domingo, 16 de dezembro de 2012

Da transparência das privatizações

Enquanto a dupla Pedro/Miguel, expert na arte do chicoespertismo empresarial insiste em proclamar a transparência das privatizações assistimos ao episódio da oferta da TAP a um colombiano/brasileiro/polaco de nome tão impronunciável quanto a palavra seriedade na boca desta dupla de vendilhões da Pátria.
Noutra vertente, uma empresa angolana proprietária do semanário Sol, mas de cujos accionistas pouco ou nada se sabe, anuncia estar interessada no belíssimo negócio da compra de 49% da RTP, ficando com todo o poder decisório sobre a empresa e continuando a ser subsidiada pelos portugueses.
Em qualquer país do mundo ocidental ( pelo menos...) este negócio que os portugueses vão pagar levantaria sérias suspeitas. Cavaco- ao que tudo indica- assinará mais uma vez de cruz.
Faz todo o sentido perguntar ( pela enésima vez) o que faz o PR em Belém. Até quando continuará   a assistir impávido à delapidação do nosso património, por uma dupla ( acolitada por António Borges, que faz de escrivão) que faz parecer os piores gangs de bandidos da História Mundial gente honesta?

De joelhos

Um estudo da ONU prevê que dentro de seis meses Portugal esteja em situação extremamente difícil e que o governo seja obrigado a renegociar a dívida. De joelhos, porque o vai fazer em situação desesperada.
Desesperada para os portugueses, mas muito do agrado de alguns dos nossos governantes que sentem muito prazer em se colocar nessa posição.
Vale a pena ler na íntegra a entrevista de Artur Baptista da Silva ao Expresso, mas deixo aqui o link para um excerto do "Expresso" on line

O meu presépio

Já fiz o presépio. Esmerei-me como nunca mas, enquanto fui buscar a máquina fotográfica para vos mostrar, alguém roubou tudo.
Disseram-me alguns vizinhos que lhes aconteceu o mesmo. Parece que o autor dos roubos é uma das figuras do presépio. Proclama-se Rei e dá pelo nome de Gaspar.
Como não há presépio, convido-vos a tomar um cafezinho...

Le premier bonheur du jour




Quando vier a primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria
E a primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.
Alberto Caeiro