segunda-feira, 25 de março de 2013

Ou, como diria o Relvas, “ambas as três” *



Quando acabei de ler o estudo da MERCER  sobre  a “Análise comparativa das remunerações no sector público e no sector privado”, fiquei a pensar se os tipos que o fizeram são atrasados mentais, apenas incompetentes, ou receberam ordens da empresa para fazer um estudo jeitoso que agradasse ao governo, pois é ele quem paga e convém agradar ao patrão.
Sem resposta ( quem sabe se “ambas as três” não estarão correctas)  e indeciso por onde devia começar a análise das incorrecções, omissões e perversões que produziram aquele dislate, sou salvo por um amigo que teve a amabilidade de me enviar a análise ao documento  feita pelo Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (SQTE).
Assim, limito-me a respigar alguns dos erros mais  gritantes enunciados pelo SQTE.
1- As remunerações de base e o ganho médio mensal dos trabalhadores do setor público estão sobreavaliados (…) porque não contemplam os cortes salariais verificados a partir de 2011
2- Uma comparação credível e rigorosa terá que efetuar uma comparação em termos mensais e anuais ( Nota minha: o sector privado recebe 14  remunerações e o público apenas 13- ano passado apenas 12)
3- Para o setor público, o estudo incluiu as remunerações variáveis mas, para o privado, apenas contabilizou as remunerações fixas, negligenciando o facto de, em muitos casos, as remunerações variáveis no privado serem superiores às  fixas. (Como é que se podem comparar salários com bases diferentes? Alguém me explica?)
4- O estudo diz que, no setor público, a antiguidade é determinante. Mentira! As progressões no público dependem da avaliação de desempenho e estão congeladas há anos!
5- O estudo “esquece” que no público há uma tabela  única de remunerações, enquanto no privado há vários setores com remunerações bem diferenciadas
6- Finalmente, para abreviar, mas clarificar melhor a estupidez, incompetência ou má fé ( ou ambas as três, não é verdade ó Relvas?) os estudiosos compararam funções que só existem no Estado com funções que pura e simplesmente não existem no privado ( Ex: militares, diplomatas, bombeiros…) Refere o SQTE que a MERCER  se baseou na comparação destas funções com funções de idêntico valor no setor privado. Como é que a MERCER fez essa comparação é que seria giro perceber!
É no entanto, com base neste estudo,  baseado em premissas falsas, que o governo se propõe tomar decisões em termos de matéria salarial na AP! Alguém pode levar esta gente a sério?

ADITAMENTO:  Os inúmeros jornalistas que se debruçaram sobre o documento não viram estas incongruências e vomitaram peças propagandísticas sem qualquer rigor. Como vem sendo apanágio do jornalismo hoje em dia, metem-lhes uma folha de papel à frente, telefonam para um assessor ou especialista dos gabinetes e fogo à peça! Sejam decentes, senhores jornalistas! Façam o vosso trabalho com rigor e sem se preocuparem em amplificar os desejos do governo. A Pátria agradece-vos
* Escrevia o Expresso da semana passada que a expressão foi usada por Relvas numa audição parlamentar. Ou seria para lamentar?

6 comentários:

  1. Face a estes estupores abaixo de toda e qualquer classificação, todos os outros Governos e apêndices(Sócrates incluído) coram de vergonha!!

    Devem ter comparado os militares com a segurança privada, acho eu.

    Boa semana, amigo meu

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  2. E o STE deixa escapar a melhor: com uma justificação tola, o estudo assume que compara a média da AP com o 1ª quartil do privado, porque se for usada a média do privado, os salários subiriam significativamente (se não estivesse escrito eu não acreditaria)

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  3. O grande objectivo meu amigo é colocarem os portugueses uns contra os outros. E estão a conseguir lamentavelmente.

    beijinho meu amigo tenha uma boa semana

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  4. eu acredito que essa MERCER, se fizesse um estudo sobre animais, era capaz de afirmar que as ovelhas parem mais bezerros que as cabras

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  5. Jornalistas vai havendo cada vez menos, Carlos.
    O que há, muito!!, são cronistas.

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