segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O significado do silêncio

Qualquer brincadeira de miúdos envolve algazarra. Normalmente - se não houver choros pelo meio- é sinal de que se estão a divertir, mesmo que as brincadeiras possam envolver alguma violência. Preocupante, para os adultos, é quando a um período de algazarra se segue um prolongado silêncio num grupo de crianças. Ficam alerta e interrogam-se sobre o que estarão a fazer. Depois vão ver e, normalmente, descobrem que é sacanice...
Sei isso desde miúdo e, por isso, me preocupa o longo silêncio do governo, depois da algazarra sobre a TSU. Provavelmente está a preparar uma sacanice...

Adenda: acabo de ouvir que Bruxelas já aprovou as alterações à TSU. Creio haver qualquer engano na notícia... ao que me parece, o que Bruxelas aprovou foi o OE de Estado português para 2013. Certamente, nas próximas horas, este assunto será esclarecido, o silêncio quebrado e regressará a algazarra. Apenas o homem do leme, ancorado em Belém a viver com um orçamento de nababo, permanecerá mudo e quedo. Afinal, é para isso que lhe pagamos, o homem só fala para defender os interesses do PSD. 

Não é crime!- disse ele

O Ministério Público concluiu não haver ilícito criminal na licenciatura de Relvas.
Mas alguém alguma vez pensou que uma licenciatura tirada em meia dúzia de meses fosse crime? Não é disso que se trata, meus senhores! A questão da licenciatura de Relvas insere-se na rubrica "favorecimentos" que, podendo ou não ser crime, indiciam outros aspectos mais relacionados com jogos de poder, amizades e compadrios.
De qualquer modo saúde-se a rapidez do MP em desvendar este caso que, certamente, permitirá ao PM invocar mais um argumento para não remodelar Miguel Relvas.
De qualquer modo, aconselho qualquer candidato a uma licenciatura a procurar uma Universidade onde os créditos lhe sejam conferidos a "olhómetro".

E o prémio vai para?

O governo proibiu o pagamento dos prémios de desempenho nas empresas públicas. Até aqui, em princípio, nada contra.
O problema é que no sector privado as empresas recorrem cada vez mais a remunerações acessórias,  isentas de  IRS, de modo a permitir aos ( a alguns…) trabalhadores compor os seus salários e o governo continua a permitir essa prática que tem uma dupla repercussão:
- Falsifica os dados quanto à diferença entre salários no sector público e privado e legitima uma fuga aos impostos inadmissível num tempo em que se reclamam sacrifícios iguais para todos.

Greve geral? E se parassem para pensar?


Ou estou a ver mal a coisa, ou Arménio Carlos meteu mais uma argolada ao anunciar a greve geral durante a manif de sábado. 
Já era altura de a CGTP perceber que uma greve geral não se faz sem a UGT. Ao anunciá-la sem  um entendimento prévio, Arménio Carlos pode não só ter hipotecado o sucesso de uma greve geral, como vir a prestar um grande favor ao governo.
Não me parece que, em função das circunstâncias em que foi feito o anúncio, a UGT aceite ir a reboque da CGTP, como mero "convidado de circunstância". Ora, se isso acontecer, a greve nunca será geral.
Arménio Carlos devia ter tido bom senso e pensar um bocadinho. Se o tivesse feito, facilmente concluiria que era imprescindível encontrar consensos com a UGT. A maioria das pessoas não tem, neste momento, condições para perder um dia de salário e, sendo a greve convocada apenas pela CGTP, pode parar sectores estratégicos, mas não terá a adesão de muitos potenciais grevistas que estariam dispostos a fazer das tripas coração e prescindir de um dia de salário, em nome da unidade.
Ao destratar a UGT, Arménio Carlos faz um grande favor ao governo. Permite -lhe explorar a divisão e dizer que apenas os comunistas estão contra o governo. Claro que é mentira, mas essa mensagem passará junto de franjas alargadas da população e poderá ressuscitar episódios antigos.
Eu já aqui fui, diversas vezes, bastante crítico com a UGT, mas creio que a CGTP não se cansa de dar pretextos para que Proença se demarque do monolitismo que Arménio Carlos, com um discurso retrógrado e bacoco e uma acção vesga, centrada no seu umbigo,  parece querer recuperar. A CGTP- por muito que isso lhe custe- não representa a totalidade dos trabalhadores portugueses e tem de aprender a viver com isso. Infelizmente, penso que nunca o conseguirá. Quem perde é o país e, principalmente, os trabalhadores.

Os dias do fim

Marcelo já percebeu que não pode contar com PPC para o levar até Belém. Ontem, na sua homilia dominical, demarcou-se, zurziu forte e feio no PM e chegou ao cúmulo de o culpar pelas atoardas de António Borges.
Quando - mesmo sem o dizer explicitamente- Marcelo já começa a ver que o grande problema do país é PPC e não se coíbe de o dizer na TVI, fica cada vez mais claro que este governo está viver os dias do fim.