quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Toma lá, que é democrático!


Estou de acordo com os que dizem que a manifestação dos estudantes contra Relvas não foi democrática, mas isso não significa  que concorde com as críticas que lhes têm sido dirigidas.
Antes de mais, se houve algum erro no ISCTE, foi cometido por quem convidou Miguel Relvas a discursar.  Foi um erro de casting, porque o ministro não pertence àquele filme. ( Já se esqueceram do caso Público?)
Os estudantes  desrespeitaram as regras do jogo democrático mas, ao contrário do que já li por aí, não foram eles a quebrar as regras. Apenas se limitaram a responder, com as armas que têm, à batotice de um governo que já demonstrou, sobejas vezes, que convive mal com a democracia e não perde qualquer oportunidade para violar os direitos dos cidadãos.
Já há muito defendo que o governo perdeu a legitimidade, porque fez batota para ganhar as eleições.
Aqueles que acusam os estudantes de ter exorbitado o âmbito da sua luta devem ter esquecido o tempo em que, para combater o Estado Novo, os estudantes saíram à rua em protesto tendo alguns pago com a vida a sua luta.
Não se pode combater um governo anti-democrático, que escraviza um povo e o vende aos interesses da alta finança internacional,  sem ser pela luta. 
Pedir aos estudantes que joguem as regras da democracia, é pedir-lhes que se defendam com penas de quem os agride com pedras.
Este governo vendeu os portugueses e o seu património, mas  nunca foi legitimado democraticamente  para o fazer. É um governo fora da lei e, como tal, deve ser combatido por todos os meios que os portugueses tenham ao seu alcance. 
Todos os dias vemos pessoas a aumentar o rol dos desempregados- a maioria dos quais nunca mais voltará a ter emprego;
Diariamente, centenas de pessoas são atiradas para a pobreza sem retorno;
Diariamente vemos pequenos e médios empresários a fechar as portas das suas empresas que eram o seu sustento;
Assistimos a um crescendo do número de suicídios;
Aumenta o número de pessoas com depressões e, por tabela, a violência doméstica e a criminalidade motivada pelo desespero dos que perderam a esperança no futuro.
Perante tudo isto, alguns indignam-se e condenam os estudantes por terem impedido, com protestos, que um trapaceiro discursasse numa assembleia de engravatados.
As regras da democracia devem ser respeitadas quando o governo as cumpre. A partir do momento em que o governo começa a fazer batota e o árbitro que dirige o jogo faz vista grossa às agressões, qualquer reacção à margem da lei deve ser encarada como legítima defesa.

11 comentários:

  1. o problema maior é que, tal como aconteceu com a entrada deste governo após a demissão do anterior, se este governo sair as coisas não vão melhorar!
    as alternativas não têm uma formula mágica para resolver os problemas e eu tenho pouca confiança que tenham capacidade para serem diferentes, ou melhores, que os actuais.

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  2. São os dois lados da mesma moeda. Se por um lado, não deviam ter cortado a palavra ao tal senhor, por outro lado parece que há muito tempo que o governo cortou a palavra aos portugueses. Portanto, têm mesmo de se fazer ouvir.

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    1. Se o governo tivesse cortado a palavra aos portugueses, os estudantes não tinham feito o que fizeram.

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  3. Penso que eles deixarão de aparecer em público, brevemente!

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  4. no meu tempo, mostrava-se o rabo, mas chamaram-na rasca...

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  5. O ministro Relvas foi vaiado pela enésima vez, desta feita em Vila Nova de Gaia. Não se trata de campanha exclusiva contra Relvas, mas destinada a todos titulares ministeriais. O agit prop não se detém, até quando um qualquer membro do governo acorre a uma inauguração, quando anuncia medidas atenuadoras, quando comparece para a assinatura de um protocolo com empresários estrangeiros interessados em investir em Portugal. . Lá vem a Grândola, os democratíssimos punhos odiosos lembrando malfeitorias de outros tempos, a exigência da queda do governo e de novas eleições; como sabemos, tudo práticas correntes naquelas defuntas sociedades de antanho que foram o sol radioso - a aurora dourada, o sendeiro luminoso - que se afirmavam paraísos para trabalhadores, mas onde não havia nem pão, nem liberdade, e onde em cada esquina a igualdade era desmentida por um bufo, um polícia da secreta ou uma loja exclusiva para os apparatchik do partido.
    Esta matulagem não é, convém lembrar, o quarto estado, a fome estampada no rosto, os ventre-ao-sol minados pela tísica. Não, trata-se da tal "classe média" convocada por sms, arrebanhada pela sede local do partido, transportada e alimentada pela indústria do protesto para estas bravatas. Sintoma claro da metadona, do fim do Estado à Guterres (com Ferro Rodrigues e Milícias oferecendo o que não era nem deles nem nosso) e, sobretudo, a absoluta incapacidade para oferecer uma molécula alternativa ao descalabro de décadas. Lá está o velhote de fato e colete (há sempre um profiteur de jeunes) nostálgico de um tempo [que felizmente não voltará] em que tudo o que se lhes opusesse era liminarmente apodado de "fascista". A metadona provoca caibras, vómitos, suores frios, tonturas e sonolência alternando com exaltações. Provoca, também, alterações gástricas e, até, coprolalia, incapacidade para suster torrentes de palavrões. Em Gaia, a metadona teve os seus cinco minutos de triunfo.
    Seguro que se segure, pois amanhã, se for ministro, lá terá as esperas da matulagem da metadona pedindo-lhe o pão e o circo que não poderá dar. Se não tem estômago para estas fevereiradas, que fique no sólio oposicionista educado.

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  6. A batota, como eu digo noutro sítio, começou muito antes da entrada em funções deste governo, que só o é, porque os partidos que o compõem, a fizeram. De modo que, sabem-me a falsas as lágrimas que por aí se vão derramando a propósito destes protestos.
    Venham mais, digo eu, que até não conheço a metadona.

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  7. Absolutamente de acordo! Então convidam um fulano que fez trafulhice para obter um canudo, para botar discurso numa universidade? Só pode ser gozar com quem estudou ou estuda... :P

    Lidar honestamente com gente trapaceira, só se for para ser comido por parvo. E vamos lá ver, nem é só o Relvas que está em causa, como muito bem diz Passos Coelho e companhia fizeram promessas eleitorais para serem eleitos, e depois estiveram-se nas tintas para essas promessas e mais ainda para quem os elegeu. Isso foi democrático?!? Então não exijam um comportamento democrático a quem se rebela contra eles... e bem!

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  8. Quem nada dá, nada pode exigir. Como este desgoverno nao respeita o povo, rouba-o diariamente, humilha-o, retira-lhe a dignidade, este está a começar a retribuir todos estes "favores".

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  9. Convidar Relvas para cerimónias públicas é pedir confusão.
    Será que ele próprio não percebe isso?
    Se percebe, vai porquê?
    Masoquismo?

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    1. O sr. Coimbra descobriu uma excelente forma de condicionar os políticos, desde o PSD ao BE. A presença dá "confusão"? Não vai. E assim as pessoas são condiconadas por meia dúzia de trogloditas.

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