sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Finalmente, governo combate gorduras!

Está marcado para amanhã às 17 horas, em várias cidades do país, um "cacerolazzo à portuguesa".
O CR está em condições de informar os seus leitores que Vítor Gaspar deu ordens ao ministro Álvaro para que a ASAE inspecione todos os tachos e panelas dos manifestantes.
No despacho de  Álvaro Santos Pereira - a que o CR teve acesso em primeira mão-  pode ler-se:
" Devem ser minuciosamente inspeccionados todos os tachos, panelas e demais utensílios transportados pelos manifestantes. Quaisquer vestígios de gordura que sejam detectados pela ASAE, devem ser imediatamente confiscados, revertendo as gorduras a favor do Estado".
Aviso: não são abrangidos por este despacho os tachos distribuídos pelo governo aos militantes dos partidos da coligação. 

A guerra dos mares

Peixe coelho
(siganus punctatus)

O cherne veio ontem distanciar-se do peixe-coelho e dizer que as medidas de austeridade que nos estão a ser impostas são da exclusiva responsabilidade do governo português.
A esta guerra dos mares não será certamente alheia a desistência do cherne na corrida ao aquário de Belém em 2016. Diz-me uma fonte subaquática que o cherne Barroso estará agora mais interessado em assegurar um lugar além fronteiras, do que regressar ao esgoto que abandonou em 2004.
Os indícios deste afastamento já teriam sido percebidos pelo peixe-martelo que, na sua última homilia dominical, voltou a aproximar-se do peixe-coelho e deu umas dentadas no cherne.
A guerra dos mares está pois animada mas, atenção, o peixe-coelho ( cujo nome científico é Chimaera Monstruosa e pertence ao género Siganus) quando acossado pode ser terrivelmente mortífero. O melhor era mesmo podermos fazer uma caldeirada com eles todos...

Quem tem telhados de vidro...


O grupo parlamentar do PS decidiu trocar de carros, utilizando as verbas anuais disponíveis no Orçamento da AR.  
Obviamente que os aconchegados ao poder, seus acólitos e aparentados, aproveitaram logo para manifestar o seu repúdio por este escândalo. Como era de esperar, foram apoiados por alguma comunicação social que chegou ao desaforo de colocar na boca de Francisco Assis palavras que ele nunca proferiu.
Adianto, desde já, que a decisão do grupo parlamentar do PS foi, em minha opinião, negligente e as explicações apresentadas por Carlos Zorrinho ao nível de um qualquer Relvas.
Convém no entanto lembrar alguns desses críticos – cujas palavras se justificam pelo facto de andarem ansiosos por zurzir no governo, mas estarem impossibilitados de o fazer, porque  vivem à custa do orçamento que generosamente lhes paga -  os gastos dos gabinetes ministeriais em automóveis, usados não raras vezes para transportar os seus filhos aos colégios privados, aos consultórios médicos ou a compras no supermercado. 
O grupo parlamentar do PS usou dinheiro que lhe é atribuído por lei. Pode ter feito uma má opção, mas não cometeu nenhum crime. Procedeu como qualquer cidadão que, ao chegar ao final do ano, constata que lhe sobraram uns trocos e resolve aplicá-los na compra de roupas de marca, ou num cruzeiro. É uma decisão do seu foro íntimo que não deve ser criticada.
Ao invés, alguns que directamente, ou por interposta pessoa, criticaram os gastos do grupo parlamentar do PS nos blogs situacionistas, deveriam pensar que estão a ser pagos pelo erário público para exercer funções supérfluas, ou que poderiam ser desempenhadas com maior eficácia e a custos mais baixos por funcionários públicos do quadro.
Quem vive à custa do orçamento de Estado, recebendo a recompensa pelos serviços prestados  durante a campanha eleitoral de 2011, não tem legitimidade para atirar pedras, porque tem telhados de vidro.

(Ig)Nobel

Nos últimos anos a Academia Sueca tem-se esforçado por descredibilizar os Prémios Nobel. Em dois dias apenas, deu um importante passo para que a atribuição dos prémios Nobel se tornem tão hilariantes como os seus parceiros (Ig) Nobel, criados em 1991 para premiar as descobertas da ciência que não devem ser repetidas.
Ontem, a atribuição do Nobel da Literatura a um escritor conotado com o regime chinês foi a demonstração de que a China,  ainda há uma década apontada como " ditadura miserável ", se tornou essencial para  vários países europeus (Alemanha incluída) que procuram, naquele gigantesco mercado, destino para os produtos que uma Europa em declínio e à beira da miséria, já não consegue absorver.
Hoje, a atribuição do Nobel da Paz à União Europeia provocou, primeiro, a gargalhada geral ( como costuma acontecer quando são anunciados os (Ig) Nobel) e depois a indignação.
A Academia Sueca premiou, pela primeira vez na sua História, um fantasma. A União Europeia foi, sem dúvida, uma bela ideia que trouxe a paz à Europa e uniu os povos, mas isso foi há muito tempo. O mito da Europa solidária terminou há pelo menos uma década e os seus actuais dirigentes  agem, neste momento, como se tivessem esquecido em absoluto esse ideal que norteou os fundadores da União Europeia. 
A crise  e a falta de solidariedade dos países do Norte da Europa, com os seus vizinhos do Sul, a quem impõem condições que inevitavelmente os conduzirão à miséria, estão a exacerbar nacionalismos e a criar as condições ideais para uma nova guerra que poderá ser precipitada com várias secessões em países como Espanha, França, Itália, Bélgica e mesmo Escócia. 
Poderão alguns puristas argumentar que a Academia Sueca pretendeu, com a atribuição do Nobel da Paz à União Europeia, reavivar nos actuais dirigentes o espírito e os fundamentos que levaram à sua constituição. Pura ingenuidade! Os actuais dirigentes já demonstraram que estão de costas voltadas e entraram na fase em que, vendo o projecto europeu a afundar-se, decidiram que o melhor é cada um tratar de si. Depois da queda do muro de Berlim, a Europa construiu um novo muro que separa os países do Norte e Centro, dos do Sul. Enquanto esse muro não for derrubado, a União Europeia é apenas um mito. Um fantasma que se alimenta da carne fresca da população trabalhadora.

Sobre os novos escalões do IRS

Depois de ler este livro e aprender a desmistificar os palavrões, virei escrever sobre o novo gamanço, travestido de  IRS.
Entretanto, podemos estar confiantes no futuro. A Troika já avisou que em 2013 poderão ser necessárias mais medidas. Pelo sim, pelo não, o governo já reduziu a metade os subsídios de funeral.