quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Uma questão de agilidade

Enquanto Paulo Portas (via Telmo Correia), mostrou o seu cepticismo  quanto ao OE mas votou-o favoravelmente e depois desapareceu com o rabinho entre as pernas, António José Seguro proclamou a catástrofe do OE, votou contra, mas quando lhe perguntaram se o PS iria pedir ao Tribunal Constitucional a fiscalização sucessiva, fugiu com o rabo à seringa e respondeu " Não me comprometam!"
É tudo uma questão de agilidade. Cada um protege o seu, o melhor que sabe e pode.

A crise quando nasce não é para todos...

A austeridade é uma coisa boa, mas só para os outros.Os deputados europeus, por exemplo, já podem reformar-se aos 55 anos, com uma pensão de 9 mil euros.
Também é  bom saber que os povos que lucram com a crise dos países do sul, vão aumentando o seu nível de vida, à custa daqueles que exploram...

D Pedro, imperador dos tugas



Pedro Passos Coelho é vaidoso. Não me perguntem  porquê. Endossem a pergunta ao Freud.
Dado adquirido é que, sendo o homem vaidoso, está convencido que nasceu para salvar o país. Só que a vaidade não conquista votos, por isso, foi obrigado a desenvolver a sua faceta de mitómano, para conquistar os votos dos portugueses. 
Conquistado o poder, Pedro PC  deixou cair a máscara e ficou visível a sua faceta  misógina. Mas até neste pormenor PP Coelho é singular. Ele não odeia as mulheres, odeia apenas os portugueses, um estorvo insuportável para o seu plano de salvação do país , que o catapultará para as páginas da História de Portugal como grande estadista.
Há muita gente que, por muito menos, está internado no Júlio de Matos ou estabelecimento similar. Por azar dos Távoras- que condicionam a nossa História desde Marquês de Pombal- Pedro PC escapou ao hospício e  foi parar ao convento de S. Bento, onde reencarnou como Carlos V.
Rodeado de seguranças, PPC  ensaia diariamente  a cerimónia  da sua coroação como imperador dos tugas, dizendo-se inspirado em Carlos V.  Todos sabemos, porém, que as leituras de Pedro Passos Coelho são transviadas. Elege  como preferidos  livros que nunca foram publicados e tem dificuldade em perceber os enredos. Ora isso faz  toda a diferença. 
 Carlos V encenou a sua morte ao pormenor, no mosteiro de Yuste, onde viria a falecer. Da janela dos seus aposentos ensaiava o cortejo fúnebre e corrigia aquilo que não lhe agradava. 
PPC tresleu a biografia do imperador e, em vez da sua morte, está a ensaiar a sua coroação como salvador da Pátria. É ele quem dá as ordens e não admite quaisquer sugestões.
Percebe-se a confusão no cérebro de uma assoalhada  do líder do PSD, onde habita o seu único neurónio. Lamentável é que as circunstâncias da História tenham permitido que em Portugal, no mesmo período, coabitem um PM com um só neurónio( o da vaidade) e um ministro das finanças cujo único neurónio é o da soberba.
Mas como um azar nunca vem só, quis a roda da Fortuna que em Belém assentasse arraiais um PR cujo único neurónio tem a síndrome do Tio Patinhas. Desde que não lhe falte o guito da reforma dourada, para o senhor  Aníbal está tudo bem.
Podem os portugueses ficar indiferentes e conformar-se com tanta negligência  da Mãe Natureza? 

A lareira já está acesa?

Não faço a pergunta por causa da carta que dezenas de personalidades ( ou  Mário Soares e 77 personalidades, como escreve o DN num assomo de escroqueria jornalística) enviaram a Pedro Passos Coelho e a Cavaco Silva, pedindo ao primeiro que se demita e ao segundo que, permanecendo o nosso primeiro na sua obstinação autista, o demita.
A carta ( que podem ler na íntegra seguindo o link do cabeçalho do CR) vem na sequência lógica da aprovação patética do OE na AR onde - ficou hoje a saber-se- a declaração de voto de João Almeida foi escrita em colaboração com Paulo Portas, o número 3 do governo!
É certo que a carta ganha mais acuidade depois de ontem,  numa inenarrável entrevista, PPC ter admitido fazer cortes na saúde, diminuir as despesas com a segurança social (cortes nas pensões e benefícios sociais), despedir  funcionários públicos e introduzir o pagamento de propinas no ensino público...obrigatório! Ou seja, PPC  admitiu perante o país  fazer um golpe de estado "à sua maneira".
Todos sabemos que o destino da carta serão os caixotes do lixo de S. Bento e Belém, ou alimentar o fogo da lareira em noite de Natal. Cavaco Silva -que tudo fez para demitir Sócrates alegando que os portugueses não podiam aguentar mais sacrifícios -refugia-se na redoma de Belém, indiferente ao sofrimento dos portugueses e confortado com a sua parca reforma. A carta não terá, pois, efeitos práticos.
Há, no entanto, uma notícia de hoje que promete fazer subir a temperatura nestes dias gélidos.Refiro-me à decisão dos magistrados que ameaçam recorrer aos tribunais, se Cavaco Silva não pedir a fiscalização preventiva do OE ao TC ou, em alternativa, não o vetar.
Há algumas semanas, Marcelo Rebelo de Sousa tinha aconselhado Cavaco Silva a pedir a fiscalização, invocando precisamente esta possibilidade. E adiantou: se o assunto for parar aos tribunais comuns isto vai ser uma trapalhada!
Tudo indica que a trapalhada vem aí e Marcelo deve estar a esfregar as mãos de contente. Será a vez dele dizer a Cavaco "Eu tinha avisado!".
Nota final: Lamento que Mário Soares só agora tenha percebido que Pedro Passos Coelho não é aquele tipo honesto em que acreditava. 

Um terramoto no Porto


O apoio do PSD a Luís Filipe Meneses como candidato à Câmara do Porto ainda vai fazer correr muita tinta. Importa, porém, começar desde já a tirar algumas ilações sobre o significado desta aposta de Pedro Passos Coelho.
PPC bem pode apregoar rigor e transparência. Bem pode tentar convencer-nos que é um homem honesto. Por muitos esforços que faça, jamais o conseguirá.
 Um homem honesto não protege Miguel Relvas.
Um homem transparente não deixa que pairem dúvidas sobre a forma como terá aproveitado as verbas do FSE para favorecer a empresa (Tecnoforma) de que era administrador.
Um homem rigoroso não apoia a candidatura de Luís Filipe Meneses ao Porto. O ainda autarca de Gaia deixa obra feita no concelho. Desenvolveu-o para lá do inimaginável. Eu próprio lamentei que não fosse ele o candidato ao Porto em 2009. O problema é que deixa uma dívida astronómica em Gaia- uma das autarquias mais endividadas do país- cuja factura terá de ser paga ao longo de décadas.
Como pode PPC apoiar um autarca despesista, que notoriamente viveu acima das suas possibilidades enquanto foi presidente de Gaia, e reclamar simultaneamente rigor nas contas das autarquias?
Estará PPC interessado em destruir a segunda cidade do país, condenando-a a um terramoto financeiro?