sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Expliquem-me devagarinho, como o Gaspar

Se o dinheiro  da TSU que o governo vai roubar aos trabalhadores do sector privado para oferecer às empresas, se destina a dinamizar a economia, criar emprego e dar maior liquidez às empresas  (José Luis Arnaut disse-o hoje na RTP), por que razão os reformados, pensionistas e funcionários públicos são também obrigados a suportar esse aumento? 
Para pagar os vencimentos e subsídios à trupe partidária que enxameia os gabinetes ministeriais?
Não me venham dizer que é para subsidiar as empresas públicas, porque essas o Estado está a privatizá-las...

É mesmo verdade...

Como ontem tinha adiantado, discretamente, Cavaco convocou o Conselho de Estado para a próxima semana. 

Cuidado com os erros de paralaxe!


O governo já pôs a funcionar a sua máquina de propaganda, fazendo circular a ideia de que as manifs agendadas para amanhã em 28 cidades do país podem degenerar em violência. Salazar usava a mesma táctica, mas nunca o medo me impediu de enfrentar a polícia de choque que respondia com jactos de água, bastonadas ( e por vezes algo mais) ao meu desejo de protestar.
 Não irei, no entanto, estar presente na manif de amanhã, para protestar contra a troika. Não é isso que me move, até porque sei que desde que o BE e o PCP cometeram o acto tresloucado de oferecer o poder à direita, a entrada da troika em Portugal se tornou inevitável. 
O meu protesto, neste momento, não é contra quem nos empresta dinheiro... é contra quem, a coberto da troika, está a destruir o país e a criar uma sociedade com um nível de vida terceiro mundista.
O meu protesto é contra a política esclavagista deste governo, contra a destruição do tecido social e económico e contra a acção desumana e destruidora de quem nos governa.
Amanhã, quando integrar a manif, o meu protesto será contra Belém e S. Bento, contra a escumalha de jagunços da S. Caetano e do Caldas. São esses que me estão a vilipendiar diariamente ( indo muito além das exigências impostas pela troika e até ignorando os seus avisos). Centrar a ira na troika é um erro com o qual não pactuo. Não gosto deles. abomino-os até, mas os meus carrascos  são portugueses e têm nome: chamam-se Pedro Passos Coelho, Paulo Portas e Aníbal Cavaco Silva. 
Esta foto foi roubada ao Ladrão de Bicicletas

Inventem um novo pai, porque este não presta!

Cada dia que passa há mais gente a pedir a intervenção do PR, para evitar a ruína do país. Não percebo como ainda há gente a acreditar numa intervenção de Cavaco, depois dele ter  dito, através de MFL, que acatará a decisão da AR. Não contem, tão pouco, que mande o OE para o Tribunal Constitucional. Ele está no seu último mandato e quer sopas e descanso.
Pedir a intervenção de Cavaco é uma ingenuidade. Não é o seu" inner cercle" composto por pessoas como Oliveira e Costa, Dias Loureiro, ou Duarte Lima? Não foi Cavaco quem elogiou a democracia na Madeira e se prestou ao enxovalho de lhe ver recusada por Jardim a ida ao Parlamento Regional, sem esboçar um gesto?  Não foi Cavaco quem cometeu perjúrio diversas vezes, violando a Constituição?
Ainda há quem acredite que o inquilino de Belém  está disposto a ir além da defesa dos seus interesses e tome uma atitude para defender os interesses do país? Ainda há quem acredite que  Cavaco é um Homem?  
Não se iludam!  Não o comprometam, porque ele não é homem para tomar decisões. Se ele declarou na sua ficha da PIDE que estava integrado no sistema, que esperam senão a sua passividade perante o desmoronar do país?
Arranjem outro pai, ou façam o que deve ser feito: saiam à rua em protestos diários, até que o governo recue. Foi assim que os espanhóis obrigaram Rajoy a recuar.
Sim, também eu estou a ser ingénuo. Até parece que não vi, esta madrugada, o Chiado prenhe de gente a fazer compras! Consumir desenfreadamente é mesmo a única coisa que obriga os portugueses a sair à rua. Talvez a única solução seja  inventar um novo povo.

O embuste


Este governo é muito lesto a cumprir as ordens da troika, quando se trata de cortar salários e usurpar os direitos dos cidadãos, porque sabe que o tuga é manso e não passa dos gemidos- acompanhados de alguma gritaria- para a acção.
No entanto, quando se trata de executar as medidas da troika que mexem com interesses instalados e lóbis, é como a guitarra do Paco Bandeira... "toca baixinho". Mexer nas parcerias público privadas? Está quieto, porque eles são poderosos e podem causar problemas! Fingimos que mexemos, compramos uns jornalistas para o confirmarem e  partimos para outra.
 Cortar nas rendas da energia?  Está bem, vamos fazer umas cócegas, mas sem provocar a reacção do governo chinês a quem vendemos a REN e a EDP ( essa da privatização foi só para enganar os papalvos).
Reforma autárquica? Nós bem queríamos cortar municípios, mas o PSD não deixa, por isso vamos cortar muitas freguesias a ver se a troika engole a patranha.
Relvas e Cª parecem estar muito satisfeitos com a estratégia mas, quando a ideia passar à prática, vão ver como lhes vai estourar nas mãos!
Com mais ou menos protesto, lá têm conseguido desertificar o interior eliminando escolas, hospitais, tribunais e outros serviços públicos e deixando as populações ao abandono. Estes cortes seriam suficientes para colocar sérias dificuldades aos partidos do governo nas próximas eleições autárquicas, mas a eliminação de centenas de freguesias, feita sem critério e com desconhecimento total da realidade, vai sair cara ao governo e as poupanças com a medida serão irrisórias.Os municípios é que são os grandes gastadores e Luís Filipe Menezes o despesista mor ( embora a sua obra em Gaia seja reconhecida e meritória, a câmara é uma das mais endividadas do país. Já imaginaram o que será quando o homem estiver no Porto?)
O governo tentou reduzir os danos e enganar a troika, não mexendo nos municípios, mas as populações não se vão deixar enganar  e mostrarão que não aceitam o embuste. Mais do que um Verão quente, adivinho um Outono e Inverno escaldantes, em resultado de uma medida pensada com os pés e com desprezo total pelas populações e pelas recomendações da troika.
Mais do que chamuscar-se, este governo corre o risco de esturricar na grelha, vítima dos seus efeitos pirotécnicos.

Voando sobre um ninho de cucos

A melhor forma de resumir a entrevista do primeiro ministro à RTP é evocar "Voando sobre um ninho de cucos".
O entrevistado padece de indigência mental, tem um elevado défice intelectual, não ouve as críticas à sua volta, mesmo que sejam do seu partido e da sua área ideológica,  vive num mundo que criou na sua cabeça,mente compulsivamente e é cleptómano.
A sua teoria é esta: o mudo que se adapte a mim, porque eu recuso-me a adaptar-me a ele.
O que se pode dizer então de um entrevistado com estas características que passou 75 minutos  num blá blá blá autista?