domingo, 27 de janeiro de 2013

Le premier bonheur du jour




Perguntas de um operário que lê

Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruída,
quem outras tantas a reconstruiu?
 Em que casas da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
foram os seus pedreiros?
 A grande Roma está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu?
Sobre quem triunfaram os Césares?
 A tão cantada Bizânciosó tinha palácios
para os seus habitantes?
Até a legendária Atlântida
na noite em que o mar a engoliu
viu afogados gritar por seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou as Índias sozinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou, Felipe de Espanha chorou.
E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos.
Quem mais a ganhou?
Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?
Tantas histórias.
Quantas perguntas.
( Bertolt Brecht)

4 comentários:

  1. Bom dia, Carlos!

    Que perguntas difíceis... para um domingo!!!!

    Sei a resposta, mas não a vou escrever para não estragar a questão.

    Beijo

    Laura

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  2. Há sempre "operários em construção" ao serviço dos grandes e poderosos!
    Bom domingo!

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  3. Se o operário que lê perguntou e
    Bertolt Brecht, tão informado, não respondeu
    a razão é porque há perguntas que serão
    sempre eternas.
    Tão somente porque os obreiros
    foram, são e serão sempre os mesmos!
    Os operários erguem os monumentos
    e os poderosos recolhem os louros...

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  4. E o povo, pá?! - não era assim o título da música?

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