segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Nova versão do Paulinho das feiras

Adolfo Mesquita Nunes anunciou que o CDS vai propor uma redução da frota automóvel do Estado entre 33 e 50 por cento, bem como disciplinar o uso das viaturas. ( Será desta que vamos deixar de ver menos carros oficiais à porta dos supermercados e dos estabelecimentos de ensino? E as secretárias e assessores dos gabinetes irão passar a deslocar-se em viatura própria ou em transportes públicos?)
Espero para ver, mas apesar de a medida ser meramente simbólica, não deixarei de a aplaudir.
Gostaria, no entanto, que o CDS fosse mais radical e cortasse também nos submarinos que o seu líder adquiriu no tempo em que era ministro de Durão Barroso. Essa, sim, seria uma medida com forte impacto.
O anunciado corte na frota automóvel - com honras televisivas e notícias de primeira página- é muito popular, mas parece-me apenas uma nova versão do Paulinho das feiras, para enganar pacóvios. O tempo confirmará se tenho ou não razão. Quero números!

A canelada

Marcelo Rebelo de Sousa disse que o sermão de Pedro aos pastorinhos, em Fátima, foi uma canelada a Cavaco. 
Concordo em absoluto com MRS e devo dizer que Cavaco está a ter o que merece, pois passou o seu primeiro mandato a dar caneladas a Sócrates, até se conseguir ver livre dele.
Não consigo é compreender como é que um PR se deixa humilhar a este ponto por um PM. Terá  medo que a Coelha saia da toca?
Ainda a propósito do post anterior: aconselho ao boca de brioche, apostado em despoletar um conflito de gerações na sociedade portuguesa, que veja este filme. Não é que  aprenda alguma coisa, mas fica a saber  que pode ter uma morte assim. E, de preferência, que seja a própria filha a dar-lhe a estocada final.  Praga de Escorpião!

Pedro e os pastorinhos


O boca de brioche foi a Fátima falar aos pastorinhos. Ou, se preferirem, aos jotinhas laranjas que se preparam para apascentar o rebanho, mas sem terem o trabalho de guardar as ovelhas.
Que disse Pedro Passos Coelho aos inúteis criados à sua imagem e semelhança, que nunca fizeram nada na vida?
Os pastorinhos gostaram de ouvir. Bateram muitas palmas. A esta hora estão reunidos a engendrar a táctica para matar pais e avós, esses imbecis que se recusam a morrer depois de lhes terem dado vida.
De regresso a Lisboa, o energúmeno que se alapou em S. Bento vinha de consciência tranquila. Tinha dado umas ferroadas a Cavaco, a Bagão Félix e a todos os que criticam o corte das pensões. Ainda não sabia que os banqueiros não tinham gostado da sua intervenção e começavam a dizer que o seu discurso tinha sido uminsulto.
Ao telefone com Miguel Relvas, comentava:
Eu fiz a minha parte espero que esta malta da JSD faça  resto. Depois de exigirem que a educação e a saúde sejam pagas, é altura de tomarem medidas para extorquir os pensionistas que vivem de pensões do Estado sem nunca terem feito nada para as merecer.

Natal das Ressurreições


Esta época natalícia apresenta inúmeras semelhanças com a Páscoa, tal o número de ressurreições que está a proporcionar.
Primeiro foi o Álvaro. De ministro remodelável e patinho feio do elenco governativo, passou a estrela da companhia. Deram-lhe corda e ele começou a falar. Entusiasmou-se tanto, que acabou da forma mais previsível: estampou-se  quando afirmou que a Europa estava ser naif por insistir em aplicar  regras ambientais para a indústria. As reacções não se fizeram esperar.
A primeira a sair a terreiro foi Assunção Cristas que teceu duras críticas às declarações do ministro Álvaro. Logo de seguida foi o número dois do PSD- Moreira da Silva- cujas críticas contundentes mereceram mesmo um reparo de Paulo Rangel. Não por serem injustas, mas demasiado acutilantes. Finalmente, foi o ministro das finanças a meter a colherada de uma forma que tem um cheirinho de vingança, pelo facto de Álvaro estar a querer fazer-lhe sombra. E quanto á redução do IRC para as empresas foi avisando: talvez em 2014, mas com as regras que eu ditar.
A segunda ressurreição foi a de Relvas. Ultrapassado o período de nojo que lhe foi imposto depois de ter mentido na AR ( sem quaisquer consequências) o ministro das licenciaturas a crédito  aparece remoçado. Não há dia em que não estenda a bocarra para uma multidão de microfones em riste. Sempre com um sorriso nos lábios, lá vai somando gaffes e patranhas. Da gaffe do apoio a Seara, à declaração de que este governo tem sido de uma transparência imaculada no processo de privatizações, Relvas tem sempre alguma coisa a dizer.
Não espanta que  Relvas considere transparente o processo de privatizações. A sua bitola em matéria de transparência é demasiado baixa, como ficou provado com o processo da sua licenciatura(?). 
Até final do ano vamos assistir a, pelo menos, mais uma ressurreição. Por estes dias Cavaco Silva irá decidir o futuro do OE e, presume-se, irá falar ao país depois de um longo período de silêncio. O mais provável é que justifique a promulgação do OE por razões de interesse nacional mas, como tem dúvidas quanto à sua constitucionalidade, remete-o de imediato para o TC, pedindo a fiscalização sucessiva. (Pelo que noticia o "Expresso" a única coisa que o preocupa é saber se o corte da sua pensão é constitucional...)
Depois, com a mesma tranquilidade de Pilatos, irá comer bolo rei, rabanadas e beber um copo de “vinho fino”.
Quem não ressuscitará por estes dias é o povo português. Bem pelo contrário. Continuará à espera que esta classe política coloque o último prego no seu caixão. Uma vez consumada a tarefa, talvez estrebuche. Temo que seja tarde e já ninguém o oiça.