quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Os funcionários públicos, esses parasitas...


O governo recebeu os sindicatos da administração pública para lhes comunicar as decisões que tomou em relação ao futuro da função pública ( episódio sazonal  a que o governo chama eufemisticamente negociações).
O ataque do governo aos funcionários públicos ( iniciado no tempo de Sócrates, é bom lembrar...) como se fossem os culpados da crise é abjecto, porque rasga o contrato que assinou com os funcionários públicos ( muitos com mais de 35 anos de serviço) e os trata como escravos da sua vontade.
Fica bem no pensamento da nossa direita esquizofrénica, culpar o funcionário público pelos males do país.  Para alguma gente que por aí escreve em blogs e colunas de opinião, o funcionário público é um parasita que vive à custa dos impostos, desbaratando o dinheiro que os funcionários da coisa privada preferiam gastar em viagens às Caraíbas e festas de espavento.
Convém, no entanto, lembrar que o funcionário público não é o mangas de alpaca, calaceiro avesso ao trabalho que muitos portugueses gostam de caricaturar
Os impolutos funcionários da coisa privada, sejam meros respigadores ou altos funcionários, esquecem que todos os dias, quando depositam os filhos na escola pública às 8 da manhã e os resgatam às sete da tarde, obrigando-os a cumprir um horário de trabalho superior ao seu, deveriam estar agradecidos às funcionárias que os recebem de manhã, à porta da escola, com um sorriso, que os segue atentamente durante os tempos de recreio e tem sempre um gesto ou palavra de conforto, quando choram.
É o professor que se esforça por dar aos seus filhos uma formação que lhes permita singrar na vida, o director que, preocupado com o sub rendimento escolar de algum aluno convoca os pais para reuniões- a que a maioria falta- onde os procura alertar para as disfunções familiares e sociais que podem influenciar o rendimento educativo dos seus filhos.
O funcionário público é a educadora de infância que substitui as mães atarefadas na sua vida profissional, sem tempo para ouvir os queixumes dos filhos, o médico ou enfermeiro que socorre a criança que teve um acidente na escola, ou o polícia que a livrou de um assalto.
O funcionário público é o homem que nos recolhe o lixo todos os dias à porta de casa, o que ouve com paciência de Job os queixumes de gente desprevenida que se endividou sem nexo e agora procura que alguém a salve dos glutões, exigindo ( quantas vezes mal educadamente) uma solução para a sua incúria.
O funcionário público é aquele que passa os dias a trabalhar na defesa dos direitos dos cidadãos, propondo legislação que permita construir uma sociedade mais justa, ou se esforça a produzir informação sobre ambiente e as armadilhas que a sociedade de consumo reserva aos cidadãos.
O funcionário público é o jurista que os aconselha em momentos de aflição, é o obreiro de um país mais civilizado e mais justo, de que todos nos deveríamos orgulhar. É o funcionário do INEM que nos socorre num momento de aflição, o médico do serviço de urgência, o recepcionista que preenche a ficha de utente.

É contra estes cidadãos que alguma sociedade portuguesa afila os dentes, exigindo o seu despedimento e a redução dos seus salários. Será justo?

7 comentários:

  1. ainda estou a digerir o recibo de vencimento deste mês... ter ordenado ainda é algo que me espanta.

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  2. O país está a tornar-se numa "batalha campal", as ações (des)governtivas, estão a virar portugueses contra portugueses, a promover a inveja, a denúncia, a irracionalidade, a pobreza de "corpo" e de espírito...
    Vale tudo, até tirar o pão a muitas família!
    Sou uma otimista por natureza mas começo, como muita gente, a fraquejar...

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  3. Como professora durante 38 anos, assídua, pontual, cumpridora agradeço o post!
    Como eu, é a maioria!
    Em Fevereiro verei a "dentada" que o meu vencimento levou!
    Concordo com o que diz a Maria Teresa!

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  4. Subscrevo a 100%. Este governo miserável não tem feito outra coisa que não seja criar divisões entre os portugueses. O ataque aos funcionários públicos é só mais um. Pôr trabalhadores do sector privado contra trabalhadores do sector público; pessoal no activo contra reformados; desempregados contra desempregados; e por aí afora, tem sido a estratégia destes fdp*. Se os portugueses forem na conversa,não tardará o dia do "salve-se quem puder". E se cgegar, ai de nós!
    * Leia-se: "filhos da pátria".

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  5. Não, não é! Nem sei quem inculcou essa ideia de que os funcionários públicos não fazem nenhum, mas sei que é muito anterior ao Sócrates. E embora não haja razão para essa generalização, certo é que a ideia vingou até hoje. Embora não seja nada disso que verificamos em escolas, hospitais, tribunais todos a abarrotar de gente e até nas malditas repartições de finanças, em que os ditos funcionários têm de ter uma paciência de Job para aturar as más disposições e indignações de todos em relação aos impostos e dos quais eles não têm culpa nenhuma... :P

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  6. Essa de bater no funcionário público já cheira mal, Carlos.
    Há-os bons e maus como em todos os outros ramos profissionais.
    Para anedota, é giro.
    Quando se fala disso como se fosse um facto, é pura desonestidade.

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  7. Ó Pedro, vai mas é dar banho ao cão.... deves estar a brincar com isto !...

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