segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Novas divergências na coligação (2)

Paulo Portas quer que o governo  assegure aos portugueses  um nível de vida equivalente ao da Albânia. Pedro Passos Coelho e Gaspar consideram essa pretensão um exagero e prometem que os portugueses atingirão, em 2015, um nível de vida apenas um pouco abaixo da Coreia do Norte.

Ao qu'isto chegou

O país sai à rua a protestar contra o governo e o genocídio da dupla Coelho/Gaspar, com a conivência de Portas;
Cavaco Silva manda recados ao governo através de jornais espanhóis, ou no Facebook, porque tem medo de enfrentar o governo ( o BPN é um estigma, não é, senhor presidente?);
Seguro brinca às casinhas, fingindo que é oposição;
O PSD acusa o CDS  de ser responsável pela fuga de informação sobre o OE 2013;
O CDS devolve a acusação ao PSD;
Isto já não é um país, é uma versão dramática do Jardim da Celeste. 

Nobel da Economia:por favor, não nos comprometam

O Nobel da Economia não é propriamente um Nobel pois, ao contrário dos outros, é atribuído pelo Banco da Suécia, no entanto, a sua atribuição é sempre esperada com grande interesse.
Esperava-se ( pelo menos eu esperava...)  que, com a ebulição dos mercados, o prémio fosse atribuído este ano a um economista que se tivesse destacado na apresentação de soluções para a resolução da crise. Não é que isso fosse muito importante, porque nomes como os de Paul Krugman ou Joseph Stieglietz, já premiados em edições anteriores - e que constantemente afirmam que as soluções estão erradas-  continuam a não ser ouvidos pelas instâncias internacionais, ou pelos governos. 
Eu não percebo nada de Economia e, talvez por isso,  não consigo entender qual a relação entre a distribuição de rins para transplante  e os problemas económicos do planeta. Ou então percebo e nesse caso assusto-me...
De qualquer modo, tendo a acreditar que o Banco da Suécia atribuiu o prémio a Alvin Roth e Loyd Shapley, para não se comprometer. Mais ou menos como Cavaco Silva no seu discurso do 5 de Outubro...

PPC tem um projecto. E isso é que é perigoso!

Se um cidadão pedir um empréstimo a um banco e, ao fim de algum tempo, deixar de ter condições para o pagar, a primeira coisa que faz é dirigir-se ao banco para pedir a renegociação. Pode ou não ser bem sucedido, é certo, mas a última coisa que fará é privar os seus filhos de alimentos.
Até as crianças percebem e PPC também. Ele faz-se desentendido, porque tem um projecto pessoal para o país que, como todos sabem, não passa pela defesa dos interesses dos portugueses. Passa pelo ódio aos portugueses.
Coloque-se agora outra situação.
Um cidadão pede um empréstimo ao banco e, ao fim de algum tempo, o seu gerente de conta informa-o que houve um erro do banco no montante das prestações a pagar. O que faz o cidadão? Pede de imediato que o banco corrija o erro, como é óbvio...
Que faz PPC perante o reconhecimento do erro admitido pelo FMI? Cala-se e insiste em pagar a dívida, custe o que custar, mesmo sabendo que foi enganado. Prefere matar o povo à fome. É estúpido? Não! Ele tem um projecto ruinoso para o país e quer cumpri-lo até ao fim.É um projecto de vingança.
Nuno Melo, deputado europeu pelo CDS, perante as declarações de Lagarde, fez  na sexta-feira um requerimento ao Parlamento Europeu, perguntando quais as consequências que devem ser tiradas depois de o erro ter sido admitido pelo FMI.
PPC permaneceu calado, talvez se tenha mesmo irritado com o requerimento de Nuno Melo, porque isso contraria o seu projecto para o país.
No sábado, Cavaco veio para o  FB ( forma de comunicação preferida pelo PR) dizer que Portugal - e os países devedores- não deve insistir no pagamento da dívida, custe o que custar.
Ou seja, toda a gente neste país- com excepção de   Coelho e Gaspar- já percebeu que o país está a ser vigarizado pela troika e exige a renegociação do empréstimo.
Gaspar prossegue na sua teimosia porque é burro, só sabe funcionar com base em modelos, mas PPC não. Ele insiste em pagar a dívida porque o projecto dele é mesmo empobrecer Portugal. Porquê? Porque Passos Coelho move-se num círculo de ex-colonialistas como Cardoso e Cunha, Sampaio e Nunes e outros, que não perdoam ao país  que o 25 de Abril lhes tenha roubado os privilégios de que usufruíam do colonialismo, que lhes permitiu enriquecer em África.
Não me venham dizer que não há alternativas e que a demissão deste governo seria um desastre para  país. Não é.  A desgraça deste país é ter um governo como o actual e, como líder da oposição, uma pessoa em  que os portugueses não confiam porque, além de ser amiga do PM, não apresenta alternativas convincentes e, ideologicamente, está muito próxima de PPC. Mas também esse problema pode ser resolvido, se os militantes socialistas o quiserem. Ficar à espera que o governo caia de podre é demasiado perigoso!

Coerência

Se critiquei as escutas a Sócrates e o que sobre isso se escreveu na blogosfera, pelas razões que então aduzi, não me vão ver escrever sobre estas escutas,  em que Relvas foi apanhado, nem a tirar quaisquer ilações abusivas.
Gostava é que aqueles que viram nas escutas a Sócrates um polvo de dimensões incomensuráveis, reagissem com a mesma verborreia canalha em relação a estas escutas. Por uma questão de coerência...
Ah não se pode criticar o patrão, não é?