terça-feira, 25 de setembro de 2012

Uff! Consegui...

Perceber que Miguel Macedo afinal tinha razão quando explicou a f(r)ábula da cigarra e da formiga.
Encontrei nos meus arquivos a Lei 37/ 2007 (também conhecida por Lei da Passa), que explica tudo direitinho

Ora atentem no que diz aquela Lei do Tabaco:

Artigo 4º
1- É proibido fumar:
a) Nos locais onde estejam instalados órgãos de soberania, serviços e organismos da Administração Pública e pessoas colectivas públicas;
b) Nos locais de trabalho; ( sublinhado meu)
Portanto, as cigarras são mesmo os órgãos de soberania e o legislador teve olho quando previu que era importante fazer a destrinça entre os  locais de trabalho e de lazer (prazer), como os gabinetes ministeriais

A globalização do disparate

Não é só por cá que os políticos dizem alarvidades. Olhem só para estes dois exemplos e, antes de seguirem os links, tentem adivinhar quem proferiu cada uma das frases:
Apoiar a  homossexualidade é coisa de capitalistas
Não percebo porque motivo não é possível  abrir as janelas durante uma viagem de avião

Brincar com o fogo

Enquanto os espanhóis continuam a sair à rua quase diariamente, protestando contra as medidas de austeridade impostas pelo governo ( hoje em Madrid há 12 manifestações, três  das quais pretendem cercar o Congresso, o que está a preocupar seriamente as autoridades madrilenas) Rajoy continua a assobiar para o lado e recusa pedir o inevitável resgate. 
A recusa do líder do PP  em formalizar o pedido nada tem a ver com os interesses de Espanha, mas sim com os do Partido Popular. Em Outubro (dia 15) haverá eleições na Galiza e no País Basco e Rajoy teme que um pedido de resgate antes dessa data resulte em estrondosas derrotas para o seu partido, o que fragilizará ainda mais o seu já tão desacreditado governo. 
Lá como cá, a direita defende primeiro os seus interesses e só depois os do país, mas a cobardia de Rajoy pode sair muitíssimo cara aos espanhóis e provocar, a breve prazo, uma explosão social  incontrolável em Espanha, a braços com a possibilidade de secessão da Catalunha que, a concretizar-se,  pode despoletar o desmembramento da unidade espanhola.  
Em Julho pude constatar o clima de instabilidade que se vive em Espanha- e que aqui vos dei conta na altura- mas a situação desde aí não pára de se agravar. Os seus efeitos terão obrigatoriamente repercussão em Portugal e também na Europa, mas Rajoy permanece indiferente e só pensa em salvar a face do seu partido. Palpita-me que isto não vai acabar bem...

Chamem os bois pelos nomes, s.f.f.


Quando alguém se dirige a um banco para pedir um empréstimo, assina um contrato no qual o banco se compromete a entregar-lhe o dinheiro de que necessita. Quem pede o empréstimo compromete-se, por sua vez, a restituir ao banco a quantia emprestada, ao longo de um período acertado entre as duas partes,acrescida do pagamento de juros determinados pelo banco, os quais constituirão lucro para a instituição que concedeu o crédito.
O valor dos juros é negociável, podendo variar entre o razoável e a agiotagem pura, competindo aos consumidores negociar com a instituição financeira que lhe ofereça melhores condições.
Alguma pessoa que contraiu um empréstimo diz “ fui pedir ajuda ao banco para comprar a minha casa”? Obviamente que não.
É por isso que não percebo a insistência da comunicação social em falar da ajuda do FMI e do BCE a Portugal. O governo pediu um empréstimo e irá pagar juros elevadíssimos cobrados pelas duas instituições. Ao contrário do que acontece com os consumidores, os países não têm escolha quanto à entidade que lhes concede o empréstimo, porque não funciona a Lei da Concorrência. Daí que sejam obrigados a aceitar os juros agiotas impostos por quem pode conceder o empréstimo, sob pena de entrarem em bancarrota.
 Qualquer jornalista estagiário sabe isso, pelo que a insistência da nossa comunicação social ( e também de alguns membros do governo) em falar de “pedido de ajuda” só pode resultar de tentativa de intoxicação deliberada da opinião pública. Portugal pediu um empréstimo, os nossos credores comportam-se como agiotas e o governo como um consumidor totó que assina de cruz. Ponto final.


Foi apenas ontem...

O leitor já era nascido quando ocorreu este episódio?

Late night wander (99)

Esclareçam lá de uma vez por todas. Somos piegas, ou cigarras calaceiras? Também nesta matéria era importante que o governo falasse a uma só voz.