segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A gravata



Depois das declarações de Aguiar Branco sobre os comentadores de fato cinzento e gravata azul, fiquei um bocado confuso... Como distinguir comentadores, membros do governo e banqueiros?








 Avisado  esteve Cristiano Ronaldo, que não gosta de confusões...


Para quando os impostos retroactivos?

O governo recuou na ideia de aplicar às pessoas que já tenham pedido a reforma, mas cujo pedido só seja deferido em 2013, as regras estabelecidas a partir de 1 de Janeiro. Ou seja, o governo pretendia aplicar uma lei retroactivamente sobre cuja aplicação poderia interferir, dando ordens à CGA para atrasar os deferimentos.
O governo terá recuado, mas só o facto de essa ideia lhe ter passado pela cabeça, me assusta. Sei que para este governo as leis são uma minudência e o seu cumprimento depende exclusivamente dos humores do ministro das finanças, por isso nem me espantaria se um destes dias o ministro decidisse aplicar um imposto que incida sobre toda a carreira contributiva de um cidadão. É ilegal? É. É inconstitucional? É. O governo, porém, está-se nas tintas e, se decidir fazê-lo, defende-se com o sempiterno argumento de que tem de pagar as dívidas à troika.
Já perdemos os empregos. Os salários. As casas. As poupanças.Os direitos. A mobilidade. A democracia.  Já nos roubaram a EDP e a  REN. Vão roubar-nos as Águas de Portugal. A TAP. A RTP. A Caixa Geral de Depósitos...Só nos falta, mesmo, é que se lembrem de nos tributar o passado.

O Balão de oxigénio


Não assisti à lavagem ao cérebro que os ministros do governo fizeram aos deputados da maioria durante dois dias mas, pelo que li, as nossas televisões participaram activamente na cerimónia, transmitindo os discursos de todos os intervenientes. Prova de subserviência da comunicação social lusa, ou apenas a confirmação da  sua incapacidade para pensar?  A resposta ficará para mais tarde. 
Por agora, a única certeza, é que tal como um casal desavindo que vai adiando o divórcio à espera que a tia rica morra, a coligação governativa- apesar de desavenças insanáveis- continua a querer passar a mensagem para a opinião pública, de que os cônjuges vivem em total harmonia. Só quando o pote estiver vazio e ambos puderem viver à larga, com os despojos sacados aos tugas, consumarão o divócio.
Bem, mas voltemos à sessão de exorcismo.Soube, a posteriori, que o primeiro-ministro conseguiu ofuscar a parábola da maratona do ministro das finanças, com apenas uma palavra: REFUNDAÇÃO!
Inicialmente, pensei que o propósito do PM tinha sido  mostrar a Gaspar quem mandava no governo e até teria proposto uma reunião com o ministro das finanças no domingo, para contabilizarem os números de caracteres que cada um ocupou nas páginas dos jornais e o tempo de antena reservado pelas rádios e televisões para as suas declarações. Fonte bem informada informou-me, porém, que na manhã de domingo Gaspar terá telefonado a PPC assumindo a derrota, pelo que a reunião não chegou a realizar-se.
Mais uma vez ficou demonstrado que as minhas capacidades para a análise política são diminutas pois fiquei a saber que foi  o significado da palavra “Refundação” a suscitar as mais acesas discussões.
Sendo assim- mesmo correndo o risco de vir a ser desmentido- atrevo-me a interpretar o PM e adiantar que o propósito de PPC foi, pura e simplesmente, dizer a Seguro que em virtude de não ter conseguido fazer a remodelação desejada, por falta de interessados, lhe tinha reservado um ou dois lugares no governo, com a condição de o PS o ajudar a rasgar a Constituição e o apoiar no golpe de estado que está a levar a cabo com a complacência de Cavaco Silva, mais preocupado em aprimorar as suas capacidades tecnológicas nas redes sociais, do que em cumprir o juramento que o obriga a defender a Constituição e os interesses do país.
Seguro fez-se desentendido, fingiu que não percebeu, mas ainda antes de o professor Marcelo o ter dito a Judite de Sousa, já ele sabia que aquela palavra proferida por PPC era o balão de oxigénio de que precisava para se poder assumir como alternativa.
O problema é que nem com balões de oxigénio Seguro convence os portugueses. Está tão impreparado para governar como PPC, não tem uma centelha de arrojo para empolgar os portugueses, mostrando-lhes que é muito diferente de PPC e, tal como o líder do PSD em 2011, também pensa que ainda é cedo para ir ao pote. Quando muito, aceita tratar dele se vier cair-lhe nos braços.
Não embandeirem  pois os socialistas em arco com o tiro no pé de PPC. Se querem chegar ao governo, têm de começar por arrumar a própria casa e escolher um novo líder. Ou, então, providenciar a Seguro doses generosas de Red Bull, para que finalmente levante voo. Só com balões de oxigénio, Seguro não vai lá!

A dúvida da semana

Os responsáveis do FMI começam agora a admitir que erraram na  receita aplicada a Portugal e que afinal a razão estava do lado dos cidadãos analfabetos que, desde o início, previram o desastre.
Será que aquela malta tirou os seus cursos na Lusófona?