto, também não é desejável que transformemos a mobilidade dos postos de trabalho num cenário pós II Revolução Industrial, onde campeie a incerteza e só alguns possam organizar a sua vida em bases sólidas.
Um país com futuro precisa de criar postos de trabalho “de futuro” e os “call centers” não podem ser encarados nessa perspectiva”.

Assim se trabalha num call center. Neste caso, é na Índia, mas podia ser cá

Nesse longínquo ano de 2008 os empregados dos call centers  já eram tratados em condições degradantes, mas ainda eram pagos a 500€. Hoje, em alguns desses paraísos de empregos com futuro, os trabalhadores são pagos à peça.
“ Temos que fazer um número mínimo de chamadas todos os dias,  mas nem todas contam para a produtividade.  Se não conseguirmos aguentar uma chamada durante três minutos  não é contabilizada. É por isso que às vezes temos de ser chatos, estamos a  tentar aguentar as pessoas do lado de lá até aos três minutos”- confidenciou-me  há cerca de um ano um  trabalhador de  call center
A remuneração e as condições de trabalho têm vindo a degradar-se nos call centers, mas a ACT ( Autoridade para as Condições de Trabalho) parece que está apenas preocupada  em saber se os trabalhadores e as empresas respeitam a proibição de fumar.
Quando os operadores começam a trocar a Índia, Cabo Verde e outros países africanos por Portugal, para instalarem os call centers a nível mundial,  pelas vantagens que Portugal oferece, fica muito claro o  que esta escumalha pretende fazer deste país: um paraíso para o trabalho escravo.
É certo que nos call centers  não poderão  coser a boca a quem lá trabalha, como eu vi numa multinacional do vestuário na Índia; talvez os capatazes destas  galés da modernidade laboral não possam ( por enquanto!)agredir os trabalhadores, como vi noutra multinacional do vestuário na China; admito mesmo que os trabalhadores dos call centers não sejam mantidos como reféns  dentro das instalações da empresa, como vi em Guam; nem sejam transportados em voos clandestinos entre a China e aquela base militar americana no Pacífico.
Seria no entanto aconselhável que a ACT olhasse para as condições de trabalho nos call centers e agisse em conformidade, antes de Portugal se transformar no paraíso europeu da escravatura.
 Para nos infernizar a vida, já chega o  cheiro a caganitas de coelho  que empesta o ar, misturado com os perfumes de contrafacção da Marilú.