domingo, 18 de novembro de 2012

Desaparecidos



Por onde andará a Carolina Salgado da TVI? Ouvi dizer que desistiu de uma queixa contra Sócrates, mas continuo sem saber qual a sua actividade profissional, depois de deixar o colo do marido.
 Será que está a escrever um livro, como a Carolina, ou à espera de uma boleia de Moniz para a Benfica TV? Jesus que se cuide!...

Mais selos

Embora não seja meu hábito apropriar-me de selos que não me foram directamente oferecidos, desta vez abri uma excepção. As leitoras ofereceram e não me fiz rogado.
Assim, a partir de hoje, mais dois selos passarão a fazer parte da galeria do CR
Este, oferecido pela Teté, é muito apropriado para estes dias frios e cinzentos que se avizinham.


Este outro, mais primaveril,  foi oferecido pela Janita, como facilmente se depreende...



Finalmente, recebi mais um Prémio Dardos oferecido pela São
A todas muito obrigado

Le premier bonheur du jour

Hoje, com Vermeer e...
 Cesário Verde

O sentimento de um Ocidental
Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O céu parece baixo e de neblina,
O gás extravasado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.

Batem os carros d'aluguer, ao fundo,
Levando à via férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista exposições, países:
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!

Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edificações somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros.

Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos;
Embrenho-me, a cismar, por boqueirões, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

E evoco, então, as crónicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!
Luta Camões no mar, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu não verei jamais!

E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!
De um couraçado inglês vogam os escaleres;
E em terra num tinir de louças e talheres
Flamejam, ao jantar, alguns hotéis da moda.

Num trem de praça arengam dois dentistas;
Um trôpego arlequim braceja numas andas;
Os querubins do lar flutuam nas varandas;
Às portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas!

Vazam-se os arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.

Vem sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.

Descalças! Nas descargas de carvão,
Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;
E apinham-se num bairro aonde miam gatas,
E o peixe podre gera focos de infecção!


Tenahm um bom domingo