segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Mas isso é pergunta que se faça?


Para celebrar os 70 anos Eduardo Catroga deu este fim de semana uma entrevista ao Expresso. (Gente fina é outra coisa...)
Se compararmos a entrevista do ex-ministro de Cavaco, com a de Silva Peneda ( na semana passada) percebemos facilmente que o PSD é hoje um saco de gatos onde cabem sociais democratas (Silva Peneda) e saudosos do fascismo como Catroga ( para já não falar de PPC ou Cavaco).A entrevista é um manancial de vacuidades e de idiotices. Catroga não se coibiu, mesmo, de chamar burros aos portugueses que votem no PS. Uma  entrevista, enfim, que prova ser possível a um qualquer idiota ocupar lugares de relevo aos 70 anos, desde que tenha construído ao longo da vida uma teia de interesses que lhe permita culminar a carreira  com salários indecorosos para o nível de vida dos portugueses.
Estranho, por isso, que  o jornalista não tenha resistido a terminar a entrevista com uma pergunta perfeitamente imbecil e despropositada:
- Está arrependido de não ter aceitado um lugar de ministro neste governo?
Mas como é que o homem podia estar arrependido, se conseguiu um lugar na EDP ( empresa pública que o governo “privatizou” vendendo-a ao governo chinês) a ganhar 45 mil euros mensais?e compararmos a entrevista do ex-ministro de Cavaco, com a de Silva Peneda ( na semana passada) percebemos facilmente que o PSD é hoje um saco de gatos onde cabem sociais democratas (Silva Peneda) e saudosos do fascismo como Catroga ( para já não falar de PPC ou Cavaco).A entrevista é um manancial de vacuidades e de idiotices. Catroga não se coibiu, mesmo, de chamar burros aos portugueses que votem no PS. Uma  entrevista, enfim, que prova ser possível a um débil mental ocupar lugares de relevo aos 70 anos, desde que tenha construído ao longo da vida uma teia de interesses que lhe permitam culminar a carreira  com salários indecorosos para o nível de vida dos portugueses
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Eles ainda vão acabar por perceber...

... que a austeridade é uma estupidez.
Vítor Gaspar falou hoje ao país para dizer que a troika deu nota positiva a Portugal, mas isso não é novidade, porque já Merkel o tinha anunciado. Como é seu hábito, o dono de Portugal terá dito algumas patranhas para enganar parvos mas, como  ainda não ouvi, não comento. Até porque, para mim, a notícia do dia não veio de Gaspar, mas sim do presidente da RTP.
O Relvas andou um ano a fazer tudo o que lhe era possível para destruir a RTP e a entregar aos privados. Depois, admitiu que talvez fosse melhor só privatizar um canal. Mais tarde disse que todas as hipóteses estavam em aberto, mas que a privatização de pelo menos um canal seria inevitável.
Quando nomeou Alberto da Ponte para presidente da RTP, disse que tinha nomeado "o gestor mais competente que havia em Portugal" (sic).
Esse gestor vem agora dizer que não concebe o serviço público de televisão sem dois canais e acha que o governo o irá escutar.
Espero que escute mas, se isso acontecer, vai ser divertido assistir ao golpe de rins daqueles blogueiros que, a mando do Relvas, andaram a desancar na televisão pública.
A minha esperança é que o Gaspar, o Coelho e toda a tralha laranja também venham a perceber que a austeridade é uma estupidez, embora tema que isso só aconteça quando já não estiverem no governo e começarem a acusar os seus sucessores de exigirem sacrifícios insuportáveis aos portugueses.

Bellamy: quando as aparências iludem

A beleza serena de Marie Bunuel casa na perfeição com o circunspecto Depardieu

Foi uma boa ideia ter ido ver Bellamy. Estreado em Portugal quatro (!!!) anos depois de ser exibido em França e dois após a morte de Chabrol,  Bellamy é, como muitos outros filmes do realizador, um constante brincar ao gato e ao rato entre Chabrol e o espectador.
Múltiplas vezes deixamo-nos enredar na facilidade da verdade inabalável mas,  no momento seguinte, compreendemos que nos deixámos iludir pelas aparências.
Um filme à Chabrol no seu estado puro, onde drama e comédia coabitam da forma mais inesperada. 
Muito mais do que um policial, Bellamy é um filme sobre os comportamentos e as ideias feitas,que esmurra a nossa consciência. Não é por acaso que começa e acaba com a morte, numa curva, em queda para o precipício... mas a explicação só a encontrará quem o for ver.
Não teremos oportunidade de ver mais nenhum filme de Chabrol, lamentaremos durante muito tempo a perda de um realizador de eleição, que deixou o cinema europeu mais pobre, mas ver Bellamy é uma bela oportunidade para revisitar os filmes de um dos melhores realizadores do século XX.
Uma última palavra para a interpretação de Gerard Depardieu (inspector Bellamy) que à medida que vai aumentando em diâmetro, se torna um actor mais completo.

Cá se fazem, cá se pagam...


Decorreu durante o fim de semana, em Cadiz, mais uma cimeira Ibero- Americana. Marcada por ausências importantes como as de Cristina Kirchner ou Hugo Chavez, a cimeira deu, porém, um importante sinal sobre as mudanças que se registaram nos últimos anos no mundo.
Longe vão os tempos em que Portugal e Espanha marcavam presença ostentando a sua superioridade sobre os latino-americanos, que se traduzia em ataques constantes a Fidel Castro, Hugo Chavez e outros lideres sul –americanos acusados de serem comunistas, apenas por se   preocuparem com  seu povo. A sobranceria chegou ao ponto de o rei Juan Carlos protagonizar aquele episódio patético do " porque no te callas?" .
Durante este fim de semana, em Cadiz, assistimos a uma inversão de papéis. Portugal e Espanha, países onde a democracia foi abandonada para agradar aos interesses do capitalismo selvagem, estenderam a mão às democracias sul-americanas  pedindo ajuda e investimento.
Dilma Rousseff respondeu de forma dura. Lembrou a crise da dívida na América Latina no início da década de 90, as medidas desajustadas do FMI e o fracasso das medidas de austeridade.
Interrogado pelos jornalistas espanhóis, Rajoy respondeu que não tinha ouvido as críticas e os avisos de Dilma. Pedro Passos Coelho- que eu saiba- não fez qualquer referência ao assunto porque os jornalistas portugueses também não se preocuparam em fazer-lhe a pergunta.

Rescaldo de domingo

Foi bonito ver a forma como a população algarvia se uniu para limpar as cidades de Silves e Lagoa, afectadas pelo tornado de sexta-feira.
Foi surpreendente ouvir Marcelo dizer, nas entrelinhas,que Vítor Gaspar exerce o seu cargo a pensar nas instituições onde irá trabalhar, quando deixar de ser ministro. 
Será que na próxima semana vai dizer que estava a ser irónico.
Foi uma boa ideia ter ido ver Bellamy mas, sobre o filme, escreverei amanhã.
Adenda: também foi engraçado saber que afinal PPC estava ser irónico quando fez uma crítica demolidora a Miguel Macedo. O nosso primeiro é como as hienas. Ri sem saber de quê e faz ironia quando o país se está afundar por sua exclusiva responsabilidade.