segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O pau de cabeleira (2)

É cada vez mais visível que o papel do CDS no governo é servir de pau de cabeleira à dupla Coelho/Gaspar, cada vez mais apaixonada- o que deve deixar Relvas bastante enciumado.
Quando Honório Novo, na AR, mostrou a Portas a carta que escreveu aos militantes em Julho, PPC desatou a rir de forma desbragada.
 O líder do CDS, por amor ao seu cargo de ministro, embatocou mas não reagiu e manteve-se em silêncio durante todo o debate. Terminada a sessão na AR falou aos jornalistas, reafirmando o seu patriotismo, para esconder a cobardia.
É óbvio que Portas já percebeu que está a desempenhar no governo o papel de pau de cabeleira e que o CDS voltará em 2015 a ser o partido do táxi, mas põe os seus interesses pessoais acima dos interesses do país e do partido. Alguns deputados do CDS manifestaram, no dia do debate, que estão a ficar fartos e deram um sinal a Portas, ao recusarem levantar-se e aplaudir Passos Coelho.
Durante a campanha eleitoral de 2011,  Portas pediu aos portugueses que lhe dessem votos suficientes para ele poder ter força na coligação. Os portugueses corresponderam, dando-lhe a maior votação de sempre mas, agora, reconhecem que foram votos deitados fora, porqeu votaram numa coisa que nem sequer sabe ser Homem e bater com a porta. Votar nele é o mesmo que votar em Castelo Branco para Sintra, por isso, em 2015, poucos serão os portugueses que desperdiçarão o seu voto numa inutilidade.

Relvas e os reféns de Passos Coelho

Na senda canalha que o caracteriza, PPC conseguiu neutralizar os potenciais obstáculos que o  poderiam impedir de concretizar o seu projecto pessoal, fazendo-os reféns.
Paulo Portas não pode abandonar a coligação, porque os submarinos podem vir à tona e é uma chatice.
Cavaco Silva não pode fazer muitas ondas, porque os seus amigos Dias Loureiro e Oliveira e Costa poderiam ver levantada a sua impunidade no caso BPN e ele vir a apanhar com alguns estilhaços.
António José Seguro não é obstáculo para PPC pela sua  irrelevância política. Uma substituição do líder do PS poderia causar-lhe alguns amargos de boca pelo que Miguel Relvas, coadjuvado por alguns "bufos" que contratou para o seu gabinete, já está no terreno a investigar  eventuais podres de potenciais líderes socialistas. Aliás, é para isso e para fazer os seus negócios que Relvas está no governo, pelo que não é previsível que PPC abra mão dele numa eventual remodelação.

The woman in Orange


" Este debate está a ser pago pela troika"- disse, inflamada e convicta, a deputada do PSD Teresa Leal Coelho, durante o debate das moções de censura apresentadas pelo BE e pelo PCP.
Quando ouvi esta frase, pensei imediatamente que era digna de figurar nos "Caramelos Vaquinha", ao lado de outros ilustres deputados que fazem parte dessa galeria do CR.
Desisti da promoção, porque afinal Teresa Leal Coelho apenas expressou um sentimento colectivo, partilhado por outras mulheres da agremiação laranja, como Francisca Almeida ou Fátima Lima.
Daí que apenas deixe aqui uma Picada de Escorpião sobre aquela frase que me fez recuar ao dia em que uma prostituta, vítima de maus tratos, entrou no meu consultório. Sobre esse episódio, escreverei amanhã.

Pedrito, já te tenho dito, que não é bonito andares-me a enganar!

Já há muito se percebeu que a honestidade de Pedro Passos Coelho é igual à sua ética e ambas estão bem guardadas naquele sítio recôndito que só a D. Laura conhece.
Já muitos sabíam que o perfil  com que PPC enganou os portugueses nunca passou de um mito construído por um grupo de jornalistas e equiparados, disfarçados de bloggers, que muitos almoços e jantares depois, foram contemplados com lugares em gabinetes ministeriais ou cargos de administração em empresas e institutos públicos.
Já todos conhecíamos o padrinho de PPC e o perfil do seu irmão gémeo, Miguel Relvas.
O que (pelo menos eu)  ainda não sabíamos é que PPC era tão desmemoriado, ao ponto de se ter esquecido e até omitido do seu curriculum que era administrador de uma empresa que se banqueteou à mesa do OE durante uns anitos, graças à acção de Relvas. 
É certo que Helena Roseta já denunciara a tramóia em tempos, mas tudo parecia ter ficado esquecido.  Hoje, porém, José António Cerejo revela num dossiê de seis páginas, muito bem documentado, os contornos da operação. Podem ler aqui um resumo, mas vale a pena gastar 1€ na compra do "Público" para   ler tudo. 
Colocado perante dados irrefutáveis, o nosso primeiro limitou-se a justificar o "esquecimento" dizendo " foi confusão minha". Depois de perder o cabelo, PPC também perdeu a memória, tadinho!
Como podemos confiar num PM que nem sequer se lembra da actividade profissional que desempenhou antes de ir ao pote?

Um país de "patas arriba"


Foi esta a frase que o "El Mundo" escolheu para noticiar o episódio do içar da bandeira no 5 de Outubro.
Outros episódios, porém,  se podem enquadrar na mesma frase:
- António Costa fez de PR e líder da oposição
- Cavaco fez de líder do PSD
- Em vez de um grupo de homens a manifestarem o desagrado popular, foram duas mulheres que, cada uma à sua maneira, mostraram a sua raiva contra  os súbditos da troika

Parou na contramão...

No dia 5 de Outubro fui ao "Congresso das Esquerdas" e não me arrependi, mas o melhor resumo que posso fazer daquele dia é recorrer a Chico Buarque... parou na contramão, atrapalhando o tráfego